Cap 11

933 Palavras
“O que nos torna humanos não é a capacidade de amar, mas sim a capacidade de destruir.” Anastásia é uma amiga muito especial, quando cheguei na Rússia, ela me acolheu desde o princípio. Ela era amiga da minha cunhada, e não hesitou em abrir a sua casa para me acolher. Depois do incidente envolvendo o meu irmão e a minha cunhada, ela decidiu que o mais seguro seria mudar o meu sobrenome e ficarmos juntas, uma protegendo a outra. Confesso que no começo foi difícil acreditar numa pessoa estranha, mas ela só me comprovou o contrário, e no momento mais difícil da minha vida, era ela que estava ao meu lado. Hoje, Anastácia é mais do que uma amiga para mim, é como uma irmã que a vida me deu. Moramos num pequeno apartamento no centro de Moscou, que fica a pouco tempo de distância do Teatro Bolshoi. Conversamos animadas todas as manhãs, viver com a rosada é simples, confortável e engraçado. Terminamos o nosso desjejum alguns minutos antes do habitual, fizemos a nossa higiene e deixamos o nosso apartamento seguindo a rotina até o teatro onde Bolshoi Ballet Academy tem a sua sede. — Por Deus Marjorie, não posso acreditar! — Exclamou uma das minhas colegas da companhia. Infelizmente não tenho muito contato com os demais, estou há dois anos aqui na Rússia e consigo perceber que algumas pessoas cometem atos xenofóbicos velados para não se indispor com a diretora da instituição que tem muito carinho por mim. Ela assim como Anastácia, acolheu-me e ajudou-me, devo muito a madama Irina, pois se não fosse por ela, eu não teria um lugar para me abrigar, não teria esse refúgio. — Ele é um amante voraz, eu quase não consigo levantar da cama hoje de manhã. Mas meninas cá entre nós… eu desejei imensamente que fosse o Pakhan entre os lençóis comigo. – Marjorie, enlouqueceu! – Advertiu a sua amiga com os olhos arregalados. — Não devemos nos envolver com esses homens perigosos. Graças a Deus você não foi selecionada pelo Pakhan, isso sim. – Repreendeu a morena de olhos azuis a Marjorie que se encolheu. Eu observava tudo pelo reflexo do espelho, ao lado de Anastasia que fingia não ouvir nada. — Já não bastasse você se envolver com um soldado da In Erganzug, você quer ser uma das putas do Pakhan? Enlouqueceu, você sabe que ele é um homem perigoso e sabe muito bem o que ele faz com as suas mulheres. — Suspirou fundo a morena. – Por Deus Marjorie, você não tem juízo nessa sua cabeça ? – Nossa amiga, quanto drama! – Rebateu a ruiva revirando os olhos. — Você conhece a fama dos homens da In Erganzug e pior do que eles, somente o Pakhan. – A morena engoliu seco, Marjorie se sentou no banco finalizando a amarração da fita rosa de cetim da sapatilha. Eu observava tudo minuciosamente, até que Anastácia chamou a minha atenção. — Que feito Hana, fofoqueira. – Sussurrou a rosada, eu a belisquei no ombro, a mesma riu fingindo ter doido. — Sobre o que elas estão falando ? O que é “In Erganzug” ? – Indaguei curiosa. Anastasia me encarou com semblante sério, aguardando as meninas se afastar, e começou. — Não gosto de ficar falando sobre a In Erganzug, mas você já sabe… nós já falamos sobre isso. Encaro a minha amiga buscando na minha mente lembrar do assunto. — A In Erganzug é como chamamos a máfia russa, isso já é o suficiente para você saber que esse nome remete a problema. Não podemos ficar falando sobre isso, as paredes têm ouvidos. – Disse Anastasia balançando o indicador em movimentos circulares. — Se algum dia você ouvir esse nome ou estiver diante dos homens do Demônio Vermelho, reze minha amiga e corra. — Eles são tão ruins assim ? Porque então a Marjorie estava falando sobre se deitar com um tal de Pakhan. – Anastasia riu e respondeu: — Desejo. Fama. Status… ele é o neto do antigo líder, digamos que ele é como um Dom, como da Cosa Nostra. – Assenti ajeitando a minha sapatilha, olho para o relógio diante de nós, faltavam apenas oito minutos para o ensaio começar. — Algumas garotas que já se deitaram com o atual Pakhan, tecem elogios ao mesmo, dizem que ele é um homem muito bonito e um amante voraz. Eu nunca o vi pessoalmente, mas pela descrição física ele provavelmente é um homem belo. – Assenti. — Talvez ele seja como o seu homem misterioso do avião. Alto, loiro com tatuagens no pescoço, que ironia do destino não ? – Dei de ombros me colocando de pé. — Eu nunca vi esse tal de líder da In Erganzug e espero nunca cruzar o seu caminho. Sabe Anastásia… estou fugindo de problemas e desde que vim do Japão, tudo que eu mais quero é dançar pelo resto da minha vida. Eu não quero saber de homens ou problemas, muito menos de Don’s da máfia… — Assim que se fala amiga! – Batemos a mão uma na outra. — Agora vamos deixar de falar sobre a In Erganzug, vamos nos concentrar na nossa próxima apresentação. – Assenti, caminhando ao lado da minha melhor amiga. Chegamos no salão onde ensaiamos todos os dias, a diretora fazia a leitura da peça e ditava os nomes das selecionadas para fazer o teste para o papel principal. “Anastacia Antonov.” “Marjorie Smirnov.” “Selena Fedorova.” “Theodora Ivanov.” “E por último, Hana Krasnova.”
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