Angelina
A situação ficou um pouco estranha até Emma resolver descontrair, mas eu ainda estou um pouco atordoada com o que aconteceu, ainda mais com as olhadas daquele homem em mim.
- Pode sentar aqui.- minha madrinha dá uma cadeira para a senhora que ficou, e ela se senta, ainda me encarando, parece tentar descobrir se eu era mesmo real, ou apenas uma imaginação sua.
- Me desculpe ficar te olhando assim querida, é que ainda estou impressionada com tamanha semelhança.- ela diz imersa aos pensamentos, talvez lembranças e saudades…
- Seu filho deve estar com a cabeça a mil pelo jeito que saiu daqui.- Minha Madrinha diz, e a moça concorda com sua observação.
- Com certeza, nem imagino o que está se passando na mente dele agora. Emily faleceu em um acidente de carro, foi um choque muito grande para todos nós. Até hoje estamos tentando assimilar o que aconteceu naquele dia.- ela tenta explicar a reação do filho, e consigo ver seus olhos triste.
Não posso imaginar como deve ser perder alguém tão próximo assim. Deve ter sido horrível para ele, e ainda mais para essa bebezinha tão pequena em meus braços.
- Eu entendo.- digo a ela me sentando na cadeira ao lado da minha madrinha, e sentando a pequena em meu colo.- Então, você é a Belinha?.- pergunto sorrindo para a menininha, mas ela me encara, provavelmente muito confusa.
Consigo sentir seu coraçãozinho bater tão forte, que chega a me assustar.
- Meu Deus, estou ficando com medo dela passar m*l, o coração dela está muito acelerado.- falo com a mão na altura do seu acelerado coração e ela deita a cabeça no meu peito.
Eu a abraço apertado, tentando de alguma forma, acalmar a garotinha.
- Não era pra menos, imagina a cabeça dessa criança agora gente.- Abgail diz compreensiva.
- Me desculpe.- peço para a avó dela, sem saber o que fazer. Não queria causar isso a ela.
Sua vó me olha com compaixão e sorri para mim.
- Minha filha, você não tem culpa alguma, já já ela se acalma, deve foi um choque.- diz.- se para mim já foi, imagina pra esses dois.- ela me dá um olhar tranquilizador.- não se preocupe, o pai dela é médico, e ele sabe o que fazer se ela passar mal.- argumenta ela e eu levanto minhas sobrancelhas em surpresa.
- Nossa, que legal.- digo com admiração.
- E ele é médico de que?.- minha madrinha pergunta também surpresa e curiosa.
- Ele é neurocirurgião.- responde a senhora toda orgulhosa do filho.
- Caramba, arrasou.- diz a Linda contraindo os lábios e balançando a cabeça.
- Poxa, e ele é novinho né?.- Abigail pergunta abismada.
- Sim, quando começou nos cursinhos, ele ainda tinha uns 15 pra 16 anos. Sempre foi o sonho dele se tornar médico, Marcelo estudou muito pra isso.- ela explica enquanto nós a observamos atentamente.
Nesse momento, o Marcelo abre o portão branco de sua casa, e sai de lá de banho tomado, um short molinho azul escuro, uma blusa de manga justinha no corpo da mesma cor, que desenha perfeitamente todos os seus músculos bem definidos. Ele parece comer academia. É todo musculoso, porém, não chega a ser uma coisa feia de se vê, até eu que nunca fui fã de homem muito musculoso, estou adorando olhar para ele.
Ele caminha lentamente, sem dizer absolutamente nada, quando para na minha frente, estica o braço em minha direção, com um celular nas suas mãos, enquanto me olha com expectativa, sem dizer uma palavra. No começo, eu fico meio sem entender o por que dele está me dando aquilo, mas, mesmo sem conseguir se comunicar, entendo que muito provavelmente, ele possa está querendo me mostrar algo no aparelho.
Pego o celular de sua mão, sentindo seus olhos atentos sobre mim. Olho para a tela do aparelho, e a primeira coisa que vejo me surpreende em vários níveis diferentes.
É a foto de uma mulher!
Ela está vestida com uma calça pantalona bege e uma blusa de estampa em tiras marrom, preta e branca.
- p***a!.- solto um palavrão sem querer, mas me lembro da presença da criança em meu colo, e automaticamente tampo minha boca com a mão livre.- sou eu aqui.- sussurro de boca aberta completamente assustada com a imagem em minhas mãos.
Realmente, é como se fossemos gêmeas, unidas pela mesma placenta.
Somos idênticas!
Meu Deus, chega ser assustador, é como se fosse a mesma pessoa. Isso é assustador! A única coisa que nos diferencia um pouco, é porque ela tinha o cabelo liso ate o ombro, e o meu é enrolado ate a cintura.
- Deixa eu ver.- minha madrinha pede com as mãos esticadas.
- Também quero ver.- todo mundo fica curioso, e eu continuo olhando para a foto, boquiaberta.
Deslizo meu dedo na dela para o lado, e surgem várias outras fotos, onde eu fico ainda mais chocada com a semelhança.
Entrego o celular para minha madrinha, e fico olhando para ele de boca aberta, sem acreditar que existia alguém com a mesma aparência que a minha todos esses anos, e eu nem ao menos a conheci.
- Nossa, quantos anos ela tinha? Onde ela nasceu? Quais são os nomes dos pais dela?.- minha madrinha pergunta assustada, ainda olhando para as fotos.
- 27 anos.- o rapaz responde sem romper o olhar do meu.
- Não eram gêmeas então.- Emma diz olhando as fotos.- caramba, parece a mesma pessoa. São sósias.- ela concluiu.
- Ela não largou você ainda?.- o cara parece ter tomado coragem para finalmente dirigir a palavra a mim. Mas faz isso exatamente do nada, ignorando todos as outras pessoas atônitas nos encarando.
- Não.- sorrio.- o coração dela estava muito acelerado.- conto alisando a mãozinha dela com carinho, realmente curtindo a nossa proximidade.
- Filha, vem tomar banho com o papai?.- ele a chama, mas a garotinha balança a cabeça negando.- você não queria comer marshmallow derretido na praia? Como vamos fazer isso se você não for tomar banho?.- ele tenta convencer a menina.
- Papai, eu quero que ela coma também.- ela diz levanta a cabecinha por fim, e aponta seu dedinho para mim.
O rapaz me olha desconcertado, e respira fundo ao ficar roxo novamente.
Será que ele é tímido? Ou é só por essa situação bizarra que ele ficou assim?
- Izabela, a moça tem mais o que fazer minha filha.- ele diz todo sem graça.
- Eu nunca comi marshmallow derretido, eu posso provar com você, mas só se você ir tomar banho com o seu papai.- eu a incentivo, e ela se anima.
- Tá bom papai, mais não lava o dodói.- pede com um pouco de manha, e pela primeira vez, vejo aquele homem relaxar, e quase solta um sorriso de lado.
- Tudo bem, agora vamos lá.- ele diz pegando a filha do meu colo, e quando chega perto do meu rosto, nossos olhos se penetram.
Sinto como se eu fosse ter um derrame cerebral nesse exato momento.
- Me desculpe.- ele pede, e eu só consigo balançar a cabeça com a respiração presa na garganta.
Seus lábios estão bem perto do meu. Ele olha os meus entre aperto por um momento, e depois volta a olhar em meus olhos novamente.
Jesus!
- Não tem problema.- digo quando ele se afasta um pouco, e eu consigo respira novamente.
- Me desculpe pessoal, eu fiquei muito confuso.- ele pede ainda meio sem graça, já com a filha nos braços.
- Nada, que isso, a gente viu a foto e entendemos bem que deve ter sido perturbador para vocês.- Abgail diz o tranquilizando.
- Sim, bastante.- ele tenta não me encarar novamente.- A gente tem o costume de fazer uma fogueira pequena na praia para queimar uns marshmallows, se vocês quiserem se juntar a nós, será um prazer, vou apenas dar um banho nela. Seria bom se as crianças fossem, Iza ia gostar bastante.- ele sugere e todos concordamos.
- Claro que sim, deve ser legal.- minha madrinha fala, e ele balança a cabeça ainda um pouco sem jeito.
- Tá bem, nós já voltamos então.- ele me olha uma última vez, e então se vira, em direção a sua casa.
- Seu celular.- eu grito com o aparelho em minha mão, e ele vira pra me encara.
- Você me entrega depois.- diz, e eu quase viro um tomate de tão vermelha que fico.
Parece que acabei de virar uma adolescente, que conheceu um cara muito bonitão na escola, e ele falou comigo pela primeira vez. Santo Deus!
A mãe dele, muito simpática por sinal, continuou conversando com a gente no portão, contando suas histórias, coisas de quando o filho era criança, e suas historias de família. Mesmo com toda aquela conversa, eu ainda me sentia muito impressionada com tudo que aconteceu. Estou um pouco confusa também, uma sensação estranha dentro de mim. Mas com o passar do tempo, vou ficando mais a vontade, e me esforço para esquecer aquela sensação estranha que incomodou meu peito, desde que me perdir nos olhos daquele homem.