A sala estava cheia demais. Não de pessoas. De olhares. Assim que Matteo entrou comigo, o burburinho mudou de tom, como se alguém tivesse baixado a música invisível do ambiente para que todos pudessem observar melhor. Senti-o antes de ouvir. O peso da atenção, a curiosidade afiada, a avaliação silenciosa que começava nos sapatos e subia devagar demais. Matteo avançou sem hesitar. Não me puxou. Não me empurrou. Limitou-se a caminhar com a segurança de quem sabe que o espaço lhe pertence, e eu acompanhei, o braço ainda ligado ao dele, consciente do colar frio contra a pele, do vestido a moldar-se ao corpo com precisão calculada demais para ser coincidência. — Respire — disse ele, baixo, sem me olhar. Obedeci. As conversas recomeçaram aos poucos, mas mais baixas, mais contidas. Pess

