O cheiro da pólvora ainda estava impregnado nas minhas mãos quando estacionei o Jeep de volta na frente da casa do Foguinho. Meus dedos latejavam, não de dor, mas da adrenalina pura que ainda corria nas minhas veias como lava. Eu tinha acabado de descarregar o pente no peito de um verme que ousou tocar no que é meu, e se tivesse mais dez como ele no beco, eu teria matado todos. Entrei na área da piscina com o passo pesado, o fuzil batendo no peito, e o silêncio que se instalou foi imediato. O som do pagode tinha baixado, mas os sussurros eram como enxames de abelhas. Eu ouvia tudo. Meus sentidos estavam aguçados, captando cada palavra maldita que saía da boca dos meus próprios soldados e dos moradores que ainda estavam ali. — Tu viu? O patrão passou o Tião ali na viela... sem conversa.

