Capítulo 10

1193 Palavras
Angelina Nós três ficamos assim, eu sentada brincando com a Belinha, tentando não encarar seu pai por muito tempo, pois o olhar dele me deixa quase dormente. Porém, ele ficou em silêncio a maior parte do tempo, concentrado em fazer suas tarefas, ou tentando, da mesma forma que eu, não deixar o ambiente estranho. Quem olhar para nós agora deve pensar que somos uma família. Um casal e sua pequena filha. É até assustador pensar assim. A mãe dele logo chega com uns potes de biscoitos, alguns morangos, uvas e nos oferece um pouco. A única de nós que aceita é a Belinha. Ela vai logo sentar mais perto da avó, só para atacar as frutinhas. O pessoal da minha madrinha também vão chegando. Abgail, Emma e minha madrinha com cadeiras de praia, Noah, Linda e Olívia com cangas. Noah vai para perto do Marcelo o ajudar com alguma coisa, e as meninas vem para o meu lado esticar as cangas. A gente faz uma rodinha em volta da fogueira de churrasqueira, e começamos a conversar coisas aleatórias. Um conta uma história, umas engraçadas e outras nem tanto assim, tentamos contar piadas também, mas sempre alguém não conseguia entender. O tempo está agradável, não está ventando tanto, e até o frio está gostoso hoje, não sei se é por causa do fogo, mas o clima está uma delicia. - Quem quer marshmallow?.- Marcelo pergunta, e as crianças são as primeiras a gritar. Todos nós provamos o tal do marshmallow e somente Abgail e Noah que não gostaram muito do gosto, mas o restante adorou. Eles nos ensinaram como deixá-lo no ponto, e como comer com biscoito, mas é claro que também provamos ele puro. Dona Beth também trouxe um maravilhoso empadão, que estava divino. A massa derretia na boca, e nós comemos revirando os olhos. Minha madrinha, Abigail e dona Anahi parecem que se conhecem de longa data, e isso torna a conversa delas bastante agradável. Nossos vizinhos nos conta também um pouco de suas vidas. Eles conta que o avô do Marcelo construiu seu império aqui no Brasil, assim quando chegou da Itália e o pai do Marcelo o fortaleceu ainda mais, não só aqui, como na América, com sua inteligência e determinação. Eles contam como foi os estudos do Marcelo, que além de empresário, e médico, também é ex combatente das forças armadas dos Estados Unidos. Uall!! É fascinante escutar ele falando, o homem é muito inteligente, e por mais que diretamente para mim ele possa ter mostrado um pouco da sua timidez, bastou dá a oportunidade para ele, e o cara soube mostrar o quanto é encantador. Eu fico fascinada por sua história de vida, mesmo sendo de uma família muito rica e prestigiada, ele quis correr com suas próprias pernas. - Eu fui para guerra no Afeganistão, muitas das vezes achei que não voltaria vivo de lá. Vi meus amigos morrerem sem ajuda médica, e a vontade de terminar o meu curso de medicina só aumentava. Então, quando sai da Marinha, retomei meus estudos na área. Fiz quatro pós-graduação, duas residências, e tive a certeza de que era aquilo que eu queria fazer na minha vida.- ele conta com muito amor pela profissão, e me deixa hipnotizada. Tem tanto orgulho em suas palavras, que me fazem pensar em quantas coisas ele teve que passar para chegar até aqui, mesmo tendo uma vida privilegiada, ele realmente deveria ter orgulho do que faz, medicina não é pra qualquer um, tem que ter dom. - Quando Marcelo saiu da Marinha foi um período muito difícil para ele, as coisas que ele viu lá, deixaram sua cabeça um pouco perturbada. Ele voltou muito mudado, frio, parecia que não tinha mais humanidade nele, não sei explicar.- dona Anahi conta. Eu observo o Marcelo que mantém a cabeça baixa, enquanto mexe na areia com um pequeno graveto, e sua mãe continua a dizer. - Ele voltou decidido que tinha que salvar vidas de qualquer jeito, e acabou se jogando de cabeça na medicina.- termina ela com um pesar na voz, porém com muito orgulho pelo filho. - Eu imagino quantas coisas ele teve que passar por lá.- minha madrinha observa, também muito interessada na história. - É porque a Marinha lá de fora não é igual a daqui. Lá eles vão pra guerra de verdade, fica de frente com terrorista, enfrenta bombardeios. Marcelo viu amigos sendo despedaçados por bombas, eu ficaria aterrorizada, tinha medo de não ter meu filho de volta.- dona Anahi diz com muita angústia na voz, e meu peito se aperta. Imagina o desespero de ver alguém que se tornou família para você sendo partido ao meio? Deus me livre! Marcelo fica a maior parte do tempo com a cabeça baixa e quando levanta seu rosto por um momento, sua feição é séria, e posso dizer que até amedrontadora. Me pergunto as coisas que esse homem presenciou, e também do que foi capaz de fazer com os inimigos. - Foi difícil para ele colocar a cabeça no lugar, ele estava emendando uma residência atrás da outra, plantões em cima de plantões. Marcelo não dormia mais, parecia um zumbir. Até que conheceu a mãe da Iza.- diz dona Anahi com carinho, e não sei porque isso me afeta um pouco. Marcelo disfarçar e olha em minha direção, mas eu não consigo o encarar agora. Acabo virando o rosto para o mar n***o em minha frente. - Ela o ajudou a organizar a vida, e também seu tempo. Acalmou o desespero que estava dentro dele, e de presente nos deu a Izabela, que é uma benção em nossas vidas.- ela sorri olhando para a menininha linda brincando de areia, e eu não consigo deixar de sorrir, olhando para ela também. Eu já sinto um carinho tão forte por essa menina, parece que já há conheço a muito tempo, como se fosse da minha família, tipo uma sobrinha, não sei dizer, é como se eu tivesse a reencontrado. Por outro lado, eu também sinto isso com Marcelo, só que com ele é diferente, sinto uma vontade de ficar ao lado dele, falar com ele e isso me assusta de uma tal maneira, que eu nem sei explicar. Parece que ele pegou meus pensamentos e escreveu seu nome. Desde o momento em que bati meus olhos nele, eu não consigo mais pensar em outra coisa. Por um momento, os nossos olhos se encontram, e o mundo parece sair do eixo. Escuto as vozes das pessoas conversando e trocando experiências ao nosso redor, mas minha atenção é somente dele. Ele me prende em seu olhar firme, minha respiração fica um pouco desregulada e mesmo com a pouca iluminação da noite, consigo ver quando suas íris parecem pegar fogo. Santo Deus! No que será que está pensando? Minha pele se arrepia, e eu não aguento mais, tenho que desviar o olhar para não cair no abismo azul que são seus lindos olho, e me perder de vez. O que está acontecendo comigo meu Deus? Como esse homem conseguiu fazer essa grande bagunça na minha mente? Estou ficando louca! Só pode ser isso!
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