Capítulo 9

1607 Palavras
Marcelo Foi assustador! Ver aquela mulher ali, parada bem na minha frente, me deixou completamente apavorado. Minhas mãos começaram a suar frias, minha mente entrou em conflito com meus sentimentos, e toda a minha coordenação motora foi perdida. Naquele momento, eu não sabia se falava com ela, se saia correndo, ou se somente a admirava. Não sabia se aquilo era um presente, ou uma penitência. Ela é a copia perfeita da minha esposa! Como isso é possível? É o mesmo rosto, a mesma boca, o mesmo jeito de falar, de se mover. O gesto que faz com a boca quando está envergonhada, Jesus… Porém, a intensidade dos olhos dela era diferente. Eu não sei, estou confuso. Foi como vê Emily viva, bem na minha frente cassete! Mas foi estranho, o que eu senti vendo aquela mulher, eu jamais havia sentido em toda a minha vida. Foi como se eu tivesse congelado, ou tivesse flutuando. Como se meu coração parece, ou tivesse sido atingido por um raio… Estou ficando louco! O jeito como aquela mulher me olhou, pareceu que o mundo tinha parado de girar naquele exato momento. Sim, talvez, muito provavelmente seja porque elas são idênticas, mas... não sei, sinto que não é só isso. Acho que Deus deseja me punir de alguma forma, talvez ela seja o meu castigo. Olhar para ela me faz lembrar tudo que aconteceu. Eu perdi totalmente os sentidos quando a vi carregar Izabela nos braços. p***a, foi demais para mim. Deus só pode está querendo me matar! O jeito como ela envolveu minha filha em seus braços, e a forma que as duas se abraçaram, para mim foi o fim, precisava sair dali o mais rápido possível, antes que eu desmoronar-se no meio de todas aquelas pessoas em minha frente. Foi sufocante o que eu senti, foi algo fora do normal para mim, eu nunca senti algo tão forte em toda a minha vida, como se tivessem me tirando do chão. Reconheço que senti medo de ficar tão vulnerável assim, ainda mais a uma pessoa que tinha o rosto tão familiar, e ao mesmo tempo que é uma total desconhecida para mim. Quando cheguei dentro de casa, corri para o banho, e ali dentro, sozinho com as minhas dores e lamentos, incertezas e inseguranças, eu consegui libertar minhas lágrimas. Eu chorei de saudades da minha mulher, chorei de desespero por não saber o que estava se passando dentro de mim, chorei com o calor do meu coração, e chorei de raiva. Raiva por não conseguir controlar minhas emoções, e parecer um homem frágil na frente de pessoas que eu acabei de conhecer. Realmente esqueci o sangue r**m de merda que corre em minhas veias. No final, consegui me desculpar pela maneira que reagi a presença dela, pois eu sei que essa menina não tem culpa por ter a cara de Emily, e a minha reação acabou a assustando também, eu não queria ter feito isso a ela. Decidimos ir todos para praia comer marshmallow, e tirar de vez todo esse m*l entendido entre nós. Eu sabia que uma hora ou outra, se talvez, ela tiver algum parentesco com a minha esposa, eu irei descobri. Izabela falou o tempo todo dessa mulher enquanto tomava banho, e o meu receio, era que ela confundisse as coisas em sua cabecinha frágil e inocente. - Filha, escuta o que o papai vai te falar agora.- eu chamo sua atenção, e ela olha para mim seria.- aquela moça que está lá na rua, não é a sua mamãe, elas são parecidas, muito parecidas, mas não são a mesma pessoa.- tento fazer com que ela entenda isso, mesmo eu mesmo não entendendo nada. - Ela não é a mamãe, papai?.- Iza pergunta segurando seu patinho de banho. - Não filha, sua mãezinha está no céu, lembra?.- pergunto enquanto penteio o cabelo dela, e ela balança a cabeça. - Mas papai, a mamãe que tá lá no céu, só foi minha mamãe porque a minha mamãe de verdade não podia ser. Aí, a mamãe veio do céu pra me trazer pra ela.- Bela manda essa do nada, me travando completamente. - É o que Izabela?.- pergunto atônito, ofegante e assustado, sem acreditar que ela acabou de me dizer uma coisa dessas. Meu coração fica pequeno.- repete pro papai entender o que quis dizer.- eu peço quando ela me olha, ainda brincando com seu patinho.- filha, repete pro papai.- quase suplico encarando ela. - Papai, eu quero comer marshmallow.- ela diz toda aleatória. Eu continuo a encarando, achando que estou começando ficar realmente maluco, alucinando. - Tá bom meu amor, o papai já terminou de arrumar seu cabelo, vamos lá.- coloco ela de pé. Vou até a cozinha, pego os marshmallows americanos que comprei da fini, e coloco eles em uma sacola grande. Procuro pelo carvão, e o encontro do lado de fora na área de lazer da casa. Pego a churrasqueira que comprei especialmente para isso. Ela é pequena, redonda, com as paredes cumprida, e isso impede que o vento atrapalhe as chamas. Tiro a grelha, coloco o saco de carvão dentro dela pra facilitar o manuseio, e chamo Izabela para sairmos de casa. Me sinto como um adolescente, ansioso para ver aquela garota novamente. Acho que nunca tinha me sentido assim antes, nervoso, com o coração acelerado. Nunca fui um cara tímido, mas com ela as palavras não queriam sair da garganta. Quando saio no portão, todos ainda estão conversando na calçada, e eu vou chegando atrás da minha mãe devagar. - Mãe, tem que pega as cangas pra forrar no chão, os potes com o biscoito, e as varinha.- tenho que avisa-lá, já que ela não levantou para nada depois que saiu da praia. Percebo que a jovem, a que é o clone da minha esposa, não está mais sentada em seu lugar, e isso me deixa ainda mais ansioso. Onde será que ela foi? - Oh meu Deus, perdi a noção do tempo aqui conversando.- ela diz e eu fico satisfeito. Minha mãe praticamente só conversa com a dona Elizabeth, e as duas não tem muito assunto novo para trocar. Ver ela assim descontraída com pessoas novas, é bom demais.- vocês vão com a gente?.- ela pergunta para o pessoal. - Vamos sim, deixa a gente só se organizar aqui.- a moça mais fortinha se levanta da cadeira, e todos eles se levantam também. - Tá bom, eu também vou pegar algumas coisas lá dentro, enquanto isso Marcelo, você vai se acomodando por lá.- pede minha mãe, e eu concordo. Vejo a mulher que me deixou embasbacado, sair de traz do portão com uma canga nas mãos, um casaco, e uma garrafinha de alguma bebida. Eu fico a encarando impressionado, e o pior, é que eu não consigo nem disfarça a minha cara de pamonha. - Nossa, como você está linda.- ela diz para a Iza, e meu coração acelera como um cavalo galopante.- Aqui.- ela diz, estendendo a mão em minha direção para entregar o celular. Eu pego o aparelho de sua mão, olhando em seus olhos, sentindo eles me queimarem. p***a! Ela dá a mão para a minha filha, a girando, e Izabela fica sorrindo toda boba por ter sido elogiada. Por agora, só ela sai da casa, e eu começo a ficar nervoso em imaginar que ficarei a sós com ela e minha filha. - Só vem você?.- eu consigo perguntar e ela concorda. - Sim, eles vão vir depois.- ela responde tentando não me encarar muito, provavelmente com vergonha do jeito que eu a observo. O pior, é que eu não consigo controlar. Caminhamos lentamente para a praia, e as duas vão em minha frente, brincando e dançando alguma coisa que não faz sentido para mim, e é surreal. Fico aproveitando para reparar mais ainda na garota e começo a perceber algumas coisas que a diferencia de Emily. Por exemplo o cabelo, o cabelo dela é bem preto, longo e enrolado. Mas cedo, ele estava molhado e escorrido, e agora está seco e cheio. É o cabelo mais lindo que eu já vi. O corpo delas também não são parecidos, ela é mais baixa que Emily, e tem as curvas bem mais evidentes, cintura fina, quadril um pouco mais largos, e uma bundinha bem redonda. Sua pele morena e bronzeada é tão sexy que me faz perder o fôlego. Emily era branca, cabelos castanhos claro ondulados na altura dos ombros, e mesmo com a aparência idênticas, eu consigo sentir que são pessoas totalmente diferentes agora. Chegamos a praia, e eu começo a montar a churrasqueira, elas esticam suas cangas, e a garota endireita o casaco da minha filha, achando que ela está sentindo frio. - Daqui a pouco ela pede pra tirar, ela não para.- eu digo enterrando a churrasqueira na areia. - Sério? Mas está frio.- ela protesta, preocupada com a minha filha. - E criança sente frio?.- pergunto a encarando com um meio sorriso. - É verdade.- ela sorri de volta, e meu mundo para naquele estante. Acho que acabei de me apaixonar por essa mulher. - Qual o seu nome?.- pergunto hipnotizado por aquele sorriso. - Angelina.- ela diz envergonhada. Angelina. Angel… É um anjo… O meu anjo! p**a que pariu. - O meu é Marcelo.- limpo minha mão, e estico em sua direção. Seu aperto é delicado, e me causa arrepios. - Eu sei.- ela sorri tímida, e eu balanço a cabeça. - Minha mãe deve ter contado toda a minha vida, não é?.- arrisco mais um pequeno sorriso de canto, e ela concorda. - Quase isso.- diz ela me observando acender o fogo de longe.
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