Eu saí daquela festa sentindo que o ar da Rocinha tinha se tornado espesso demais para os meus pulmões. O barulho do funk, as risadas, o cheiro de carne assada... tudo parecia uma afronta à humilhação que eu tinha acabado de passar naquele banheiro. Eu sentia a marca da mão do Coringa queimando na minha pele, um lembrete físico de que eu não passava de um território que ele ocupava com violência. E ver a Carolaine no colo dele logo depois? Aquilo foi o golpe de misericórdia. Caminhei pelas vielas escuras, tentando ignorar os olhares dos vapores que me seguiam. Eu só queria o meu colchão velho. Queria o silêncio do meu quarto, por mais miserável que fosse. Mas o destino na favela não tem piedade de quem já está no chão. — Ei, gatinha... onde vai com tanta pressa e tão pouca roupa? Parei

