Capítulo 7

1709 Palavras
Angelina Voltamos pra casa todos desesperados para tomar banho. A Linda está parecendo um camarão de tanto sol que pegou, porém, sua marquinha está bem viva. Eu também fiquei com uma marquinha perfeita, até Olívia se marcou, não tanto como nós duas porque ela quase não conseguiu ficar no sol direito. - Tô saindo.- minha madrinha grita assim que saí do banheiro. Aqui nessa casa temos dois banheiros, um em baixo e um em cima, é onde fica mais fácil de dividir. Algumas pessoas optaram por tomar banho no banheiro de cima, mas eu escolho sempre tomar banho no de baixo. Acho o chuveiro bem mais potente, e a água mesmo sendo um gelo, fica muito gostosa por sair bem forte. Pego um macaquinho verde com babados nos ombros, uma calcinha limpa, e entro no banheiro. Estou toda me coçando devido ao sal, sol e areia, e isso me dá um nervoso tremendo. Olho no espelho, observando que a minha marquinha ficou muito bonita mesmo. Não estou muito queimada, mas a minha pele marca muito rápido, e fica ainda mais bonita por conta dos cabelinhos loiros que eu amo fazer. Tomo meu banho calmamente, sabendo que todos já tomaram o seu, e não vão ficar enchendo o meu saco. - Angel, nós estamos indo sentar lá na rua.- a Linda grita na porta do banheiro. - Tá bom, assim que eu acabar vou pra lá também.- grito de volta para ela me ensaboando. - Está bem, não demora não pra gente beber.- ela grita mais uma vez já de longe. Pego meu shampoo e passo no cabelo. As minhas madeixas estão horrorosas e super emboladas por conta do sal da água, então eu resolvo dar um atenção a mais para elas hoje. Passo o creme de hidratação e desembaraço ele antes de passar o condicionador, e depois passo a minha loção refrescante no corpo. Termino meu banho, seco meu corpo, e enrolo uma toalha na cabeça. Seco o banheiro também, porque quando eu lavo o cabelo faço uma bagunça, coloco minha roupa, e saio do banheiro ainda com a toalha na cabeça. Guardo tudo que usei, e começo a me arrumar. Passo uma maquiagem leve, apenas uma escurecida nas sobrancelhas, rímel, e um gloss labial. Tiro a toalha da cabeça, e estendo ela no varal. Daqui, eu consigo escutar o povo no portão conversando alegremente, e fico com vontade de ir lá participar, mais preciso pentear o cabelo ainda. Pego o creme, e com o cabelo separado em quatro partes iguais, começo a penteá-lo calmamente. Vejo pela minha visão periférica alguém se aproximar, viro-me para ver quem é, e é a Linda, com um sorriso e uma expectativa no olhar. - O que houve?.- pergunto achando aquilo estranho. - Os donos da casa da frente, aquela sua casa preferida? Então, eles estão aí no portão, super simpáticos, e o rapaz? Nossa senhora, é um homão da porra.- ela diz baixinho, como se alguém fosse escuta-la, mesmo só tendo nós duas dentro de casa, e eu começo a rir. - Deixa Noah ouvir isso.- falo baixo também, e rindo da reação dela. Linda coloca a mão na boca sem conseguir se segurar. - Pelo amor de Deus, eu já não conseguia parar de olhar pro cara, ele é muito bonito Angelina, você precisa ver.- ela diz balançando a cabeça, e eu sorrio de lado - Estou terminando aqui e já vou lá.- eu falo sem muito ânimo. Ela concorda, e volta lá pra fora. Por mais que eu tenha ficado curiosa, eu não estou a fim de ir atrás de homem nenhum, já basta o meu que me dá trabalho o suficiente, além disso, eu vim aqui atrás de solução, e não de outro problema para a minha vida. Termino de pentear meu cabelo sem pressa, endireito o meu baby hair, escovo meus dentes, calço um chinelo, e vou andando para o portão tranquilamente. Ouço uma voz masculina rouca e forte, e do nada o meu corpo se arrepia inteiro. Fico meia nervosa por um instante, e a minha curiosidade só aumenta. Encosto a mão no portão, e como ele está um pouco empenado por ser de madeira, e está precisando de uma manutenção, eu preciso levantá-lo um pouco para conseguir abrir, de tão pesado que ele fica. O bendito acaba fazendo um barulho terrível, e eu reclamo com horror. Quando eu finalmente consigo abri-lo, deparo-me com um homem de quase dois metros de altura, branco, com a pele um pouco avermelhada, corpo atlético, olhos azuis, cabelos loiros escuro, e rosto apesar de simpático, bastante sério. O que me espanta, é que ele não faz nem o meu tipo, eu sempre gostei de homens negros, mas novos, e que fosse no mínimo engraçado. Porém, admito que perdi o jeito de andar ao olhar para ele. Entre tanto, a maneira que o homem me olha, parece até que está vendo um fantasma em sua frente. Suas palavras ficaram presas na garganta, como se ele tivesse sufocado, e a sua pele de um tom avermelhado provavelmente por conta do sol, agora parece ter ficado roxa feito uma beringela. Ele não consegue terminar sua frase. Todos ficamos calados, e um clima estranho se estabelece. Eu fico tão sem graça, que viro o meu rosto para cortar a nossa troca de olhar, que conseguiu-me deixar envergonhada. Viro-me em direção a minha madrinha, e ao lado dela, vejo uma cadeira sobrando. Eu ando até ela, e sento-me ao seu lado. O rapaz continua a me olhar de boca aberta, e a senhora ao seu lado acaba soltando um som, e só aí que percebo a sua presença alí. - Meu Deus.- diz ela também me encarando de boca aberta, e eu fico sem entender nada. Será que tem algo em minha testa? O silêncio é constrangedor, e ninguém tem coragem de perguntar o que está acontecendo. Só aí que um choro tira todos nós do transe. Uma menininha linda, que faz o meu coração errar as batidas, se aproxima de nós chorando. Ela sai correndo de perto do Luca e da Eva chamando pelo pai. O rapaz então se abaixa, e abre os braços para a garotinha, que se joga manhosa em seu colo. - O que aconteceu gente?.- Abigail pergunta preocupada. - Ela caiu mamãe.- Luca responde assustado, olhando para a menininha que ainda chora muito. Eu não sei o porquê, mas ver aquela garotinha no colo desse rapaz, toda chorosa enquanto mostra os ralados para ele, aquece o meu coração. Para mim, parece ser coisa de filme, e eu preciso fazer força para não chorar com a cena. Começo a fazer contas mentalmente, para saber se estou entrando no meu período menstrual, pois só tem essa explicação para me emocionar com algo tão simples como isso. - Não foi nada meu amor, já passou.- ele diz com a voz grossa, que me faz arrepiar por inteira novamente. - Qual o nome dela?.- eu não me contenho em apenas observa-la, e acabo perguntando. O cara vira o rosto para me olhar mais uma vez, e novamente fica roxo. Eu não consigo entender o porquê daquela reação, e fico envergonhada também. Quando a menina percebe-me ali, ela para de chorar na mesma hora, e levanta os braços na minha direção. Eu olho para minha madrinha sem entender nada, vendo como todas as outras pessoas também estão me encarando interrogativamente. Mesmo sem entender o que esta acontecendo, e ainda um pouco constrangida por todos aqueles olhares em minha direção, eu levanto-me da cadeira e caminho até a garotinha com cautela. Levanto meus braços para pegá-la em meu colo, e para a minha surpresa, ela quase salta na minha direção. Quando eu a pego em meus braços, sinto um misto de desespero com paz, amor, e tranquilidade. Parece que eu fiquei nervosa ao segura-lá, e ver seus olhinhos azuis cobertos de lágrimas, olhar-me tão atentamente. Não sei explicar a sensação, foi uma coisa especial, que fez todos pararem para vê. A menina deitou o rostinho no meu ombro, depois levantou para me encarar mais uma vez, e deitou novamente. Ela apertou-me de uma forma tão terna, que eu sinto uma vontade imensa de chorar. - Com licença.- o rapaz ao meu lado diz, e sai de perto da gente com pressa, indo em direção a sua casa, com uma cadeira de praia, guarda-sol, e uma sacola nas mãos. Eu fico olhando para a senhora sem entender nada, ainda com a menininha linda no meu colo. A senhora encara, provavelmente o seu filho, até ele fechar o portão de casa. - Me desculpe, eu fiz algo de errado?.- pergunto para ela sem entender o que está acontecendo. É tudo muito confuso pra mim. A senhora pisca os olhos por um momento com a testa enrugada, mas depois parece se recompor. - Não minha querida, é que você é a cara da mãe da Iza.- a senhora diz, e ela parece está um pouco assustada.- mas não é como se lembrasse ela, você parece ser ela.- ela diz convicta, e eu sorrio. - Nossa, sério? E cadê ela, será que somos gêmeas?.- eu brinco tentando descontrair a situação esquisita que ficou, mas o rosto da moça parece se contrairainda mais. - Ela faleceu há quase um ano.- ela responde, e eu engulo seco na mesma hora. A minha cara vai ao chão, e eu fico sem saber o que dizer a ela. - Meu Deus, me perdoa, eu sinto muito.- fico completamente sem graça, e o meu coração esquenta em pensar que esse serzinho tão pequeno, já vivenciou uma dor desse tamanho. Agora entendo a reação do rapaz - Não podemos dizer nem que é uma reencarnação, pois não tem como, você já tinha uma vida quando ela se foi, mas parece que estou a vendo aqui novamente.- diz a senhora me encarando como se eu fosse um fantasma, e eu fico sem graça novamente. Olho para as pessoas que também parece estupefatas com toda a situação, tentando achar algo sensato para dizer, porém, nada inteligente vem a minha mente no momento. - Que loucura.- Emma diz do nada, e o tom que ela fala, acaba saindo engraçado, e todos nós damos risada daquela situação esquisita que ficou.
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