4 – Desvie o olhar

2557 Palavras
A sexta chegou, Carol se arrumava para ir ao tal bar, estava ansiosa, não pela festa em si, mas por Donna, rever a amiga depois desse tempo foi especial, tinha Alyssa, mas Donna sempre foi sua confidente, sua pessoa que lhe aconselhava e ajudava, depois de contar tudo ela provavelmente iria querer bater em Luane, mas também ficaria feliz por saber que acabou, nem tinha começado e acabou. - Carol, a Donna chegou.             A latina escuta a voz da irmã, então se olha uma última vez no espelho e sorri com o resultado, ela usava uma blusa preta com uma pequena manga, uma considerável parte de sua barriga ficava à mostra, uma saia também preta de couro que tinha uma a******a longa, a peça ia até abaixo do joelho, mas sua cocha ficava à mostra devido ao detalhe da a******a. Saltos também preto e uma maquiagem leve, seus cabelos soltos. - Uau, você está linda. O Tom vai ficar louco. - Donna, não estou indo por ele, estou indo porque quero estar com você, me divertir e beber um pouco. - Eu sei, mas ainda assim você sabe que ele arrasta um caminhão por você. - Ele só está interessado no que eu tenho e não em quem eu sou. - Não é bem assim, Carol, ele fica todo bobo perto de ti. Faz tudo para você, não posso negar que seu património chama muito a atenção. - Donna! - O que? Não estou mentindo. Mas eu acredito que ele goste de você e ele é fofo. - Vamos de uma vez, ah, e você e também está linda, sua garota deve morrer de ciúmes. - Nem me fale, querida amiga, nem me fale.             A loira sorri, trajava um lindo vestido preto manga três quartos, completamente colado ao corpo. Perfeita. Não demorou em começar a dirigir pelas ruas de Miami.             Elas logo chegam e cumprimentam à todos, uns até estanharam em ver a herdeira ali, mas sabiam da simplicidade da morena, porém um olhar em especial estava fixado nela, Tom não parava de encará-la, de olhá-la, admirá-la, de idolatrá-la, ele tinha que admitir, claro que a fortuna Mitchell lhe chamava a atenção e era o principal motivo por querer casar com a latina, mas aquela mulher tirava o fôlego de qualquer um, ela é linda, aquele corpo, aquele sorriso, aquele ar sensual e sedutor, com certeza ele uniria o útil ao agradável, porque ela era linda e rica, e aquilo o deixava mais determinado. - Uau, você está... Deslumbrante. - O rapaz chega perto de Carol e beija sua bochecha. – Pensei que não viria. - E não vinha, mas a Donna é a Donna, então... - Entendi. - Ambos sorriem. – Quer beber algo? - Sim, adoraria, uísque. - E você, Donna? - Ah, sim, um vinho, por favor. - Certo, eu volto já.             Ele sai e as duas sentam na mesa onde se encontram grande parte dos funcionários da empresa. Conversavam animadamente, uma pessoa em especial observava a latina, ela estava um pouco distante, mas também fazia parte daquele grupo, trabalhava no escritório da Mitchell’s. Então pega seu celular e disca um número. - Acho melhor você vir para cá. - Kevin, eu não vou, estou exausta. - Querida, sua garota vai cair nas garras do Jackson, e Luane, ela está tão... gostosa, meu Deus, ela é tão gostosa. - Kevin, não fale assim. - Luane senta na cama, pois estava deitada. - Venha, é um aviso amigo, ela está muito linda e ele está pronto para atacar, e desculpe, mas depois de tudo que me disse, ela vai ceder, ela vai ceder para te esquecer. - Luane suspira. - Eu não vou, Kevin, não temos nada, ela é livre para fazer o que quiser. - Se você diz, só me senti na obrigação como seu amigo de dizer, boa noite, espero que saiba o que está fazendo. - Boa noite, divirta-se.             Kevin era amigo de Luane desde que entraram na Mitchell’s, ele trabalha no setor financeiro, era um ótimo contador, tinha o DNA de um lobo, animado e lindo, sabia disso, por isso usava do seu charme e beleza para conseguir s**o, tinha a regra de não amar, pois sabe que quando acontecer ele irá se entregar por completo a essa pessoa, até hoje ainda não aconteceu. - Espero que ela saiba mesmo o que está fazendo.             O rapaz bebe seu uísque observando Tom voltar à mesa e sentar perto de Carol, que sorriu para ele, a latina não pensava em ter nada com o rapaz, mas não custava o tratar bem, ela só queria aproveitar sua noite, esquecer os problemas e seguir em frente. Já Luane, se jogou na cama de novo e encarava o teto. Ela pensava na latina nos braços de outra pessoa e aquilo a deixava louca de raiva, de ciúmes, de ódio. - Eu não posso sentir isso, ela não é minha. - A morena respirava fundo, tentava tirar isso de si, mas quanto mais fazia mais pensava na latina. - Inferno, ok, estou indo a uma comemoração de uma colega de trabalho, vou ficar perto do Kevin e pronto, nada de estranho, certo?             Luane falava para si mesma, então vai até seu closet e tira uma roupa, ela só tinha roupas elegantes, porque ela era elegante, então escolhe uma saia preta, com detalhes ao lado que pareciam botões, aonde ia de cima a baixo da peça, que ia até abaixo do joelho, uma blusa dourada manga longa, que deixava a sua barriga à mostra, e fazia um nó na parte frontal abaixo do seio, esses que apareciam em um decote perfeito. Saltos pretos e maquiagem leve, penteou o cabelo para trás deixando seu rosto mais à mostra. - Perfeita.             A morena disse ao se olhar no espelho, então respirando fundo ela sai do prédio, não demorou para estar em frente ao bar. Quando entrou seu coração disparou, ao som de Halsey - Not afraid anymor, a latina dançava sensualmente para Tom, na verdade com ele, Luane trava o maxilar. O rapaz sentiu seu corpo querer reagir à mulher na sua frente, ela subia e descia lentamente, não estava ligando para nada, estava aproveitando e iria se divertir um pouco. Então eleva o corpo roçando sua b***a na parte íntima do rapaz que não aguentou e puxou seu corpo para perto. - Carol, pare, eu... - Não está gostando? - Ah, estou, mas... ele está ganhando vida. - A latina sorri, pois sabe bem do que ele falava. - Então é melhor eu parar, certo? – Ela ia se afastando, mas ele a puxa para perto de novo, agora de frente. - Você está me enlouquecendo, Carol, o que tenho que fazer para você ser minha? - Nada, Tom, não tem que fazer nada, eu não sou de ninguém, entenda isso de uma vez. - Só uma noite.             Aquilo fez a latina se afasta de uma vez. Pois é, ele estava indo bem, mas estragou tudo com apenas uma frase. - O que foi? - Nada, eu... Eu só preciso ir ao banheiro.             Então quando vira seu corpo, lá estava ela, linda, gostosa, perfeita como sempre está, tudo faz Carol lembrá-la, tudo faz a latina se perder, se confundir, faz voltar os momentos com força. Luane nada faz, muito menos Carol, apenas ficam lá se encarando. Então a morena escuta alguém sussurrar em seu ouvido. - Desvie o olhar ou vão perceber.             Isso fez Luane voltar a realidade. Aquela mulher maravilhosa estava na sua frente, era só dizer sim, mas ela tinha muito que perder, tinha uma vida de conquistas para perder. Então ela faz o que foi mandada, desvio o olhar e se volta para Kevin, Carol apenas respira fundo e faz seu caminho para o banheiro, precisava parar de fazer isso, de tentar encontrar esperança nos olhos de Luane, de tentar encontrar motivos para lutar, eles não existiam, a morena os tirou dela. Donna de longe observava tudo, ela só tinha uma certeza, sua amiga estava apaixonada, ainda não sabia, mas estava, porque aquele olhar é o mesmo que ela dá para a sua morena, e aquilo era fodido, porque ela o recebia de volta, mas Carol ainda não tem essa alegria. ....................*** ....................             Carol chega ao banheiro e se olha no espelho, poderia sair dali agora, correr, fugir, mas ela não era uma covarde igual à morena, ela estava resistindo, estava destruindo o que m*l começou, então volta para o salão como se nada tivesse acontecido. Logo observa Luane perto, não na mesa, mas perto. - Carol, me desculpa se eu falei ou fiz algo errado, eu... - Você não fez nada, Tom, está tudo bem.             Ela sorri fraco para ele, o que o tranquilizou. Então voltam a se sentar, começam a beber de novo e sorrir das piadas de Donna e quando contava das suas aventuras da viagem. - Pare de encarar, se ela está lá a culpa é sua, porque tenho certeza que preferia estar na sua cama. - Pare com isso, Kevin.             Luane volta sua atenção para ao copo de vinho, a única bebida alcoólica que consome. Ela respira fundo, estar diante daquela cena era h******l, queria ter a latina em seus braços, mas estava tão amedrontada que acabava desistindo, agora a questão é: qual sentimento falaria mais alto? O medo ou o ciúme? - Para, Donna, eu não consigo mais sorrir.             Carol coloca sua mão na barriga exposta que doía de tanto sorrir, Donna era uma completa palhaça. - É sério, ele ficou tão bêbado que começou a soltar pum na frente de todo mundo, eu não sabia se sorria ou se sentia pena, no outro dia ele não apareceu na palestra, disse que estava se sentindo m*l, mas tenho certeza que era apenas vergonha, porque se fosse eu nunca mais apareceria na frente daquelas pessoas.             Todos gargalhavam dos relatos de Donna, para Carol só ela mesmo para fazê-la sorrir daquela forma, a latina recusou-se a olhar de novo para Luane, sabia que assim que acontecesse sua felicidade iria ser tirada, pelo menos por aquele momento, e de certa forma as pessoas estavam certas em relação a Tom, talvez ele não fosse tão r**m, talvez ele poderia a fazer feliz, era atencioso, carinhoso e bonito, isso era fato. - Quer dançar? - O rapaz sussurra perto do ouvido da latina, Luane ao ver isso trava o maxilar, levanta do banco e sai. - Para onde você vai, maluca?             A morena passa perto da mesa que a latina estava, uma troca de olhares, apenas uma e ambas sabiam que não poderiam resistir, a mais velha vai para o banheiro. - Agora não, eu... Eu vou ao banheiro. - Você está bem? - Sim, só... Volto já. - Donna respira fundo quando Carol a encara com o olhar de súplica por cobertura. - Espero que saiba o que está fazendo. Eu sou sua amiga, não quero te ver sofrer e desde que começou a sentir isso, é só isso que vem acontecendo. - Eu prometo que é a última chance, se ela recuar, acabou, eu juro. - Assim espero.             Então Carol levanta e vai em direção ao local, não havia ninguém, apenas a morena que se apoiava na pia e tinha a cabeça baixa, quando escuta a porta sendo trancada ela respira fundo. - O que você está fazendo? - Seja mais direta, Luane.             Então a morena vira o corpo, quando tem a visão completa de Carol vestida daquela forma, aquela saia que a deixava completamente exposta, sexy e atraente, mais do que já é. - O que está fazendo com ele? - Nada, estou em um grupo de amigos me divertindo. - Carol, não brinque comigo, não é assim que funciona. - E como funciona, Luane? Ou você achou que ia me dá um pé na b***a, eu ia chorar, me trancar em meu quarto, correr atrás de você... - Pare. - Pare você, sua hipócrita de m***a. Seja mulher ao menos uma vez na sua vida, pare de fugir, pare de fingir que nada está acontecendo, você está morrendo de ciúmes, mas é tão covarde que nem vai assumir isso, se é para ser assim, então que seja, mas me deixe em paz, pare de pensar em mim, pare de me olhar desse jeito, pare de me desejar dessa forma, ao menos seja corajosa para dizer um adeus de verdade. - Você não entende, Carol, você sempre teve tudo, sempre, mas eu.... – Ela sorri irônica. – Eu tive que batalhar para estar onde eu estou, eu tive que lutar para fazer essa faculdade, ir contra os meus pais, minha espécie é guerreira e inteligente, mas eu nunca tive nada de bandeja. - Então é isso que pensa de mim? Que eu sou um nada que só estou onde estou porque sou rica, porque minha espécie é a segunda mais forte? - Eu... – Luane agora se arrepende do que disse. - Diga, fale Luane, eu sou uma pobre coitada que teve tudo porque os pais sempre lhe deram tudo, os pais são os todos poderosos Mitchells, que aliás são seus patrões, certo? Então o que eu poderia perder né? Eu sempre tive tudo. - Carol... - Eu te admiro pela sua história, não foi só apenas sua beleza externa que me chamou atenção, não foi só seu corpo, seu rosto, foi tudo, tudo em você me chama a atenção, então por favor, diga adeus de uma vez e me deixe seguir, que seja com Tom ou com qualquer outro, mas... - Não! – A morena quase grita e se aproxima da latina, cola os corpos com força contra a parede. – Não, ninguém vai te tocar novamente daquela forma. - Seja corajosa ao menos agora, ao menos uma vez.             Carol diz ao colocar suas mãos na nuca da outra e puxar os fios com um pouco de força, assim como as mãos da morena apertam sua cintura com voracidade. - Eu vou m***r aquele desgraçado se ele te tocar de novo. - Você não tem esse direito. Eu sou uma mulher livre. - A morena encosta seus lábios aos da latina que esperava pelo beijo, mas não veio, apenas a tortura do roçar de pele. - Você não é livre, você é minha. - Não, não sou, eu nunca fui sua.             Luane se afasta e encara os olhos da outra, estavam negros, era t***o, era prazer, elas precisavam daquilo, elas precisavam uma da outra. - Você sempre foi minha.             Com isso a morena avança nos lábios da latina, Carol geme com o contato mais selvagem, era maravilhoso, mesmo tendo DNA de alfa, ela adoraria ser submissa e domada por aquela mulher. Luane aperta mais a carne exposta da outra, assim como a mais nova puxa os cabelos de sua nuca com voracidade. O beijo era ardente, quente, sensual, maravilhoso, as línguas logo se tocaram, as duas gemiam baixo, mas o ar se fez necessário, se separam e encostam suas testas. - Pare de resistir, se entregue. - Você é um vício, Carol, o meu vício.             Então Luane se afasta, dando as costas para a outra, Carol prometeu a Donna que se ela a recusasse de novo, desistira, e ela cumpriria, estava disposta a tentar, mas tinha seu orgulho, não iria servir de saco de pancada para aquela mulher. Então respirando fundo, já esperando o não, ela se preparava para ir embora. - Eu vou para o meu carro e vou te esperar lá, você tem dez minutos.             Com isso a morena sai do banheiro, deixando Carol sem entender nada, apenas com uma certeza, ela iria estar no estacionamento em dez minutos.
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