O Augusto se levantou da poltrona devagar, num movimento calculado, como um predador que cansou de ficar sentado observando a movimentação e resolveu testar o terreno. O peso do ouro no pescoço dele parecia não incomodar, mas a neurose... ah, a neurose dele tava num nível que o ar daquela salinha mofada parecia faltar. Ele caminhou até o frigobar com aquele passo pesado de quem manda na vida e na morte, pegou uma pedra de gelo com a mão zona calejada e jogou num copo de cristal, servindo o uísque sem tirar os olhos de mim por um segundo sequer. Aquele olhar de quem tá procurando uma falha na blindagem, um tremor na mão, qualquer sinal de que o melhor soldado dele era humano. Ele parou na minha frente, a centímetros de distância, invadindo meu espaço pessoal, exalando aquele cheiro forte d

