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858 Palavras
Eva Não sei se a vida é maior do que a morte, mas o amor é maior do que ambos. (Tristão e Isolda) O barulho me animou, e achei que poderia me divertir um pouco. Passei no bar improvisado e peguei um refrigerante. Filipe e Alice chegaram quase que no mesmo instante. Isso realmente não iria dar certo, ficar no mesmo ambiente que os dois, ainda mais que agora alguns olhares começavam a voltar para nós três. Como eu não havia percebido antes? Todos estavam falando da traição das duas pessoas em que eu mais confiei. Coloquei o refrigerante em cima da mesa e fui para a saída. Estava esperando o táxi quando senti uma mão tocando meu ombro. Virei-me esperando ser outra pessoa, mas dei de cara com Filipe. Ele não desistiria mesmo, não é? — Você tem dificuldade em entender que não quero falar com você? — Sim, eu tenho dificuldade. Você não me deixou explicar. Afastei-me olhando irritantemente para o final da rua. — Olha, quando você viajou, depois da nossa briga... Ele realmente não iria me deixar em paz. — Você foi se consolar com a Alice e ficaram? — Não foi bem assim... — Vocês me fizeram passar por i****a. Acharam realmente que eu nunca iria descobrir? Filipe ficou calado, o que provava que ele esperava que a verdade nunca viesse à tona. — O que me deixa com mais raiva é que você estava agindo como se nada tivesse acontecido, aliás, os dois. Continuamos com nossos planos para a faculdade. O que aconteceu, por que não estão juntos? Não conseguiu nada com ela também? Eu e Alice havíamos combinado de perder a virgindade quando entrássemos na faculdade, em uma das festas, assim como nos filmes americanos. Vi uma sombra passando por seus olhos e então vi a verdade neles. Levei minhas mãos a minha boca para conter meu espanto. — Eu não acredito que... Eu odeio vocês... — Eva, aquela noite não significou nada para mim. Nós nos arrependemos no momento que passou. — É tão fácil falar agora que já descobri a verdade. Um namoro de cinco anos nunca significou nada para você? Filipe tentou se aproximar, mas eu me afastei. — Podemos superar isso tudo e seguir em frente com nossos planos. — Não existem mais nossos planos. Existe os meus planos e você não está neles. Finalmente vi o táxi se aproximar e me aproximei, sinalizando para o carro indicando minha presença. — Eva, eu amo você. — Se realmente me amasse, não teria dormido com minha amiga e depois agido como se nada tivesse acontecido. Quando abri a porta do carro, Filipe me puxou novamente. — Vamos nos encontrar na faculdade e então vamos superar isso. Eu havia esquecido que iríamos para a mesma faculdade. Na época pareceu uma boa ideia, mas agora, depois de tudo o que aconteceu, tinha chegado a conclusão que fazer planos antecipadamente não tinha sido um bom jogo. — Não haverá nada para superar, nem essa noite, nem nunca mais. Agora solte o meu braço para que eu possa ir embora. Senti a exasperação de seu toque quando tentei me soltar. — Você precisa decidir se vai entrar no carro ou não – o motorista não escondeu sua irritação. — Ela não vai – Filipe me puxou de volta para a calçada. — Qual é o seu problema? – gritei quando o taxista arrancou do local. — Sei que o que fiz foi errado e pode acreditar, estou muito arrependido. Eu só quero uma segunda chance... — Você acha mesmo que sou uma i****a? A boba apaixonada, capaz de perdoar uma traição do seu namorado e da melhor amiga, que entregou de bandeja sua virgindade, roubando o que era meu por direito? Eu queria que você nunca tivesse cruzado o meu caminho. Para mim você está morto. Soltei-me do seu aperto e o empurrei, fazendo-o perder o equilíbrio no mesmo momento em que estava vindo um carro em alta velocidade. Tudo pareceu acontecer em câmera lenta, vi o corpo de Filipe sendo arremessado por cima do para-brisa, chocando-se na pista. — Filipe... – gritei enquanto corria ao seu encontro. Várias coisas aconteceram ao mesmo tempo, pessoas correndo para onde estávamos. O motorista saltou do carro e veio ao nosso encontro.  E havia sangue, muito sangue. Agachei ao lado de Filipe, tentando não entrar em pânico enquanto via um fio de sangue sair de sua boca. Comecei a tremer, sem saber o que fazer. Lágrimas começaram a rolar em meu rosto, mostrando o meu descontrole. — Eva, eu sinto muito... — Não fale... Chamem uma ambulância! – gritei olhando para as pessoas. Alguém começou a digitar algo no celular. — Aguenta firme, uma ambulância vai chegar logo – tentei acalmá-lo. — Eu só queria que soubesse que eu amo você... Eu amo você... Seus olhos aos poucos foram fechando, sua boca perdendo os movimentos e o meu desespero me tomando por completo. — Filipe... Filipe... – gritei como se minha vida dependesse disso. Senti meus braços sendo agarrados por alguém, e homens vestidos de branco passando por mim e agachando ao lado de Filipe.
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