cap 03 chegada

905 Palavras
Ravena… Quando cheguei no aeroporto do Rio, já mandei uma mensagem pro meu irmão, mas não foi nem entregue. Já fiquei nervosa, minha ansiedade tava nas alturas. Comecei a mandar um monte de mensagens e ligar, mas nada dele responder. Já tava quase chorando. Fiquei mais uns 20 minutos sentada esperando ele, com cara de choro. Imagine ficar sozinha em uma cidade que você nem conhece? Meu Deus, ele sabe que eu tenho ansiedade e, mesmo assim, me faz passar por essas coisas. A essa altura, já estava com taquicardia. Será que eu vou ter que voltar pro nordeste de mala e cuia? Meu Deus, que humilhação. Quando já tinha passado uns 40 minutos sentada naquele banco do aeroporto, ligando umas mil vezes pro Anderson e ele não ter atendido, já estava pensando em pedir esmola pra comprar a passagem de volta pra casa. XXX: – Colfoi, tia! Chega aí, o mano tá te esperando lá fora no carro, pow. Era um menino bem feinho, coitado, parecia ter uns 13 anos, e era tão magro que, se passasse um vento forte, levava. Bichinho, só tinha beiço. Fui seguindo ele até um carro todo preto, com os vidros todos fumê, tanto que não dava nem pra ver quem estava do outro lado. A pessoa do outro lado abaixou um pouco o vidro do carro e eu pude ver o Anderson no banco do carona. Logo já pude ouvir o som bem alto que tava rolando lá dentro: Racionais, Capítulo 4, versículo 3. Meu irmão deu uma nota de 100 pro garoto, que já saiu correndo. Ele pegou a chave do carro e disse pra eu colocar as malas no porta-malas, porque nem ele e nem o amigo dele podiam sair de dentro do carro. E assim eu fiz, coloquei todas as minhas malas dentro do carro e entrei logo em seguida. Quando entrei no carro, quase morri. O cheiro lá dentro tava forte demais. Era uma mistura forte de Malbec com maconha. Já imaginou o cheiro? Não sei se era bom ou r**m, mas com certeza não estava sendo nada agradável naquele momento, pois o carro estava todo fechado, nenhuma brechinha aberta. Ravena: – Boa tarde – falei, mas só meu irmão respondeu. O cara que tava no banco do motorista tava muito ocupado cantando baixinho a música dos Racionais. Quando entrei, foi aí que pude observá-lo melhor: um pretinho lindo, com cabelo trançado e a cara de quem não vale nada. Do jeito que eu gosto, fico fraca. Ele deu partida no carro e me encarou do retrovisor. Já fiquei como? Com vergonha, né? Não sou tímida, mas quando um cara gostoso desses olha pra mim como se fosse arrancar minha alma, a gente fica um pouco balançada. … A gente chegou na favela e eu já fiquei encantada com aquele lugar. Era enorme. O cara parou em frente a um homem alto, com uma armona enorme atravessada nas costas, e abaixou o vidro. XXX: – Lai, matador! – fez um toque com ele – Pow, cara, patrão tá querendo falar contigo, mano. Missão pesada pra você. Matador: – Beleza – ele falou e saiu arrancando o carro. – Aí, Piauí, vou te deixar em casa e vou partir, falou? Qualquer coisa eu te chamo. Anderson: – Beleza, maninho. A gente chegou em uma casinha pequena, bem feinha, pra falar a verdade, mas eu nem ligo muito pra essas coisas não, não tenho frescura. Eu, o Anderson e esse tal de Matador saímos do carro pra tirar as malas de dentro. Ele, novamente, olhou pra mim de cima a baixo, bem lentamente, sem nenhum pudor. Quando ele chegou no meu rosto, eu dei uma risadinha sem graça, e foi aí que ele desviou o olhar. Deve ter percebido que eu fiquei sem graça. Anderson: – Valeu aí, meu mano. – ele fez um toque com o Matador. Matador: – Fé aí. – falou e já foi saindo. Anderson: – Bora entrar, nanica. Maior tempão que eu não te vejo, cara. Tá maior mulherão. Ravena: – Linda, gostosa e desempregada. – a gente riu – Mas espero que por pouco tempo. Anderson: – Vai ser. A gente entrou na casa, e as coisas foram melhorando. Lá dentro não era feio como lá fora, mas também nada luxuoso, só uma casinha bonitinha, nada demais. Anderson: – Aqui tem dois quartos com suíte. Eu mandei uma menina fazer uma faxina nesse outro aí. Era o lugar onde eu guardava algumas armas e outras coisas, mas como você vai estar aqui, não posso deixar essas coisas mais aqui. Entrei no quarto, e não era nada demais também. Tinha uma cama de casal, um guarda-roupa pequeno de solteiro e uma penteadeira no canto. Ravena: – Fiquei te esperando um tempão lá, por que você não apareceu? Anderson: – Tu só pode ser burra mesmo. Era pra ter me esperado lá fora. Como que eu ia entrar dentro de um aeroporto cheio de segurança sendo que eu sou procurado? E ainda colocar meu mano em risco? O cara tem a ficha mais suja que o Rio Tietê, parceira. Se ele botar a cara, os polícia matam. Ravena: – Tinha me esquecido dessa parte. Anderson: – Beleza, pow. Agora arruma tuas coisas aí que eu vou guiar, falou? Ele saiu e eu fui arrumar as coisas no quarto. Ajeitei tudo e fui deitar, tava muito cansada e, amanhã, já ia procurar emprego.
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