Capítulo 20

1706 Palavras
Angelina Uma luz fraca bate em meu rosto, me fazendo despertar. Abro meus olhos com dificuldade por conta da claridade, e sinto um braço pesado me empresando na cama. Só aí que me lembro. Marcelo… Puta* merda, nós dormimos junto. Não foi um delírio meu, nós realmente dormimos juntos. Olho para trás lentamente, com medo do que irei vê, mesmo já sabendo o que me aguarda. Marcelo está bem atrás de mim, com seus pés e braços musculosos em cima do meu corpo, quase me impedindo de se mover. Vejo um pequeno relógio em cima da mesinha no canto da cama, e me estico com dificuldade para pegá-lo. Merda*, já passou das 10 da manhã! — Meu Deus!- sussurro desesperada. — Volta a dormir.- A voz sonolenta do Marcelo me dá um susto. Ele me puxa de volta pra cama e me prende quase debaixo do seu corpo. Por um momento, eu me perco em seus braços, e sorrio com a nossa proximidade. Mas depois, quando infelizmente me lembro de que muito provavelmente todos já estão à minha procura, volto a me desesperar. — Não Marcelo já está tarde, a essa hora todo mundo já sabe que dormimos juntos.- falo nervosa, tentando desesperadamente tirá-lo de cima de mim. Vendo a minha agonia, mas com muito custo, ele rola o corpo de lado, ficando de barriga para cima. — Mas se eles já sabem, por que você está tão desesperada assim?- ele pergunta ainda de olhos fechados. — Porque podem achar que fizemos alguma coisa né.- eu falo com calafrios na barriga, tentando não pensar nessa hipótese. Marcelo então abre apenas um olho para me encara, e diz: — E nós não fizemos?- pergunta com uma voz sarcástica e com um meio sorriso no rosto. Eu queria beijar aquela boquinha maravilhosa e insolente, mas também queria socar essa carinha cínica , até arrancar seu sorriso m*****o* dos lábios. — Para com isso Marcelo, é sério. Como vou olhar para cara deles agora?- falo me sentando na cama, e colocando a mão no rosto desesperada. Caramba, o que eu foi fazer? — Ei, você não precisa ficar assim. Nós somos adultos, temos coincidência dos nossos atos, e ninguém aqui tem que nos julgar.- ele diz segurando no meu rosto e me fazendo encara-lo. — Eu estou morrendo de vergonha.- confesso, sentindo ansiedade e ele sorri, me puxando para um abraço reconfortante. — Você fica linda quando acorda, sabia? E fica ainda mais linda quando fica com vergonha.- ele diz alisando minha cabeça, que está encostada em seu peito*. — Preciso de roupas, não posso sair assim, já basta o que eles devem estão pensando de mim, imagina se me virem apenas com essa blusa? Aí sim vão ter certeza de tudo.- falo me afastando para encarar o rosto dele. — Tá bom, ta bom, eu vou lá vê se a barra está limpa e trago sua bolsa aqui pro quarto, pode ser assim?- ele pergunta e eu fico pensativa. E se alguém ver ele trazendo minhas roupas aqui no quarto? Mas eu acho que não vai adiantar de nada. Provavelmente todos já sabem que dormimos juntos, de um jeito ou de outro, eu vou ter que encarar o olhar de julgamento de todos, então não faz diferença se virem ele carregar minhas coisas ou não. — Tá bom, fico te esperando aqui.- Marcelo me dá um selinho, desce da cama e saindo do quarto tranquilamente. Eu fico andando de um lado para o outro, me martirizando, e pensando nas desculpas que vou ter que dar para minha madrinha, e também para a dona Anahi por desrespeitar sua casa desse jeito. Ela deve está me achando uma verdadeira p**a* por ter ido para cama com o filho dela, sem me importar com as pessoas que estão na casa. Meu Deus, por que eu fiz isso? Eu não sou assim, eu não traio, eu não transo* na casa dos outros, ainda mais uma casa cheia de familiares. Mas no fundo, eu não posso negar que a nossa noite foi boa. Foi gostoso. Poderia dizer até maravilhoso. Mesmo que não tenhamos chegado aos finalmentes de fato. Eu me surpreendi com o alto controle do Marcelo. Ele me respeitou em todos os momentos, até quando eu quase implorei para que ele me tomasse de vez. Talvez ele tenha achado que eu aceitei somente no calor do momento, e talvez tenha sido isso mesmo. Ou talvez não... O fato é que agora eu estou perdida. Eu já não tirava esse homem da cabeça antes, agora então, vai ser mais difícil ainda. Marcelo entra no quarto do nada me assuntando, e me tirando dos meus devaneios. Ele carrega minha bolsa em uma das mãos, e um pedaço de bolo na outra. — Tudo limpo.- ele diz de boca cheia, colocando minha bolsa em cima da cama.- sua madrinha e minha mãe nos deram cobertura.- ele diz agora terminando de engolir o bolo. — Como assim?.- pergunto confusa, abrindo minha bolsa para procurar uma roupa descente pra vestir. — Minha mãe nos viu dormindo.- ele diz como se não fosse nada demais, e eu fico parada na frente dele como se tivesse tido paralizia facial. — Como é?- perguntei pedrificada. Quando Marcelo percebe minha reação, ele volta a se explicar. — Quando minha mãe acordou, ela veio aqui me chamar para ficar com a Izabela, pois ela ia caminhar com a sua madrinha. Foi quando ela nos viu aqui, dormindo.- ele diz com um pequeno sorriso, e eu já começo a ficar nervosa.- as duas armaram para que todos pensassem que nós dois tínhamos saído para caminhar antes delas.- ele fala sentado ao lado da minha bolsa, e eu encaro ele de boca aberta. — É sério isso ou você está brincando comigo?.- minha madrinha me acobertando? Por que? — É sério, elas acabaram de me falar.- ele diz levantando, beijando a minha cabeça, e indo para o armário procurar uma roupa para vestir.- coloca um biquíni, nós vamos passear de lancha hoje.- ele diz ainda de costas, despreocupadamente. Fico meio confusa, mas agradecida por não ter que ficar me explicando para ninguém, exceto para minha madrinha, com certeza ela virá pedir explicações. Tiro a blusa do Marcelo, coloco um short de dormir, e uma blusa confortável. Fecho a bolsa, e dou uma última olhada para ele antes de sair do quarto e ir correndo para o banheiro. Tomo um banho, coloco um biquíni branco, escolho um vestido longo com estampa florida em azul por cima, e penteio meu cabelo, deixando ele solto em cachos bem definidos. Passo protetor solar no rosto, e aplico um corretivo somente embaixo dos olhos, pois meu rosto está bastante corado por conta do sol que venho pegando esses dias. Vou até o quarto onde eu fiquei junto com Emma, Linda e Noah, e coloco minha bolsa em cima da cama que estava forrada para mim. O quarto está vazio, as camas deles estão arrumadas e forradas. Eu engulo seco o nervosismo, e vou para a cozinha. Entro no cômodo, e a dona Anahi está lá sozinha tomando seu café. Ao me aproximar, ela levanta o rosto para me encarar, e me dá um sorriso desarmante. Ufa, é um sorriso, não uma encarada raivosa. — Bom dia.- eu falo com cautela. — Bom dia minha querida, senta ai para tomar seu café.- ela diz simpática, mas eu continuo constrangida. — Dona Anahi, eu queria pedir desculpas pelo que aconteceu entre mim e o Marcelo.- falo toda sem graça, e ela sorri para mim. — Você não tem que pedir desculpa por nada.- ela diz tentando me tranquilizar. — Tenho sim, eu estou envergonhada, a senhora me recebeu tão bem em sua casa, e eu acabei indo dormir com seu filho, eu não faço esse tipo de coisa, mas aconteceu, e eu… Só posso pedir desculpas mesmo.- eu falo com tanta vergonha, que se pudesse, enfiava minha cabeça dentro do chão — Escuta queria, vou te contar uma coisa.- ela diz com uma voz calma se aproximando de mim e sentando ao meu lado.- a minha mãe era uma cigana.- começa a dizer se endireitando na cadeira.- ela foi uma mulher muito sábia, lia as pessoas até sem olhar em suas mãos. Ela dizia que a áurea para quem sabe ler, era como um livro aberto.- conta e eu fico a encarando extasiada.- mamãe até me ensinou a lê algumas coisas.- ela sorri para mim. — Sério?- pergunto desconfiada. — Olha, eu gostava muito da Emily, não tenho o que reclamar daquela mulher, era uma nora muito boa, uma ótima mãe, e fazia meu filho feliz.- começou a dizer.- eles se gostavam muito, e acho que se o destino não tivesse interferido, eles poderiam ter vivido para sempre do modo deles. Emily e Marcelo tinham almas muito parecidas, mas não eram gêmeas.- ela diz sorrindo para mim tão acolhedora, que mesmo eu não entendendo como chegamos em um assunto nada haver com a noite de ontem, eu sorrio para ela. — Bom dia.- Marcelo chega atrás de mim. — Bom dia.- nós duas o cumprimentamos, e dona Anahi volta para onde estava sentada antes. — Tudo bem?.- Marcelo pergunta segurando minha mão, levando a boca depois. Mesmo eu amando o gesto de carinho, ainda me sinto desconfortável por fazer isso na frente da mãe dele. É como se eu tivesse fazendo a coisa mais errada do mundo, e já estivesse sem vergonha, fazendo isso para todo mundo vê. Porém, olhar para os olhos acolhedores e apaixonantes do Marcelo, me faz relaxar um pouco. — Sim, tudo bem.- respondo sorrindo, mas ainda tensa. — Tomem café crianças, antes que o povo chegue da rua, e vocês saiam para mais uma aventura.- dona Anahi aconselha. — Pra onde eles foram?- pergunto mordendo um pedaço de pão. — Eles foram á praia esperar vocês chegarem, levaram até a Izabela.- ela responde.- eu disse que vocês tinham ido fazer uma trilha, Elena também confirmou.- diz dona Anahi, e eu fico imaginando o esporro que vou levar da minha madrinha. — Tá bem, obrigada.- falo ainda sem graça, e ela só sorri para mim.
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