O sorriso no rosto de Lucas dizia tudo, em seus pensamentos a imagem de Jungwoo não saía, o gosto de seus beijos ainda estava em sua boca e cada vez que fechava os olhos podia sentir o toque dos dedos do beta em sua pele. Jungwoo era o seu sonho que agora estava sendo alcançado, aquela era a melhor das sensações, a que mais o deixava feliz. Ele estava bem.
— Deixa-me adivinhar. — a voz de Young Ho surgiu em suas costas, o mais velho largava um caixote próximo aos seus pés — Oh Jungwoo.
— Ele finalmente está baixando a guarda, não posso perder isso. — ele dizia, o sorriso bobo ainda estava ali — Estou muito feliz, não posso negar.
— E nem consegue. — riu o Zhang — Parece que as coisas são reais dessa vez.
Young Ho apontou com a cabeça, Jungwoo estava próximo do barco, o beta apertava os próprios dedos enquanto olhava para os dois com um sorriso pequeno e tímido. Lucas abriu um sorriso ainda mais largo, deixando o que fazia para descer ao encontro do Oh.
Só de encarar os seus olhos ele já se sentia mais feliz, era incrível a sensação que Jungwoo lhe trazia.
— Jungwoo.
— Me disse que partiria hoje cedo. — disse, olhava mais para os pés do que para o alfa — Pensei em vir me despedir, serão cinco dias e eu vou...
— Você vai?
— Vou sentir sua falta. — soltou, com quase todo o ar de seus pulmões — E eu queria te dar um abraço antes de ir.
Lucas o via de forma ainda mais meiga, betas não eram muito bons em parecer meigos e geralmente quando revelavam seu lado doce era porque confiavam de verdade no alfa. Aquilo deixava Lucas muito feliz, Jungwoo estava se abrindo pra ele de uma forma que ele não esperava ainda.
— Pode me dar quantos abraços quiser. — ele respondeu, rodeando seus braços pela cintura do beta e o trazendo para mais perto de seu corpo, podendo finalmente sentir o calor do corpo do menor — Pelo tempo que quiser.
Jungwoo também se sentia bem, era uma sensação que não sabia identificar, apenas sabia que era boa e que queria sentir mais e mais, o calor de Lucas o fazia se sentir querido por alguém, era muito diferente de abraçar um ômega, ser abraçado por um alfa era se sentir protegido, especialmente quando aquele alfa se tratava de alguém que descobrira gostar.
— O cheiro do cordão está fraco. — revelou, queria pedir que lhe dessa outra coisa, mas se sentia envergonhado em fazer isso, ter mais objetos de Lucas fortaleceria ainda mais a relação deles, o tornando ainda mais presente consigo.
— Se eu te der a minha capa, você irá usá-la?
Jungwoo abriu a boca, dependo de sua resposta as coisas poderiam mudar muito, afinal, usar a capa de um alfa durante o inverno era prova de que os dois se pertenciam. Ele estava tentado a aceitar, o tempo estava esfriando, mas não apenas por isso, ele queria aceitar Lucas de uma vez em sua vida.
— Lucas... — chamou seu nome, olhando de forma direta aos seus olhos — Isso é um cortejo?
— Nós faremos direito. — ele respondeu — Irei caçar por você.
Aquilo assustou Jungwoo, ele não esperava que as coisas seguissem por esse caminho, Lucas até então já era seu, ele não precisava se submeter a isso. Estava assustado porque não queria que Lucas se machucasse fazendo isso, não queria que ele partisse para algo desse tipo.
— Mas você não precisa fazer isso, eu já... — cortou o que dizia, estava quase confessando algo que nem ele mesmo entendia o que era.
— Você já...?
— Nada, deixa isso pra lá. — sorriu sem graça, desviando seu olhar — Só usarei sua capa se prometer que não irá para a caçada.
Agora era a vez de Lucas ficar surpreso, Jungwoo parecia muito decidido quando disse aquilo, com uma expressão que o alfa ainda não conhecia. O beta segurou em seu pulso, ainda encarava seus olhos de uma forma meio assustada.
— Por que isso agora?
— Porque isso não é necessário, Lucas, você... você não precisa me provar nada.
Os olhos de Jungwoo baixaram, ele olhava para tudo menos para Lucas. O alfa segurou em seu queixo, o fazendo olhar para ele novamente, mesmo que o beta ainda relutasse isso.
— Mas eu quero provar pros seus pais que sou forte para protege-lo, provar que mereço você. — ele parecia decidido demais, ao ponto de fazer Jungwoo recuar um pouco sobre seus próprios pensamentos sobre isso, não imaginava que a caçada era tão importante pro lúpus — Entende isso?
— Entendo.
O alfa se abaixou, deixando um beijo rápido nos lábios do Oh, que fez um bico de insatisfação.
— Vai passar 5 dias longe de mim e é apenas isso que me deixa como lembrança? — o beta reclamou, segurando nas roupas do mais alto.
Lucas não demorou para entender o recado, puxando o beta pela cintura novamente, finalmente colando seus lábios de forma devida, escorrendo sua língua para dentro da boca do Oh. Jungwoo descobrira cedo que gostava de ser beijado por Lucas, especialmente quando a mão dele o segurava daquela forma, aquilo o fazia sentir seguro, sentir que Lucas estava bem ali.
Que não estaria sozinho.
— Agora é uma boa lembrança?
— Quem sabe mais um possa deixar a minha mente mais clara.
O alfa sorriu e o beijou novamente, recebendo um sorriso aberto quando o soltou. Tirou um lenço que estava preso ao seu pulso, o prendendo no pulso do menor, um lenço cheio de seu cheiro.
— Em cinco dias, chegamos ao amanhecer.
— Estarei te esperando.
Lucas ainda selou seus lábios rapidamente antes de voltar para o barco, as lembranças dos beijos de despedida seriam suas companheiras durante o caminho, já estava ansioso pela volta.
No barco, já estava tudo pronto para partir, basicamente apenas esperavam por ele. Olhou para Young Ho, que estranhamente parecia aéreo demais, sentado no chão próximo à algumas cordas. Foi até onde ele estava, sentando-se ao seu lado.
— O que há com você?
O outro demorou para voltar de seus pensamentos.
— Sinto como se eu não devesse ir, como se tivesse algo de muito importante para fazer no vilarejo.
— Isso deve ser saudade. — o outro franziu o cenho — Do seu ômega, sabe, somos amigos desde criança, quando me contou o que estava acontecendo entre você e o seu primo eu demorei para acreditar na sua coragem, achei que Jongin fosse te matar cedo. — ele riu — Sente falta dele, não sente?
Young Ho suspirou.
— Não sei se é bem isso, mas eu sinto muita falta, é como se um pedaço meu fosse arrancado. Mas eu sei que tem algo a mais, só não consigo dizer que é.
[... Doçura de Beta ...]
Chittaphon se encolhia na pequena carroça, era desconfortável manter todos amontoados daquela maneira, mas era a única maneira de fugir daquilo, eles fariam. Jaehyun dirigia a carroça devagar para não os machucar, mas a pedras no caminho não deixavam de ser um imenso incômodo, além de, claro, o medo de acabar sendo descobertos. Chittaphon sentia seu coração na mão.
Não levaram muita coisa, aliás, praticamente nada. Dejun se sentia assustado diante de tudo aquilo, ele estava abandonando tudo para ficar com Kunhang, e Kunhang da mesma maneira abandonando tudo. Era tudo tão incerto, mas o que fazer quando se ama alguém com todas as suas forças?
— Podem erguer as cabeças, já estamos longe o suficiente.
Ouvir a voz de Jaehyun dizendo isso era um imenso alívio. Ambos ergueram as cabeças, ajeitando-se para poder se sentar de uma forma que fosse minimamente confortável, o caminho até a alcateia seria longo.
E foi, dia inteiro e pela noite, revezando quem guiaria a carroça, sendo que Jaehyun sempre precisava ficar de olho para não saírem da rota, por ser o que melhor conhecia o caminho, o faro já não ajudava muito, o tempo estava começando a resfriar e os primeiros flocos de neve já caíam.
Já clareava o dia quando avistaram o amontoado de casas do vilarejo, o sorriso de Chittaphon fora o primeiro a se abrir, era bom estar em casa de novo, quase saiu correndo quando os seus pés pisaram no chão. Mas respirou fundo, tinha uma longa história para explicar e ainda havia a chance de seu pai enlouquecer quando descobrisse que ele estava grávido.
— Vamos falar com o Appa. — Jaehyun dizia ao casal — Fiquem calmos, tudo dará certo.
Ambos concordaram com a cabeça, mas o medo era intenso. Entraram na casa, certamente Jongin estaria na sala onde resolvia os problemas da alcateia e recebia pessoas para tratarem de assuntos importantes, fora para lá que eles foram, abrindo a porta com cuidado e receio.
Assim que viu os quatro entrando na sala, os olhos de Jongin se alargaram e ele ficou de pé, afoito ao ver a expressão assustada de todos.
— Appa, é uma longa história. — Chittaphon fora o primeiro a falar, se enrolando em suas palavras, perdido em por onde começaria — Se o senhor tiver calma nós explicaremos tudo, não é tão fácil de entender.
— Kunhang e Dejun virão para nossa alcateia. — Jaehyun o interrompeu, parando diante de seu pai, ele aparentemente era o único calmo ali — Eles se amam e merecem ficar juntos, não haverá mais casamento.
Jongin sacudiu a cabeça, estava demorando para entender. Jaehyun ainda o encarava com o semblante calmo, enquanto os outros três permaneciam afoitos. O líder sentou em sua cadeira, passando a olhar o casal que que continuava de mãos dadas, passando confiança um ao outro, enquanto por dentro tremiam de medo de que nada pudesse convencer o Kim de deixa-los ficar.
— E me diz isso com tanta calma? — foi a primeira pergunta que fez — E quanto a você, Chittaphon, como enxerga isso?
O ômega abriu a boca, mas não conseguia dizer nada.
— Ele concorda. — seu irmão respondeu por ele — Chittaphon nunca quis se casar, estava fazendo isso pelo senhor, pela aliança.
Jongin abriu a boca perplexo pela informação, não esperava ouvir isso. Ficou de pé, passando para mais perto do casal, que quase deram um passo para trás. Jongin os olhava, os deixando ainda mais aterrorizados com a situação.
— Appa. — Chittaphon finalmente abrira a boca — Por favor, deixe que eles fiquem aqui, o pai de Kunhang não é um homem bom, pode tentar fazer algum m*l a eles.
O Kim suspirou, sempre fora r**m em negar algo aos filhos.
— Eles podem ficar. — Ambos comemoraram soltando o ar preso nos pulmões. — Podem ficar na velha cabana em que morávamos, ela ainda está em um bom estado.
— Obrigado senhor. — Kunhang se curvou juntamente com Dejun, estavam tão felizes — Nunca iremos esquecer o que fez por nós.
Jongin apenas assentiu com a cabeça, sorrindo pouco.
Os três deixaram a sala de Jongin, passando para recolher as coisas na carroça, Jaehyun os levaria para a velha cabana, seria um bom lugar para um começo novo. Chittaphon ficou em casa, passando a procurar seu omma por toda a casa, precisava contar tudo para ele de uma vez por todas.
Acabou por encontra-lo no quarto, já correndo em direção aos braços de seu omma.
— Filho, o que houve? — Kyungsoo demonstrou preocupação assim que o viu — Por que está em casa?
— Omma, eu estou grávido do Young Ho.