cap 02 eu vou pro rio de Janeiro

581 Palavras
Ravena... Morar em cidade pequena é uma coisa complicada. A maioria das vezes, não tem oportunidade de trabalho nem de estudo, e isso me deixa muito m*l. Não queria deixar minha cidade, nem meus pais, mas morar em um local em que você não tem nenhum crescimento é muito complicado. Terminei meu ensino médio há 5 anos, fiz técnico em agronomia no Instituto Federal do Piauí, me formei e passei dois anos trabalhando fora. Tive que morar em Pernambuco, nos projetos em Petrolina, mas veio uma crise fudida e tiveram que me mandar embora. Aí, voltei pra minha cidade natal. Depois que voltei, fiz alguns cursos de cabeleireiro e de designer de sobrancelhas, montei um salão improvisado na garagem de casa com o dinheiro que meu irmão me mandou. Tenho até alguns clientes, mas como já disse, a cidade é pequena e aqui não tenho oportunidade de crescer. Semana passada, liguei pro meu irmão e falei que eu iria morar com ele no Rio. Lá, com certeza, vou ter mais oportunidades. Ele não quer que eu vá, porque disse que é perigoso, principalmente por causa do trabalho dele, mas fazer o quê, né? Terminei de escovar o último cabelo da noite e fui tomar um banho pra ir pra academia. Se tem uma coisa que eu amo é malhar. Pra mim, a melhor hora do meu dia é ir pra academia e descontar todo o meu estresse nos aparelhos. Cheguei na academia às 20:00, gosto de vir nesse horário porque geralmente tem menos gente. O horário de pico é sempre à tarde, até às 19:00. ... Passei uma hora de relógio na academia, voltei pra casa, tomei um banho e fiz meu pratinho de cuscuz com ovo e um suquinho de maracujá natural. Quando terminei de comer, já mandei mensagem pro meu irmão. Mensagem: Ravena: Boa noite, irmão, tá podendo falar? Maninho: Iai, pirralha, fala aí, pow. Ravena: Quero ir pro Rio depois de amanhã, já comprei a passagem, tá? Maninho: Cara, como assim já comprou? p***a, e o pai mais a mãe? Ravena: Eles já sabem e me apoiaram, sabem que eu tenho muito talento pra desperdiçar nessa cidade. Maninho: Então tá bom, po, pode vir, mas não vem achando que aqui é a Disney, não. Você já sabe que é irmã de traficante. Aqui eles não têm pena, não. Não é que eu não quero que você venha, mas é que eu tenho um monte de inimigo aqui. Se eles te pegarem, vão te matar sem dó. Vai ser enterrada em caixão fechado, se ligou? Ravena: Misericórdia! Maninho: Pois é. Não diga que não avisei. Ravena: Eu vou! Maninho: Blz, pow, tu que sabe. Falou. Ravena: Te amo. Maninho: Fé! Mensagem. Me deixou no vácuo, o corno. Quero mais nem saber também, que se f**a. Mexi um pouco no celular e já fui arrumando minhas malas, quando minha mãe entrou no quarto. Maria: Já tá arrumando as malas, filha? – perguntou, se sentando na cama. Ravena: Já sim, mãe. Já falei com o Anderson. Maria: Você vai ter grandes oportunidades, pode ter certeza. O seu irmão vai te conseguir um trabalho fácil na empresa que ele trabalha – ela falou toda inocente. Coitada, m*l sabe no que o filho trabalha. Se ele não contou, não vai ser eu que vou contar. Ravena: Vai sim, mãe – falei, e ela me deu um beijo de despedida. Terminei de colocar algumas roupas e já fui dormir. Amanhã eu arrumo o resto.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR