O domingo amanheceu leve, ensolarado e cálido, como se o próprio céu abençoasse aquele dia. O ar tinha o perfume das flores de laranjeira que cresciam perto da igrejinha antiga no alto da colina, onde as janelas de vitral tingiam de cor o chão de pedra e os sinos soavam preguiçosos, anunciando que o tempo, finalmente, havia se rendido ao amor deles. Clara acordou cedo, antes mesmo que o sol alcançasse a janela do quarto da casa dos pais. O coração batia calmo, mas profundo — como um rio cheio depois da chuva. Era o dia do seu casamento. Quando Heitor pediu oficialmente a mão de Clara aos pais dela, a única exigência foi que se casassem após ela se formar, e um dia após a formatura ela deixaria de ser apenas Clara — estudante, filha, sobrevivente — e se tornaria a Clara do Heitor. O esp

