DEZESSEIS: Entre a Felicidade e a Tristeza

2093 Palavras
Mesmo machucado, Young Ho já não conseguia esperar, precisava encarar Chittaphon de uma vez por todas, eles precisavam ter aquela conversa o mais rápido possível. Juntou tudo o que havia de coragem dentro de si, caminhando a passos lentos em direção à casa do ômega. Logo ao entrar podia sentir a essência raivosa de Jongin ali, ainda sentia medo pelo que o mais velho poderia fazer, não tinha certeza de que ele já se vingado pela honra de seu filho. Parou diante da porta do quarto do ômega, respirou fundo antes de bater, ouvindo um “entre” fraco e aparentemente tristonho. Seu coração quase parou no momento em que o viu. — Chittaphon. — chamou o nome do menor, que estava de costas. O Kim vacilou completamente ao ouvir a voz do alfa, sentia seus pés formigando pelo medo daquela conversa que já não conseguia mais ser adiada. — Young Ho. — sussurrou, não conseguia se virar para ele — Você veio. Já afoito e sem paciência, o alfa deu alguns passos à frente, parando bem atrás do menor, o virou para ele e em seguida o abraçou com força. O ômega veio à chorar no segundo em que sentiu o corpo do maior o abraçando, sentira tanta falta daquele abraço, tanto medo de nunca mais senti-lo em vida. Agarrou-se com força às roupas do Zhang, sentindo que sua vida dependia daquele toque. — Eu estava com tanto medo. — confessou — Achei que não fosse vir. — Me perdoa por não ter ido quando me chamou das outras vezes, me perdoa, por favor. — implorou, os olhos ardiam em busca de lágrimas, ele sentia seu coração doer tanto — Me perdoa, por favor, me perdoa. Chittaphon queria dizer que perdoava, mas não era tão fácil assim, ele ainda estava magoado com tudo o que havia acontecido, se Young Ho tivesse ido, as coisas teriam corrido de uma forma bem diferente, ele não precisaria ter passado por todo aquele terrível medo. — Você está aqui para cuidar de nós dois? Ao ouvir a pergunta o alfa afastou um pouco do corpo de ômega de si para poder olhá-lo. Encontrou um rosto assustado e ansioso. — Dois? — Meu pai não te contou? — ele perguntou, já sentindo o sangue gelar nas veias. — Seu pai só me bateu, ele não me disse nada. A garganta do menor veio a secar, ele sentia ainda mais medo pelo que precisaria dizer, Young Ho não era um alfa fácil de se lidar, as chances de que algo desse errado eram grandes. — Eu estou grávido, Young Ho. Foi a vez da garganta do maior secar, soltando de vez o corpo do ômega e se afastando do mesmo. Ficou de costas enquanto sua mente trabalhava à mil, ele não sabia o que poderia responder, sequer sabia o que pensar daquilo, era muita informação para uma só vez. — Grávido? Mas como isso pode ter acontecido? — ele estava em choque — Eu não entendo isso. — Você sabe muito bem como isso aconteceu, Young Ho! — o ômega se sentia irritado, não era essa a reação que esperava, ele estava à ponto de gritar — Não me olhe como se eu fosse o culpado, nós dois erramos e nós dois precisamos lidar com isso. Agora o ômega chorava desesperado, via no alfa alguém que não queria aquele filho, alguém que não estava sabendo lhe dizer um não. Mas Young Ho o abraçou novamente e desta vez com força, deixando que o menor molhasse sua roupa com suas lágrimas dolorosas. Chittaphon repetia palavras sem nexo o tempo todo, deixando a cabeça do alfa ainda mais confusa e pesada. — Não chore, meu pequeno, não chore. — ele pediu — É claro que estou feliz em sabe disso, apenas fiquei assustado, mas eu estou muito feliz. — Verdade? — Claro que é verdade, por favor, pare de chorar dessa forma. O ômega tentou se acalmar, colocando um pequeno sorriso no rosto, mas ele ainda estava com medo, afinal, o maior poderia estar falando aquilo apenas para acalma-lo momentaneamente e logo em seguida sumir para sempre diante de seus olhos, lhe escapando entre os dedos para sempre, lhe deixando sozinho de novo. — Eu vou falar com seu pai. — disse. — Para quê? — Vou pedir sua mão em casamento. — respondeu sorrindo, tentando passar alguma confiança para o ômega. O ômega ficou feliz, era inevitável não se sentir assim, ele queria mais do que tudo que Young Ho ficasse com ele. Mas ao mesmo tempo se sentiu m*l, era natural que acreditasse que ele estava fazendo aquilo apenas pelo bebê e não por gostar dele. Chittaphon estava triste e feliz ao mesmo tempo, confuso e com medo. — Mas... — Fique aqui, eu irei até lá. — Mas... Ele não esperou para ouvir o que o menor tinha a dizer, sorriu para ele e em seguida saiu do quarto o deixando sozinho com suas inúmeras dúvidas. Passou pela sala indo direto para a sala onde sabia que Jongin estava, sozinho, era quase como se esperasse por ele, e talvez esperasse mesmo, mas isso era algo que nunca saberia em vida. Bateu na porta ouvindo um “entre” curto e grosso, seu tom de voz ainda era o de alguém que estava em fúria. Mesmo sentindo os pés tremerem, ele entrou na sala, encontrando Jongin sentado calmamente atrás da mesa. — Tio. — chamou — Preciso falar com o senhor. Jongin apontou para a cadeira, mas o mais novo não sentou. — Eu vim pedir a mão de Chittaphon em casamento. — tomou coragem e disse tudo de uma vez, o mais velho podia ouvir o tom de medo em sua voz. — Pois muito bem, eu concedo. Balançou a cabeça em positivo, não sabia o que dizer a partir daquele ponto. Continuou parado diante da mesa, pensava em algo, mas a coragem de enfrentar o homem a quem chamava de tio era grande, sempre o respeitou muito, mas havia ferido gravemente sua honra. — Tio, eu quero me desculpar pelo que fiz- — Se desculpa casando com meu filho e cuidando dele, não quero mais que Chittaphon sofra com isso, ele já passou por muita coisa. Balançou a cabeça em positivo novamente, finalmente deixando a sala onde o líder estava.     [... Doçura de Beta ...]       Jungwoo estava nervoso, afinal, naquela noite sua família iria conhecer seu alfa. Pedira para faltar ao trabalho, tudo para ter uma noite perfeita, combinara tudo com Lucas e avisara aos seus pais que naquela noite faria um jantar especial, mas sem dizer o real motivo de tudo, pois queria que fosse uma surpresa. Os dois já estavam à mesa, esperando pelo jantar que Jungwoo demorava a servir, tudo porque esperava pela chegada de Lucas, que estava demorando um pouco. O vira aparecer na porta da cozinha, mas não disse nada, apenas sussurrou que esperasse um pouco lá fora e entrasse quando fosse a hora certa. Jungwoo então foi até seus pais, servindo o jantar dos mesmos. — E o que você queria nos contar, filho? — Lu Han era o mais curioso, perguntou logo. — Por que colocou um lugar à mais na mesa? — Sehun lhe perguntou ao notar o prato à mais. Jungwoo respirou fundo. — Porque o jantar de hoje tem um convidado especial, alguém que quero apresentar para vocês já tem um tempo e finalmente chegou a hora certa. — disse, mexia as mãos para lá e para cá em um sinal claro de nervosismo. Ficou olhando para a porta esperando que ele entrasse, seus pais fizeram o mesmo até que finalmente Lucas passasse pela porta, parando bem ao lado de Jungwoo, que sorria abertamente para seus pais. Lu Han foi o primeiro a sorrir de volta, Sehun demorou um pouco, mas acabou amenizando suas expressões ao aparentemente se recordar de quem se tratava. — Pais, esse é Wu YukHei, eu e ele estamos nos relacionando. — disse, um pouco baixo a aparentemente envergonhado. Lu Han se ergueu para lhe cumprimentar e em seguida Sehun. Jungwoo estava muito animado ao ver seus pais recebendo Lucas de uma forma positiva. — Saibam que estou muito feliz em estar aqui. — Vamos, sente-se, vamos jantar! — Lu Han era o mais animado entre eles. Jungwoo também serviu o jantar para YukHei, que tentou comer de forma civilizada estando na frente dos sogros, mas sem muito sucesso. Ambos começaram o jantar em silêncio, mesmo que o beta estivesse a ponto de ter um ataque com o som dos dentes mastigando, ele queria ter uma conversa logo, tornar o lúpus alguém da família e intimo de seus pais. — Então... — tentou puxar algo. — Nós conhecemos os pais do Lucas. — Sehun começou a falar, achou ser uma boa hora para contar aquela história que há muito tempo era tida com gratidão em sua memória — Há muito tempo atrás, quando Zitao estava grávido de ti, eu e Lu Han fomos atacados por alguns alfas e eles cuidaram e nós, se não fosse por eles, nós estaríamos mortos, temos uma imensa dívida de gratidão com seus pais. Lucas não conhecia aquela história e ficara muito feliz em ouvi-la, já sabia que seu pai era um homem de coração muito bom, só não esperava que tivesse alguma ligação com os pais do beta que tanto amava. — Nós ficamos muito felizes que estejam juntos. — disse Lu Han logo em seguida — É bom saber que meu filho terá alguém que teve uma criação tão digna, alguém em quem confiamos.     [... Doçura de Beta ...]     Taeyong estava com Chittaphon, os dois conversavam logo depois que Young Ho foi embora, o ômega grávido tinha muito a falar, estava assustado e com medo do que iria acontecer, temia que seu casamento com Young Ho fosse infeliz, sem vida e sem rumo, onde o alfa só se interessasse pelo futuro da criança e não por ele. — Ele não me quer, Tae, ele quer a criança e só. — disse, chorando, completamente desesperado. — Isso não é verdade, Young Ho gosta de você e você sabe muito bem disso, eu tenho certeza de que vocês serão muito felizes juntos. — respondeu, enquanto alisava os cabelos do mais velho, que estava deitado em seu colo — Imagine o quanto serão felizes, o quanto terão filhos lindos e vão ficar juntos até ficarem bem velhinhos, igual seus avós. — Eu sinto falta da vovó, ela saberia o que fazer, ela sempre sabia o que fazer. — A vovó Bom era uma mulher incrível, seu filho iria gostar muito dela. — Taeyong sorriu — Mas agora eu preciso realmente ir embora, Chi, já é noite e se eu não for logo vai acabar ficando perigoso. — Tudo bem. Com o corpo pesado, Chittaphon se afastou de Taeyong o deixando ir. Taeyong passou pelo corredor, passando pela porta do quarto de Jaehyun, acabou parando por ali ao encontrar a porta semiaberta, o alfa pareceu não notar sua presença ali. O mesmo trocava de roupas e Taeyong conseguia o ver completamente nu, não conseguia parar de olhar para o mesmo, o vendo completamente como veio ao mundo. Estava vermelho, mas com os olhos completamente fixos. Só saiu dali quando Jaehyun já estava completamente vestido. Passou correndo por todos os outros cômodos da casa, até estar do lado de fora. Tudo estava muito escuro, sentiu frio e medo enquanto caminhava pelas ruas um tanto desertas, se arrependendo de ter saído tão tarde. Havia uma figura estanha parada por uma das ruas, vinha sozinha, Taeyong passou por ele sentindo calafrios, mas se acalmou no momento em que notou de quem se tratava. — Yuta! — sorriu ao dizer, havia sido um alívio. — Ah, boa noite, Taeyong. — cumprimentou, parando ao seu lado — Está sozinho? — estranhou — É perigoso andar sozinho tão tarde. — Eu acabei deixando o tempo passar, não notei que era tão tarde. — Eu te acompanho até sua casa. Naturalmente que o ômega aceitou, estava assustado demais para recusar e ir sozinho. Não conversaram durante o caminho, aparentemente Yuta estava em um outro mundo, completamente ligado no que pensava. Caminharam lado a lado até chegar à casa do Park, onde os dois pararam. — Está entregue. — o mais alto disse. — Obrigado, Yuta, você foi muito gentil. — aparentemente era um gesto simples, mas Taeyong se colocou na ponta dos pés e depositou um beijo no rosto do alfa, que sorriu e foi embora.  
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