Estar naquele camarote era como estar em um palco onde eu era a única que não sabia as falas, enquanto a plateia inteira esperava pelo meu erro. O som do pagode lá embaixo era ensurdecedor, mas o silêncio que emanava das pessoas ao redor do Coringa era ainda pior. Eu não saía do lado dele. Não por amor, não por lealdade, mas por um medo visceral de que, se eu me afastasse um centímetro, o mar de tubarões me engoliria. Eu sentia o cheiro do uísque dele, o calor do seu corpo e a frieza do seu fuzil encostado na minha perna. Carolaine, do outro lado, era uma bomba-relógio. Seus olhos injetados de ódio me fuzilavam a cada segundo. — E aí, Coringa! — Um homem entrou no camarote, cercado por soldados. Ele tinha um olhar sujo, o tipo de olhar que despe as mulheres por onde passa. Era um dos "am

