“Às vezes, a escuridão que vemos nos outros é apenas um reflexo da nossa própria sombra.”
Nikolai Romanov
— Pakhan o que deseja que eu faça com o material referente a garota ? – Indagou Alexandrovich Goncharov me testando.
Fito o maldito que sorri ladino aguardando as minhas ordens, respiro fundo virando todo o conteúdo do copo de uma vez na minha boca. O líquido desce queimando todo a extensão do caminho, mas eu não me importo. Durante esses oito dias, venho perseguindo a garota, observando cada passo que ela dá na sua rotina.
“Relatório:
Hana Krasnova
Idade, 18 anos.
Natural do Japão
Pai e mãe mortos.
Irmão e cunhada mortos em acidente misterioso.
Formação, Artes e Dança Contemporânea pela Universidade do Japão.
Bailarina profissional da Bolshoi Ballet Academy
Idiomas: Japonês, Mandarim, Inglês e Russo.”
Pego a fotografia da garota com os seus dezeseis anos nas minhas mãos, ela usa um uniforme padrão do seu país. O corte de cabelo apesar de parecer o mesmo atualmente é diferente, na foto ela se assemelhava a uma garota, mas hoje o seu corte tem um recorte sensual acompanhando a sua beleza e idade.
— Estou aguardando as ruas ordens Pakhan! – Alexandrovich insistiu, sorri com escárnio e respondi:
— Ainda não tenho total ciência do que eu quero, mas quando souber garanto que será o primeiro a saber Alexandrovich Goncharov. – Mentira, eu sei exatamente o que queria, porém não diria em voz alta. Tenho uma imagem a zelar e já me comprometi o suficiente mandando alguns dos meus homens seguirem a garota.
A rotina dela é simples, todos os dias ela acorda cedo, vai para o teatro onde faz o seu treinamento, depois retorna para a casa às dezoito horas.
Todos dias, sem exceção.
Tem momentos que eu tenho vontade de ir até aquele local e colocar a garota nos meus braços, mas isso seria humilhante o suficiente. Eu tenho terminado todos os meus dias enterrado em alguma das minhas putas na tentativa de esquecer o seu rosto, seu perfume, sua voz e a maciez da sua pele. Essa maldita bailarina entrou na minha vida para me destruir pouco a pouco, um dia de cada vez. Ela tem o dom de estar no meu pensamento quando acordo e é a última pessoa que penso antes de dormir no final do dia.
Isso não pode continuar desta maneira.
Não mesmo, ou isso será a minha ruína.
Após tantos anos construindo o meu legado, serei arruinado porque não consigo parar de pensar numa garota qualquer, uma bailarina ainda por cima. Se não fosse trágico e problemático, eu riria da minha situação. Observo a paisagem através da janela, o dia está frio como de costume, mas hoje parece que há algo de diferente no cenário, algo que me incomoda, mas infelizmente, não consigo compreender o motivo. De repente, a minha porta é aberta e o meu corpo automaticamente fica rígido.
— Entendido!
Maksin Pavlova diz a alguém do outro lado da linha no seu rádio. Observo o meu general adentrar o meu escritório a passos largos, o cretino sorri passando a mão pelos fios colocando-os para trás, dizendo em seguida:
. — Pakhan, temos um problema. Ou melhor, a sua garota!
✲ ✲ ✲
— Hana, que demora…
Ralhou a rosada debruçada no móvel dentro do vestiário feminino. A água escaldante escorregava pelo corpo miúdo. De olhos fechados, Hana sentia o seu corpo relaxar momentaneamente, a garota sorriu. Porém, por pouquíssimo tempo. De repente a sua mente começa a bombardear de flashes do momento ao lado do homem misterioso do avião. Pior, foram as imagens cravadas na sua mente dos sonhos eróticos que teve ao lado do mesmo. Como uma maldição essas imagens eram impostas por sua mente, uma mais vivida do que a outra. Rapidamente Hana abriu os olhos, precisava definitivamente se livrar dessas imagens. O desejo latente, a vontade insana de pesquisar sobre aquele homem nas redes sociais. Ele era apenas um homem ou uma divindade que se apossou do seu corpo? Não, ela não podia sentir isso. A sua vida foi transformada do dia para a noite devido ao desejo de um homem inescrupuloso, a garota não estava pronta para se entregar à alguém, pelo menos, ainda não.
— Hana! – Anastacia choramingou fazendo Hana sorrir.
— Já estou terminando, amiga… faz assim, me espera no carro.
— Ah… pelo visto pretende passar horas dentro dessa água. – Provocou Antonov. — Não me diga que está se tocando pensando no estranho, amiga isso tá ficando crítico.
– Anastasia ! – Gritou Hana vermelha dos pés à cabeça, Anastasia gargalhou do lado de fora.
— Você tem quinze minutos Hana, quinze minutos.
– OK!