— Já fazem alguns anos, eu sempre acreditei que não o amava, mas agora já não sei ao certo o que sinto.
Chittaphon explicava ao seu omma o que estava acontecendo, depois de jogar na cara do mesmo que carregava um filho do Zhang, o ômega mais novo sentia que seu omma merecia uma explicação aprofundada, precisava dizer tudo, pois se não dissesse acabaria explodindo. Suspirou. Sentia medo de muitas coisas, mas sabia que com Kyungsoo ele podia se sentir livre para contar tudo, seu amado omma jamais o julgaria ou sentiria repúdio.
— Eu quero o Young Ho por perto, mas de coração, sendo algo que ele também queira. — o mais novo deitou a cabeça no colo de Kyungsoo, fechando seus olhos ao sentir o carinho em seus cabelos — Mas acho que ele não quer, ele sequer veio me ver quando o chamei, enquanto eu... por anos eu sempre fui quando ele me chamava, estava sempre pronto para me entregar pra ele, sinto vergonha pelo que fiz.
— Não se envergonhe de nada, filho, isso faz parte de sua história. — o mais velho explicou — Young Ho faz parte de quem você é, seus sentimentos ainda são confusos, ele pode estar sentindo o mesmo.
— Mas e se ele não sentir?
Kyungsoo suspirou, precisava ser claro com seu filho, afinal, o mesmo passaria por algo que poderia ser desconfortável para ele, não haviam muitas escolhas para serem feitas, ele precisava entender logo de cara que a partir dali alguém tomaria decisões em seu lugar e algumas delas poderiam ser difíceis.
— Você vai se casar com Young Ho, filho, mesmo que ele não queira.
— Mas omma! — o mais novo se ergueu querendo protestar, seus olhos entregavam sua aflição diante do que ouviu, isso era tudo o que ele menos queria, por mais que soubesse que essa seria sua sina — Eu não quero prender Young Ho à força.
— Sabe como seu pai é, quando ele descobrir tudo isso, não imagine que as coisas possam ser diferentes, ele não vai aceitar que você crie seu filho sozinho.
Chittaphon queria chorar, Jongin com certeza faria um escândalo, ao seu jeito, mas um escândalo. Precisava rogar a todos os deuses para que tivessem piedade de quem estivesse pelo caminho no momento em que ele saísse de casa para buscar Young Ho, certamente que o arrastaria pelo vilarejo. Seu pai custava a perder a calma, mas quando perdia, não havia um que ficasse por perto.
— Omma, o Appa vai matar o Young Ho!
— Fique calmo, o barco de Yifan saiu essa manhã, haverá alguns dias para que seu pai se acalme, o momento de contar é agora.
[... Doçura de Beta ...]
Não era um problema. A cabana que Jongin os havia oferecido estava empoeirada, mas em um bom estado, tudo ficaria como novo assim que fosse limpo. Foi um dia inteiro limpando tudo, os vizinhos foram gentis em emprestarem baldes e panos limpos. Quando a noite chegou estavam exaustos, por sorte Kyungsoo havia lhes presenteado com panos limpos para a cama, onde dormiram feito pedras.
Na manhã seguinte a limpeza continuou, sendo interrompida apenas com uma batida na porta. Por não conhecerem ninguém, Kunhang veio a estranhar, o alfa deixou o ômega em um dos cômodos dos fundos para ir atender a porta, dando de cara com um alfa loiro com um sorriso na cara.
— Bom dia, Kunhang, certo?
Acenou com a cabeça, desconfiado.
— Eu sou Kim JongDae, irmão do Jongin. — se acalmou ao ouvir aquilo, ao mesmo tempo que mantinha a insegurança de que o líder pudesse ter mudado de ideia quanto a ajuda-los — Estive com ele hoje cedo, me falou de vocês e eu gostaria de ajuda-los. — sorriu terno, era quase um sorriso paternal — Eu sou ferreiro, trabalho com meu filho e sobrinhos, há muito serviço, precisamos de mais ajuda.
— Está me oferendo trabalho?
— Sim, você aceita?
O alfa mais novo abriu a boca procurando por palavras, mas se perdendo nas mesmas, ficara muito feliz, ao ponto de sentir que aquilo era bom demais para ser verdade. Aquela alcateia era boa demais para ser real.
— É claro que aceito, é o que mais precisamos! — estava eufórico quando respondeu — Eu nem sei como te agradecer.
— Agradeça fazendo um trabalho bem feito.
— Obrigado. — respondeu, o sorriso não saía da cara — Quando posso começar?
— Agora mesmo.
— Me deixe apenas avisar ao meu ômega.
JongDae assentiu, logo o mais novo correu para dentro para poder comunicar ao ômega a boa nova. Dejun até mesmo se assustou quando o alfa surgiu na cozinha as pressas, com um sorriso de rasgar a cara.
O mais baixo ficou de pé encarando o alfa, que respirava e buscava palavras para o que tinha a dizer.
— Consegui um trabalho. — falou de vez, enquanto o outro o encarou confuso — O irmão do líder veio me oferecer, ele parece ser alguém bem gentil.
O ômega sorriu finalmente, vindo abraçar seu amado, ele também m*l podia acreditar.
— Há muitas pessoas boas nessa alcateia, não podemos desperdiçar isso, é uma chance única na vida. — sua vontade era de chorar, quando largou tudo para ficar com Kunhang, esperava por passarem imensas dificuldades e encontrar uma alcateia com pessoas tão generosas era algo que estava longe de seu alcance.
Era como um sonho.
— Não vamos desperdiçar. — sorriu para o ômega, o soltando — Preciso ir, começo hoje, tudo bem ficar aqui sozinho?
— De maneira nenhuma, boa sorte em seu primeiro dia, meu amor.
Beijou seus lábios rapidamente, voltando-se para a saída.
JongDae ainda o esperava do lado de fora, passou a acompanha-lo pelo caminho desconhecido. Não conhecia nada naquela alcateia, precisava ao menos decorar o caminho de volta, para que não se perdesse. Era bem movimentada, pessoas carregavam coisas de um lado para o outro, podia sentir o calor de cada uma delas, era diferente de sua alcateia, onde as pessoas pareciam mais frias e não carregavam sorrisos em seus rostos.
Queria conhecer mais daquele lugar.
Entraram em um lugar lotado de peças de ferro, julgou ter chegado.
— Este é Mark, meu filho. — o apresentou a um alfa igualmente loiro, este também era dono de um sorriso terno — E estes são Minhyuk e Jaehyun, meus sobrinhos.
Já conhecia Jaehyun, que não era de sorrir muito, mas sabia ser alguém de confiança, se não fosse por ele, eles não estariam ali naquele momento. Minhyuk aparentava ser um beta calmo, sorria pequeno, mas sua expressão era muito gentil.
— Kunhang irá trabalhar conosco, ele acabou de chegar na alcateia e precisa de apoio, o ajudem no que ele precisar.
Depois de dada a ordem, Kunhang seguiu JongDae para o que seria a sua primeira tarefa. Minhyuk e Jaehyun voltaram ao que faziam.
Não demorou muito tempo para que Minhyuk notasse que Jaehyun estava aéreo novamente, olhava bastante para o novo funcionário e parecia pensar em algo o tempo todo, estranhou aquilo e ficou observando seu irmão por um tempo, até que ele desligasse completamente do que fazia.
— O que há com você? — perguntou, já curioso com as atitudes do mais novo.
— Só estava pensando.
— Em que?
Jaehyun suspirou, não havia outra coisa em que pensasse, mesmo que ainda não entendesse aquilo.
— Eu estou... com inveja do Kunhang. — confessou, vendo o cenho do mais velho se franzir — Quer dizer, com inveja do que ele tem, Dejun deixou tudo por ele, eles têm amor.
A vontade de Minhyuk era de rir, o alfa estava se tornando cada vez mais meloso e perdido, quando Bom lhe contava histórias de almas gêmeas e do quanto elas se tornavam perturbadas quando não estavam juntas, ele não imaginava que fosse ser assim. Kim Jaehyun estava completamente derretido por sua alga gêmea, ao ponto de confundir tudo por dentro.
Era engraçado ver alguém que estava acostumado a dormir com todos, estar loucamente apaixonado por apenas um.
— Você precisa conquistar a sua alma gêmea antes que fique louco.
— Eu posso ficar louco?
Minhyuk passou a andar, ignorando completamente as perguntas do Kim, que andava atrás dele aparentemente apavorado com a ideia de ficar louco sem o Park.
— Jaehyun?
Parou de imediato o que fazia quando ouviu a voz doce do ômega próximo à porta, seu coração disparava quando o via e quando o ouvia chamar por seu nome era como se por dentro ele pegasse fogo. Caminhou até ele enquanto sentia tudo queimar por dentro, finalmente parando diante dele.
— Taeyong... — ergueu sua mão na tentativa de tocar o rosto do ômega, mas teve seu pulso segurado pelo mesmo, sendo impedido.
— Eu queria agradecer por ter ido atrás do seu irmão, ele me contou o que aconteceu, foi muito gentil com eles, fiquei impressionado com isso.
Dizer para um alfa que havia se impressionado com algo que ele fez era alimentar seus egos já crescidos, mas quando se tratava de um alfa apaixonado, era como lhe dar esperanças. A verdade era que Jaehyun só conseguia enxergar Taeyong quando estava perto dele era como se as demais coisas não importassem mais, podia sentir seus pés fora do chão.
— Não precisa agradecer por isso. — respondeu, ainda sentindo os dedos formigando pela vontade de tocar em sua pele — Ele é meu irmão e eu faria de tudo para protege-lo.
O ômega sorriu pequeno.
— Fico mais feliz ainda em ouvir isso.
Taeyong se virou para ir embora, mas teve seu pulso segurado, se assustou com aquilo, olhando para Jaehyun com os olhos alargados. O ômega cortou o contato visual, porque por mais que estivesse fazendo o possível para ignorar o alfa, ainda era apaixonado por ele e nos últimos dias passara a sentir-se extremamente bem ao lado dele, por mais que julgasse ser por Jaehyun aparentemente estar sentindo algo por ele.
Se sentia feliz por estar sendo correspondido, mas não conseguia entender isso.
— O que há com você, Jaehyun?
— Nada. — ele definitivamente não sabia o que dizer — Só me senti m*l vendo você dar as costas.
— Você precisa trabalhar, não podemos ficar de conversa, eu também tenho que ir.
Sem resposta, o alfa o soltou, vendo o ruivo se afastar sem dizer mais nada.
Jaehyun estava cada vez mais confuso, deixando Taeyong perdido em vários momentos. O ômega estava decido a esquecê-lo, mas tomara a decisão no justo momento em que o alfa passara a demonstrar interesse. A verdade era que Taeyong se forçava a acreditar que aquilo era fingimento, ou uma curiosidade vinda do Kim, onde o mesmo só queria o levar para sua cama, afim de prova-lo e depois esquece-lo, como fizera com tantos.
E Taeyong não queria ser como eles.
Ele correu para casa, passando por seus pais na cozinha rapidamente, sentindo uma imensa vontade de chorar, mesmo que não entendesse nada daquilo. Sentiu-se desesperado ao pensar em como seria sua vida sem que Jaehyun estivesse nela, era estranho.
Baekhyun viu quando seu filho correu para dentro, decidiu parar tudo o que fazia para poder falar com ele.
Quando entrou no quarto, Taeyong estava jogado na cama chorando copiosamente, era uma cena de partir o coração de qualquer pai. Sentou-se ao lado dele na cama, onde rapidamente o mais novo se aninhou em seu colo, repousando a cabeça e continuando a chorar.
— O que aconteceu filho? — perguntou.
Taeyong ainda soluçou duas vezes.
— É o Jaehyun. — ele disse — Mas dessa vez é diferente, ele aparenta estar apaixonado, mas tenho medo que esteja mentindo pra mim.
Baekhyun revirou os olhos, já estava cansado de ouvir seu filho chorando pelos quatro cantos da casa por causa daquele alfa de nariz em pé. Puxou o filho para que ele se erguesse e olhasse pra ele, estava com uma cara nada boa.
— Já tá na hora de parar com isso, filho.
— Omma...
— Não, Taeyong, me escute. — o encarou sério enquanto segurava uma das mãos do filho — Kyungsoo é meu melhor amigo e Jaehyun pode até ser um bom garoto, mas o que ele faz com você é algo que eu mesmo não consigo entender, se ele apareceu agora com conversa de que gosta de você, não deveria confiar.
— Eu não confio.
— Dê o troco nele. — Baekhyun estava muito sério, expressão que Taeyong raramente via — Ele merece sofrer um pouquinho.
— O que eu devo fazer?
— Você mesmo não disse que ele se diz apaixonado agora? — o mais velho sorriu de lado, parecia gostar do que se passava em sua cabeça — Saia com outros alfas, o ignore, pareça interessado em outra pessoa, faça esse alfa arder em ciúmes.
— Mas isso não é meio c***l, Omma?
— c***l foi o que ele fez com você esse tempo todo, Jaehyun precisa entender que as coisas nem sempre são como ele quer.
[... Doçura de Beta ...]
— Está com saudades dele, não está?
Wheein o tirou de seus pensamentos no momento em que estava mais distraído. O movimento era fraco quando os barcos deixavam o porto, deixando tempo suficiente para que se despejasse na cozinha, apreciando o cheirinho da comida e observando enquanto a ômega cozinhava.
— Estou, mas não conta pra ele. — respondeu, um sorrisinho tímido brotava em seus lábios.
— Tem sido r**m dormir sozinho? — como sempre, as perguntas da menor não tinham nenhum limite, ela perguntava e ainda demorava para perceber que estava tocando em assuntos íntimos demais — Quer dizer, eu fico muito m*l quando Yongsun não está em casa.
Jungwoo havia ficado vermelho.
— Nós não vivemos juntos ainda.
— Oh, então vocês ainda estão na fase do cortejo? — ela se animou mais ainda, parando o que fazia — É que ele sempre vem te buscar, achei que fossem para casa juntos, seus pais não se incomodam que ele o leve para casa sempre? Quer dizer, eles podem pensar que estão fazendo coisas inapropriadas.
Se Lu Han soubesse era mais provável que ele o incentivasse, mas Jungwoo era virgem demais para pensar por esse lado. Era verdade, ele nem sequer havia comentado nada com seus pais, precisava dizer a eles que estava se relacionando com alguém, pois se Sehun soubesse pela boca de outra pessoa, acabaria se chateando ou tendo um acesso de ciúme.
— Meus pais não sabem que eu estou com o Lucas.
Wheein ficou surpresa.
— E por que ainda não contou pra eles?
— Eu não sei. — suspirou — Mas irei contar logo, quer dizer, quando o Lucas voltar irei apresenta-lo como... como meu futuro alfa.
A menor sorriu, parando diante dele e alisando seus cabelos.
— Noivo então?
— Ele não me pediu em casamento.
— Se ele pedisse você iria aceitar?
O beta abriu a boca para responder e a resposta não saiu. Se parasse para pensar ele já tinha aceitado Lucas como alfa, andava por aí com seu cheiro e não parava de pensar nele, tudo aquilo tinha um significado.
— Eu acho que aceitaria qualquer coisa que o Lucas me pedisse.