O dia amanheceu com uma serenidade rara para novembro. O céu, de um azul limpo e luminoso, parecia querer abençoar o fim de um ciclo. Os primeiros raios de sol atravessavam as cortinas finas do quarto de Clara, riscando o chão de luz dourada. Ela acordou antes do despertador. Ficou alguns minutos deitada, observando o teto e escutando o som distante da cidade despertando lá fora — buzinas, vozes, o murmúrio de passos apressados. Havia uma sensação de despedida no ar, uma leveza agridoce que a fazia sorrir e doer ao mesmo tempo. Naquela manhã, tudo parecia diferente. Os mesmos corredores do prédio que morou por quatro anos, e que foi cenário de risadas, desabafos, noites viradas de estudo, primeiros encontros e primeira noite com Heitor agora estavam vazios, cheirando a lembrança. A

