Eu não conseguia mais respirar. O ar condicionado central daquela mansão parecia bombear gás carbônico puro para dentro dos meus pulmões. O luxo do quarto, a seda dos lençóis, o mármore impecável do banheiro... tudo aquilo fedia a sangue. O sangue do Tião, o sangue que eu derramei no chão da cozinha da Odete, o sangue que o Coringa usava para regar o seu império. Eu estava parada no centro do quarto, ainda com aquele biquíni preto que agora parecia uma marca de ferro em brasa na minha pele. O Coringa estava encostado na porta, com os braços cruzados, observando-me como um colecionador avalia uma peça que tentou fugir da vitrine. — Eu quero devolver — falei, minha voz saindo rouca, mas carregada de um veneno que eu nem sabia que possuía. Ele descruzou os braços lentamente. O olhar dele e

