“ Existem três maneiras de fazer as coisas: Boas, ruins e como eu faço.”
Michael Corleone
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— Como assim, não tem a minha vaga?
— Senhorita, tente entender. Tivemos um cancelamento nos demais voos por causa da nevasca e precisamos realocar nossos passageiros e…
— E porque logo o meu lugar foi ocupado?
— Foi uma coisa aleatória e …
— Senhorita… — Hana olha para o crachá da mulher no peito e continua: — Thays, eu sou bailarina da companhia de Bolshoi e amanhã tenho uma apresentação importante, não posso faltar.
— Mas …
— Por favor, eu…eu faço qualquer coisa. Pago até a primeira classe, mas não me deixe sem entrar nesse voo. — Hana fala com os olhos marejados. A mulher suspira fundo e sorri dizendo:
— Deixe-me ver o que posso fazer por você.
— Obrigada!
A mulher começou a digitar no computador na frente dela e percebeu que tinha vários assentos disponíveis na primeira classe. Era a primeira vez que isso acontecia e sorriu satisfeita por poder ajudar a pobre garota.
— Hoje, parece que é seu dia de sorte! — Hana sorriu largo para a mulher. — Vou colocar você na primeira classe.
— E-eu pago por isso. A morena pegou sua bolsa e começou a abri-la, mas foi interrompida no mesmo instante pela mais velha, que disse:
— Fica por conta da companhia. Nos desculpe pelo inconveniente. – a mulher fala sorrindo largo. Hana sorri. Pega na bolsa um pequeno pedaço de papel e escreve um número e um nome e entrega para a mulher dizendo:
— Quando for para Moscou, e quiser ver uma apresentação do balé, telefone. – disse sorrindo.
Hana saiu correndo para o portão de embarque. Estava muito feliz por ter conseguido pegar o voo. Entregou o ticket e entrou no avião. Seu celular começou a tocar, e sorriu ao ver a imagem da amiga na tela. Sem hesitar, atendeu imediatamente:
— Ola, minha amiga. Pensei que tinha esquecido de mim.
— Ah, Hana deixa de ser dramática. Me conta, já está no avião?
— Sim, você não acredita que quase perco o voo?
Enquanto falava ao telefone, Hana se dirigia até a primeira classe. Não havia percebido que estava praticamente vazia, e que tinham apenas três pessoas no local. Se aproximou da cadeira e percebeu um jovem loiro muito bonito sentado. Ele parecia sério e surpreso em vê-la. Porém, Anastácia não parava de tagarelar do outro lado da linha. Sorriu para o homem e se sentou ao seu lado. Percebeu um moreno de cabelos longos, se aproximando com uma cara nada boa. Percebeu que o loiro levantou a mão, como se o impedisse de se aproximar. Ficou tensa, mas depois perguntaria a ele se o mesmo se importava que ela se sentasse ao seu lado.
— Anastasia, eu não posso mais conversar. O voo já vai decolar. A amiga não parava de falar do outro lado da linha. O homem loiro me observava atentamente. Podia ver o par de olhos azuis me fitando, por minha visão periférica e senti todo o meu corpo se arrepiar como nunca havia acontecido antes. — Amiga, eu realmente preciso, desligar, também, te amo. — Viro para o homem alto e percebo como ele é lindo. Sorrio novamente e digo:
— Er… me desculpe, é que minha amiga conversa demais. — Ele me olha intensamente. Isso não ajuda a diminuir as sensações que surgem no meu corpo.
—E-eu posso ir para o outro lado se você…
— Não. Pode ficar aqui. – a voz rouca e grossa dele me deixa arrepiada. Sinto os meus m*****s enrijecerem no mesmo instante, meu corpo todo se arrepia ao ouvir o som de sua voz. Sinto algo pulsar no meio das minhas pernas. – Por Deus, o que foi isso? – pensei.
— Tu-tudo bem. – digo sorrindo e ajeitando o cinto de segurança.
Odeio voar.
Pode parecer mentira, afinal, sou bailarina e sempre estamos dentro de um avião indo de um lado para o outro para nos apresentar. Mas é a primeira vez que faço isso sozinha. Fecho os olhos e sinto a aeronave decolar. Meu coração bate acelerado dentro do peito e engulo seco. De repente uma turbulência. Não hesito e me jogo nos braços do loiro misterioso.
— Deus, eu não quero morrer! – digo aninhada a ele.
Estou sentada no seu colo e seguro a gola de seu sobretudo, puxando o seu corpo grande e quente para próximo de mim. No primeiro instante, ele fica parado, mas, em seguida, sinto os braços fortes e quentes dele me envolvendo num abraço apertado. Coloco meu rosto na curvatura de seu pescoço, e sinto o perfume amadeirado gostoso que ele tem. Aquele perfume, o calor de seu corpo, e o toque singelo de seus dedos nas minhas costas, me tranquilizam.
— Uspokoites, vse budet choroso. (Se acalme, vai ficar tudo bem pequena…)
Me tranquilizo e o abraço ainda mais. sinto o corpo quente e forte me envolver de maneira carinhosa e cuidadosa. Mesmo o avião se movendo, não tenho medo. Era como se os braços daquele homem misterioso fossem o meu porto seguro. A turbulência passa e me afasto devagar. Ainda em seu colo, olho no fundo dos seus olhos azuis e fico o fitando por segundos. Por Deus como ele é lindo. Ele me encara com curiosidade. Ficamos sem dizer nada, apenas nos observando. O maxilar quadrado, a ausência de pelos no rosto, os lábios rosados, os piercings na orelha. Ele me fita com a mesma intensidade. Eu ficaria o dia inteiro olhando naqueles olhos, mas retorno para o meu corpo, quando vejo que estou sentada no seu colo. Me levanto no mesmo instante e digo corada:
— De-Desculpe eu…
— Tudo bem! – ele fala me olhando. Sorrio novamente e me sento na minha poltrona. Desvio o olhar e foco minha visão para frente. Percebo os dois homens m*l encarados me olhando curiosos e tensos, como se estivessem prestes a atender a um comando. Por Deus, analisando melhor, parecem aqueles mafiosos perigosos da Bratva. Resolvo fechar meus olhos, para tentar esquecer o que acabou de acontecer. Mas, sentir o seu perfume ao meu lado só me faz lembrar de como eu quis beijá-lo. – Hana por favor, se contenha. Me encolhi na cadeira e acabo adormecendo. Meu coração permanece tranquilo, como há muito. Como se eu estivesse segura… pelo menos, naquele curto espaço de tempo.