Capítulo 12

2408 Palavras
Marcelo Quase não consegui dormir direito essa noite, o dia de ontem foi para se guardar na memória. Eu conheci a pessoa mais intrigante de toda a minha vida. Aquela garota tem a aparência da minha esposa, mas, além da aparência física, elas são pessoas completamente diferentes. Ela é doce, sincera e inocente, talvez a determinação e a inteligência seja mais um ponto em comum entre as duas. Mas aquele olhar… Porra*, que olhar! O jeito dela me encantou. Sua timidez me fez sentir coisas que não me lembro ter sentido antes, me deu vontade de abraçá-la e beija-lá por horas. Porra!* E aquela boca? Meu p*u* chega a doer só de lembrar. Foi difícil me controlar perto dela, eu parecia um adolescente com hormônios transbordando por todos os poros do corpo. Não sei o que aconteceu comigo, mas fiquei diferente quando estava ao lado dela. Fiquei fascinado, não queria que fosse embora para longe de mim. Eu poderia ficar dias ouvindo o som da sua voz e olhando para aquele rosto lindo. Merda! É o rosto da Emily. Mas aqueles olhos não. Definitivamente não!Foi f**a! Tive vontade de nunca mais sair de perto dela, isso tudo me deixou muito nervoso e tímido pra cassete. Na verdade, ela me fez sentir coisas que jamais imaginei sentir antes. Eu conheci essa mulher apenas algumas horas traz, e não consigo mais tirá-la da mente. Nós conversamos até o dia amanhecer, e se não fosse seu medo das pessoas pensarem besteira, eu ficaríamos ao seu lado até o outro dia. Eu não queria deixá-la ir! Acho que nunca me abri daquela maneira com ninguém antes, nem com Emily. Eu nunca senti dificuldade de mentir sobre o que faço na organização, como senti ontem a noite, minha garganta chega fechou. Quando minha mãe reproduziu as histórias que eu contava sobre o meu tempo na Marinha, tudo aquilo era verdade, eu vi amigos morrendo todos os dias, sofrendo com feridas, e uns até hoje não se recuperaram. Porém, o que me fez mudar mesmo de fato, foi a organização. A frieza que eu tinha que lidar com as minhas emoções me fizeram ser diferente, eu tive que colocar o coração na sola do pé, e cumpri com o que esperavam de mim. - Você gostou da garota não foi?.- minha mãe pergunta observadora, enquanto tomamos café na cozinha. - É tão óbvio assim?.- pergunto bebendo meu café, sem a encara-lá de volta. - Nunca vi você olhar daquele jeito para nenhuma outra mulher meu filho, talvez apenas para Emily, mas de um jeito diferente.- ela indaga pensativa, e eu suspiro. - Não sei não mãe, foi estranho, talvez seja a aparência idêntica com Emily que tenha me intrigado, eu não sei.- confesso confuso, mesmo acreditando no fundo que não foi apenas isso. Aquela menina realmente me encantou, não só pela aparência física, mas pelo seu jeito tímido. O jeito como suas bochechas ficavam vermelhas quando eu a elogiava, o olhar que parecia ver a minha alma, o jeito como jogava seu cabelo por cima do ombro, como desviava o olhar quando a nossa conexão era insurportável. - Mas e a menina do telefone?.- minha mãe me tira dos meus pensamento e eu enrugo a testa. - Que menina? - A que você estava falando na praia hoje cedo, Marcelo.- ela faz a pergunta que tanto queria fazer, e eu me lembro de Mikaela. Com toda essa confusão dentro de mim, eu tinha me esquecido dela. Porra*, não é querendo desmerecê-la, mas Mikaela não chega aos pés de Angelina. - Isso nem se compara.- respondo com firmeza. - Talvez possa ser mútuo.- ela diz bebendo seu café, e eu sorrio pelo nariz incrédulo. - Angelina é comprometida mãe.- respondo com um desgosto na voz, maior do que eu gostaria de admitir. Sinto minha boca amargar. - E o que que tem? O sentimento é algo que pode não ser fiel, ainda mais se você for a alma gêmea dela.- minha mãe diz, e eu rolo meus olhos. Estava demorando… - Pelo amor de Deus mãe, não existe essa coisa de alma gêmea.- digo descrente dessa baboseira de cartomante, e ela balança a cabeça torcendo os lábios. - Você tem muito o que aprender ainda meu filho, o que eu vi ontem foi algo que conheço muito bem.- ela insiste, e eu escolho não dizer mais nada sobre o assunto. - Estou pensando em convidá-los para a casa de Arraial, o que acha? Ficamos pelo menos dois dias lá, eles ainda não conhecem o lugar.- proponho, e vejo um sorriso radiante surgir em seus lábios. - Acho uma ótima ideia.- responde animada me encorajando. ◆◆◆ Mais tarde, quando Izabela final finalmente acorda de seu soninho, dou a ela o café da manhã, e a levo junto comigo na casa dos nossos vizinhos. Pretendo convida-los para a nossa casa em Arraial, e estou levando minha filha para me da coragem. Chego no portão deles, e o senhor mais velho está em pé na varanda, descansando o corpo em uma das pernas, com uma mão na cintura, enquanto observa o poço artesiano com a bomba d’água ligada.Vejo que a porta da sala está entre aberta, e á uma movimentação do lado de dentro dela. Talvez o pessoal esteja reunido tomando café. - Bom dia.- chamo atenção dele. - Bom dia rapaz.- ele vem me cumprimentar simpático. - Quer ajuda com alguma coisa aí?.- pergunto um pouco alto pelo barulho que a bomba d’água faz. - Não, não. Finalmente consegui fazer essa danada pegar.- diz ele coçando a cabeça, e acaba me fazendo rir. - Ótimo. Eu queria saber se vocês tem planos para hoje?.- pergunto ainda com a Iza nos braços, e ele chega mais perto para me ouvir melhor. - Bom, acho que o pessoal estão querendo fazer um churrasco pro almoço.- ele endireita o boné do Brasil na cabeça enquanto fala. - Eu e minha mãe estamos indo pra nossa casa em Arraial do Cabo.- começo a dizer.- queríamos saber se vocês estão a fim de nos acompanhar. Voltamos provavelmente amanhã mesmo, um pouco antes de anoitecer.- o convido, e ele parece se animar. - Arraial do Cabo? Poxa, seria uma boa. Espera aí um pouquinho.- ele diz abrindo o portão de madeira, me convidando para entrar. Atravesso a porta da varanda, andando até a sala, logo atrás dele. Todos estranham a minha presença no lugar, mas logo sorriem me convidado para sentar, me deixando á vontade. Izabela pede logo pra ir pro chão, e a menininha puxa ela para brincar com alguns brinquedos que estão no canto da sala. Eu olho disfarçadamente para todos os lugares, mas não vejo nenhum sinal da mulher que se tornou a dona dos meus pensamentos nas últimas horas. - Quer tomar café Marcelo?.- Elena, a madrinha da Angelina me pergunta. Eu n**o e agradecendo. - Eu acabei de tomar, obrigada.- respondo com um sorriso desconcertante, já preparando o terreno. - Onde está sua mãe?.- a outra moça me pergunta, acho que é Abgail o nome dela. - Está em casa. Ela me pediu para vir aqui convidar vocês pra nossa casa em Arraial do Cabo, vamos ir daqui a pouco para podermos almoça por lá. Voltamos amanhã mesmo antes do anoitecer, ou talvez podemos passar esse fim de semana por lá, se vocês quizerem ir.- digo que a ideia foi da minha mãe para não parecer mais estranho do que já é, e acabar ficando na cara que eu só quero passar mais tempo com a Angelina. Todos eles ficam muito animados, perguntam onde fica a minha casa, e quando digo que é na praia dos anjos, aí mesmo que consideram o meu convite. Olho para escada esperançoso, imaginando que a qualquer momento, a menina doce que levou a minha paz, desceria aqueles degraus. Eu poderia passar o dia inteiro plantado no pé daquela escada, só para vê-la descer por ali. Onde será que ela está? Será que não está em casa? Talvez ainda esteja dormindo. Contando com a nossa virada de ontem à noite, provevelmente ela possa está cansada. Espero! Por que eu me importo tanto com isso agora? Ela é noiva de outro cara, segura a sua onda. Combinamos tudo direitinho, o horário para chegarmos antes do almoço e podermos fazer o churrasco por lá. Quando deixamos tudo acertado, eu logo volto para casa, um pouco triste por não ter conseguido vê Angelina, mas satisfeito por saber que a terei mais perto de mim. Queria vê mais uma vez o sorriso tímido daquela garota, aquele olhar intimidador que me causa sensações inebriantes, jamais sentidas. Levo minha filha para casa, e conto a minha mãe que precisei usá-la como desculpa, e ela sorri divertida. Dona Anahi sempre me entende, talvez ela veja alguma esperança para mim no fim disso tudo. Eu não sei como é o relacionamento de Angelina com seu noivo, mas pelo que percebi, todos ali não se importaram com a nossa proximidade. Mesmo assim, ela ficou com receio dos julgamentos. Preciso saber mais sobre ela! ◆◆◆ Angelina Acordo ainda meio sonolenta, sentindo Olívia me sacudir de um lado para o outro. Abro meus olhos devagar, percebendo que ela está me encarando bem de perto, toda arrumada para sair. - Levanta Angel, a gente já vai sair daqui a pouco.- ela diz, e eu levanto a cabeça para encará-la melhor. - E para onde vamos?.- pergunto surpresa, ainda com movimentos lentos de sono.- O vizinho convidou a gente para ir em Arraial do Cabo.- ela conta animada, e meu sono vai embora na mesma hora. Ele veio aqui! Sorrio de orelha a orelha animada, e me levanto correndo, indo direto para o banheiro tomar um banho. A noite ontem foi muito agradável, passei a maior parte do tempo junto com ele. Isso foi uma sensação nova para mim, me sinto bem ao lado dele, e a expectativa de encontrá-lo novamente me deixa com borboletas no estômago. Acabo de me arrumar, coloco um conjuntinho lilás, deixo meus cabelos solto, e reparo que o dia está maravilhoso lá fora, ou o meu humor que está excelente hoje. - Bom dia.- digo quando desço a escada, e todos me respondem em uníssono. - Filha, toma seu café depressa, vamos sair daqui a pouco.- minha madrinha diz.- faz sua bolsa, talvez só voltaremos no domingo.- ela avisa. Caramba! Hoje é sexta-feira, se decidirmos voltar somente no domingo, iremos ficar dois dias por lá. Isso quer dizer, dois dias inteiros junto com o Marcelo. Muita coisa pode acontecer em dois dias… Tomo meu café animada, e logo depois escutamos o celular da minha madrinha tocar em cima da bancada da cozinha. Ela vai ao encontro dele, e me encara antes de atender a ligação. - É a sua mãe.- diz olhando para mim assim que pega o aparelho na mão, me deixando nervosa na mesma hora. Minha mãe ligando para minha madrinha? Será que acontecido alguma coisa por lá? Meu Deus, espero que não. - Alô.- ela diz ao atender o celular.- Oi Luana, tudo bem?.- eu fico prestando atenção em cada expressão do rosto dela.- sim, aqui também.- deixo o ar escapar quando vejo um pequeno sorriso em seus lábios. Nossa, eu já estava em cólicas aqui.- ela está aqui na minha frente, só um minuto.- diz minha madrinha, e estica a mão em minha direção.- ela quer falar com você.- diz me entregando o aparelho, e eu o coloco na orelha. - Oi mãe, bença.- peço a ela, indo para a varanda para ter mais privacidade. - Deus te abençoe meu amor, como está a viagem?.- ela pergunta com sua voz neutra. - Está ótimo mãe.- digo sem muitos detalhes. - Que bom querida, você perdeu seu celular?- pergunta com cautela. Reviro os meus olhos já imaginando do que se trata. Santo Deus, lá vem encrenca! - Não, eu só quero curtir o momento sem ter que me preocupar com os problemas de casa, mas é só porque não vou conseguir resolvê-los daqui, mãe.- explico a ela. - Eu entendo filha, mas é que o seu noivo está decidido em ir lhe buscar de qualquer jeito, disse que está tentando entrar em contato com você a dias e não consegue, ele vem aqui de dez em dez minutos desde ontem. Eu não queria encomendar você filha, mas fiquei preocupada dele chegar aí de surpresa e acabar armando alguma confusão.- ela conta se desculpando, e meu peito arde com sua declaração. Thomas e seus exageros. Ele falou comigo ontem meu Deus! Bufo revirando os olhos. Como sempre, ele anda cheio de suas paranóias, e agora também está perturbando os meus pais. Não posso ficar um minuto sem dar notícias que ele já começa a criar teorias absurdas em sua mente, e mesmo que eu nem tenha feito nada, nos acabamos discutindo por algo que ele mesmo imaginou em sua cabeça maluca. - Me desculpa mãe, ele deve está preocupado por não conseguir falar comigo.- me desculpo pelo constrangimento, que já virou rotina. - Não se preocupe filha, não precisa se desculpar, você fez o certo, você foi aí para distrair a mente, não para ficar discutindo por telefone. Só te liguei mesmo pois ele disse que iria te buscar, fiquei com medo dele de alguma forma estragar suas férias.- ela se explica e eu suspiro. - Tudo bem mãe, ele não sabe onde é a casa da minha madrinha, ele não vai vir aqui.- a tranquilizo. - Não sei não Angelina, ele parecia muito decido.- indaga preocupada. - Vou ligar para ele agora e explicar o que aconteceu, vai ficar tudo bem, eu amo a senhora.- digo me despedindo. - Eu também amo você minha filha, se divirta.- ela diz, e desligamos. Respiro forte com a antecipação da discussão que provavelmente vou enfrentar agora, e já fico nervosa. É muito difícil explicar algo para o Thomy, ele tem uma ideia de que qualquer coisa é sinal de que vou deixá-lo, e então, começa a fantasiar um monte de histórias absurdas em sua mente e acaba nos deixando em um limbo infinito de argumentos, e discussões sem sentido. Não querendo chamar a atenção das pessoas dentro de casa, então vou para a rua e disco o número do Thomas no celular da minha madrinha. Deus, me dê força e paciência para isso…
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