Jaehyun continuou escondido até que Kunhang saísse, passara a noite no estábulo que ficava nos fundos da casa e por sorte o noivo de seu irmão não o viu quando pegou o cavalo naquela manhã. Entrou pela porta da cozinha, onde encontrou Chittaphon sentado em uma das cadeiras, o ômega estava cortando algumas carnes, se assustando ao perceber seu irmão parado na cozinha.
— Jaehyun? — a principio nem acreditava no que via — O que está fazendo aqui?
O ômega ficou de pé, sendo abraçado por seu irmão.
— Fiquei preocupado. — ele disse, enquanto o afastava para olhar seu rosto — Taeyong não confia em Kunhang e muito menos na família dele, ele me pediu para vir e ver como você estava.
Chittaphon abriu a boca, ficara surpreso.
— Desde quando faz o que Taeyong pede?
O alfa ficou sem resposta, não poderia simplesmente confessar que não conseguia mais negar nada ao ômega, que seu coração acelerava só de dizer o seu nome e que já estava com saudades de seus cabelos ruivos e olhos tão bonitos. Mas um sorriso nasceu bobo em seu rosto, fazendo o outro ficar desconfiado.
— Ele tinha suas razões em não confiar. — deu por resposta — Mas você está bem? Juro que se ele tiver te maltratado eu-
— Estou bem! — o interrompeu — Escute, Jaehyun, você pode nos ajudar.
— Ajudar?
— Vamos fugir. — o alfa alargou os olhos, mas o menor continuou antes que ele disse qualquer coisa — Quer dizer, ele pretende fugir para longe com outro ômega, eu vou voltar para casa.
Jaehyun procurou uma das cadeiras da mesa para se sentar, aquela história não estava sendo digerida com muita facilidade por ele, sequer fazia algum sentido em sua cabeça. Chittaphon se sentou também, segurando as mãos do alfa, pois sabia que aquela história precisava ser muito bem explicada para conseguir que Jaehyun ajudasse.
— Entenda, Jaehyun, Kunhang ama outra pessoa e quer viver com ele, ele não me quer como seu ômega, tudo isso é coisa do pai dele. — começou — Pretendemos ir embora amanhã antes do amanhecer, quando todos ainda estiverem dormindo, ele vai para longe, mas vai me deixar em um lugar próximo de nossa alcateia para que eu possa ir para casa.
— Mas eles têm para onde ir?
— Ele me disse que ainda não tem. — o respondeu — Mas qualquer lugar é melhor do que aqui.
O alfa parou para pensar, fugir com alguém por amor estranhamente lhe pareceu algo justo. Jaehyun se sentia mais sensível, até sorriu quando por um segundo se imaginou fazendo o mesmo com Taeyong. Balançou a cabeça, precisava manter o foco naquele momento. Fugir sem ter para onde ir não era bom, Kunhang precisava usar mais a cabeça antes de simplesmente sair da própria vila a mercê da sorte.
— E como você está com isso?
— Bem. — mordeu a parte interna da bochecha — Não me incomodo, não estava animado com esse casamento.
Jaehyun segurou com força uma das mãos de seu irmão, ele sabia tudo a respeito de seu envolvimento com Young Ho, sabia o quanto os dois eram apegados um ao outro, afinal, se tratava de um relacionamento que perdurava por anos. Kim Jaehyun não era insensível ao ponto de não perceber o quanto os dois se gostavam, era notável que havia sentimento ali, além da teimosia.
— Só tenho medo pelo Appa, ele pode não gostar.
— Appa quer que sejamos felizes, tenho certeza que ele apenas o receberá de braços abertos.
— Você acha?
— Chittaphon, não aja como se não conhecesse o nosso pai. — ele suspirou, Jaehyun sempre fora muito próximo de seu irmão, por mais que muitas vezes brigassem por bobagens, ele sempre seria seu irmãozinho protegido, de quem sempre teve ciúmes e sempre amou muito — Ele te ama muito, quando voltar será como se nada tivesse acontecido, tenho certeza que logo você estará nos cortejos de inverno, se casará e será feliz, não vai mais nem lembrar disso.
O menor sorriu, Jaehyun sabia animar alguém quando queria.
— Jaehyun...
— Acho que sei o que fazer. — ele disse — Vamos acolher Kunhang e o ômega dele em nossa alcateia, se contarmos a verdade para o Appa eu tenho certeza que ele os acolherá e dará proteção.
— Você acha?
— Bem, se pedirmos para o Omma convencê-lo... — Jaehyun mostrou um sorriso ladino — Eu nunca vi o Appa negar nada ao Omma.
[... Doçura de Beta ...]
— Precisamos manter a pureza de SiCheng.
Yifan soltara no meio do jantar, fazendo o pequeno ômega quase cuspir o que tinha na boca. Lucas, que havia ido jantar com a família naquela noite, olhou de relance para o pai e em seguida para seu irmão, que mantinha os olhos alargados enquanto encava o patriarca.
— Talvez seja uma boa hora para ele se casar. — Zitao se pronunciara, fazendo o filho ômega ficar ainda mais atônito na conversa — Ele ainda é bem jovem, mas não vejo problema em que se case agora, será até melhor que comece cedo a formar uma família, pretendentes é o que não vão faltar.
— O que acha disso, YukHei?
O mais velho dos irmãos parou de comer, engolindo rapidamente para que pudesse responder, tão rápido que chegou a doer em sua garganta.
— Acho que Cheng já tem alguém.
Todos na mesa voltaram seus olhos ao pequeno ômega, que bebia um pouco de água como quem tentava disfarçar. Yifan não tinha uma cara boa, encarando o filho já pronto para se erguer da mesa assim que ouvisse um nome. Zitao por sua vez estava preocupado, se preparando para segurar o marido caso ele tentasse algo. Não havia nada no mundo que assustasse mais alguém do que conhecer o ciúme de Wu Yifan e quando o assunto era SiCheng, as coisas eram ainda mais delicadas.
— SiCheng. — foi a única coisa que ele disse.
— Eu não tenho ninguém. — o ômega dera para trás.
A verdade era que Yuta nunca lhe dera uma resposta concreta, nunca o tocara e muito menos lhe disse com todas as letras de que o escolheria para ser seu ômega. Yuta parecia fugir, nos últimos dias m*l se falaram e as coisas aparentemente não estava bem, a verdade era que SiCheng queria muito Yuta, mas Yuta não parecia o querer na mesma intensidade.
— Tem certeza disso, Cheng? — Lucas ainda insistira.
— Tenho. — a resposta veio meio incerta, mas veio, o ômega mordia os lábios.
Yifan ainda permanecia desconfiado com aquilo, mas acabou se contendo, era óbvio que havia algo de errado com o ômega, mas ele não podia fazer nada para arrancar a verdade. Zitao podia ver que SiCheng parecia magoado com algo, anotara mentalmente que iria conversar com ele mais tarde e saber direitinho o que estava acontecendo com seu filho, não gostava de ver nem um pouco aquele rostinho triste.
— Sendo assim. — aquelas duas palavras vindas de Yifan assustavam, pois sempre vinham de uma decisão forte — Procurarei um bom noivo para SiCheng, quanto mais cedo ele se casar será melhor.
— Tem certeza disso, querido? — Zitao veio a intervir, não acreditava que era uma boa hora.
— O único que pode se recusar a isso é o SiCheng. — foi sensível ao dizer — Tem algo contra, filho?
SiCheng até tinha, mas ao mesmo tempo estava magoado demais com Yuta para dizer que tinha algo contra um casamento. Mais cedo ou mais tarde ele se casaria, era melhor que fosse cedo, pois quanto mais o tempo passasse, mais o sentimento que nutria pelo Zhang o perturbaria.
E Yuta não sentia o mesmo.
— Não, Appa, eu não tenho nada contra.
Lucas viu ali que havia algo muito errado acontecendo.
Depois do jantar o alfa pulou a cerca indo para os fundos da casa vizinha, para o estábulo, onde sabia que Yuta estava. Precisava entender o que estava acontecendo entre ele e seu irmão e não deixaria isso para depois, pois aparentemente quem estava sofrendo mais com aquilo era SiCheng.
Como o esperado, o Zhang estava deitado no feno, sozinho.
— Precisamos conversar. — disse o lúpus, fazendo Yuta se erguer sem entender direito.
Lucas sentou-se ao seu lado, afundando no feno por ser mais pesado. Yuta se ajeitou, ainda confuso sobre a visita do Wu.
— Aconteceu alguma coisa?
— É você quem tem que me responder isso. — disse — O que aconteceu entre você e o meu irmão?
— Ah... isso.
O mais procurou resposta, porém não sabia por onde começar. As coisas entre ele e SiCheng nunca foram explicadas, elas simplesmente passaram a existir de uma forma sem explicação, como algo que não teve nenhuma data de começo, ou melhor, como algo que ninguém sabia se realmente existia.
— Meu irmão é completamente apaixonado por você desde criança, mas você não parece corresponder da mesma forma.
Era verdade, não tinha como negar.
— SiCheng é muito intenso. — suspirou — Ele nunca parou para perguntar o que eu sentia, apenas continuou com isso, aliás, ninguém nunca perguntou.
Isso também era verdade. Todos sempre foram muito atentos ao que SiCheng queria, ao que SiCheng sentia e a não ferir SiCheng, mas ninguém nunca se perguntou o que se passava na cabeça de Yuta, se ele realmente estava pronto para ter SiCheng, se realmente queria aquilo.
— Então você não gosta dele?
— Não é isso. — respondeu, soltando mais um suspiro — Eu só não quero me envolver dessa forma agora. Eu respeito muito o seu irmão, muito menos, quero que ele fique bem, eu não quero simplesmente usa-lo como se ele fosse um qualquer.
Lucas riu.
— Você é muito sério, Yuta. — o disse — Bem, meu pai está procurando um noivo para SiCheng, a única chance que meu irmão tem de viver uma aventura é agora, você pode ter certeza de que essa é uma das coisas que ele mais quer.
— Viver uma aventura?
— SiCheng sempre foi muito preso, ele precisa de alguém que lhe mostre a vida como ela é, mas essa pessoa não pode ser eu.
Yuta não entendia.
— Mas eu não quero iludir o seu irmão, se SiCheng está apaixonado o melhor para ele é ficar longe de mim, permanecer com ele só irá lhe fazer m*l.
— Somente o tempo é quem responde as perguntas. — o alfa mais velho se ergueu — Tanto os seus sentimentos quanto os de SiCheng podem mudar, vivam a aventura de vocês, apenas isto.
Ao terminar de falar Lucas seguiu de volta para casa. Encontrou SiCheng em seu quarto com Chenle, o ômega estava escovando os cabelos loiros do irmão, que praticamente dormia sentado. Ainda ficou um bom tempo parado olhando pela fresta da porta, SiCheng era mesmo muito bonito, exalava sua pureza e bondade, um bom ômega para se ter pelo resto da vida.
Yuta tinha sorte de ter o seu amor, mas os dois ainda tinham muito o que aprender um com ou outro, pelo tempo que ainda tinham.
Deixou a casa de seus pais, retornando para sua cabana, mas não sem antes ir pelo caminho mais longo, onde podia passar pelo trabalho de Jungwoo e o acompanhar até em casa. Era tarde, chegaria bem na hora de o encontrar do lado de fora.
Como o esperado, Jungwoo já estava do lado de fora, estranhamente o beta olhava para os lados como se procurasse alguém, ao se aproximar o menor sorriu e deu dois passos em sua direção.
— Lucas, você demorou hoje.
— Estava me esperando?
— Mas é claro que estava! — respondeu como se fosse o óbvio — Queria que eu voltasse para casa sozinho?
Estranhou, mas por hora não reclamou. O beta acenou para os de dentro se despedindo e ainda avisando que Lucas havia chegados. Passou a caminhar ao seu lado em silêncio, mas o estranho daquilo era que ele estava muito próximo, uma aproximação que em muitos momentos ele próprio evitava.
Lucas parou de andar.
— O que foi? — o beta perguntou.
— Eu é quem pergunto. — retrucou — Você está estranho, me diga logo o que está havendo.
O beta coçou o rosto, se sentiu envergonhado por aquele momento, mas sabia que não podia negar a verdade, afinal, se alguém de seu trabalho viesse a perguntar algo para Lucas, tudo seria jogado de uma vez na cara do alfa, o que poderia não acabar bem para ele.
— É que... — se enrolou — É que no meu trabalho todos pensam que você é o meu alfa, ou que pelo menos estamos em algum tipo de relacionamento.
Lucas segurou no braço de Jungwoo, mas sem força para não machucá-lo. O beta alargou seus olhos, mas não teve nenhuma reação quando o mais alto segurou em sua cintura.
— O que sente? — ele perguntou.
— Eu me sinto nervoso. — falou a verdade.
— Como vai se sentir se eu te beijar?
— Só vou saber quando me beijar.
O alfa colocou a mão que segurava de Jungwoo em seu ombro, o menor acariciou seu cabelo e sorriu pequeno. Lucas selou seus lábios aos dele rapidamente e depois se afastou, fazendo a mesma coisa três vezes antes de deixa-los por mais tempo. Os olhos do Oh estavam bem trançadinhos quando ele se rendeu naquele toque, deixando que a língua do alfa escorresse para dentro de sua boca livremente e provasse de seu gosto.
Os beijos de Lucas eram muito bons e ele podia sentir um formigamento nos pés quando o beijava, por mais que não entendesse que sensação era aquela.
Jungwoo estava ofegante quando se afastaram.
— O que sente agora? — o alfa perguntou.
— Eu sinto muitas coisas.
— Algumas delas é boa?
— A maioria delas.
Lucas entrelaçou seus dedos aos dedos do beta, voltando a caminhar ao seu lado. O menor ficou em silêncio por alguns minutos, a noite estava um pouco fria, mas a mão de Lucas ao redor da sua estava quentinha e por um segundo o beta desejou ter um pouco mais daquele calor.
Os dois pararam mais uma vez diante da casa do menor, que mais uma vez subiu no degrau afim de ficar mais próximo à altura do alfa.
— Lucas. — quando o alfa se virou para ir embora, Jungwoo segurou em suas roupas o impedindo — Eu quero... falar com você.
— Pode falar.
— Queria te agradecer por ser tão bom pra mim. — ele disse com um pequeno sorriso, olhava para os pés — Sei que muitas vezes parece que estou me aproveitando do seu sentimento, mas quero que saiba que isso não é verdade, que eu realmente aprecio sua companhia, que gosto de te ter por perto, não apenas por sua proteção, mas porque eu realmente gosto de você.
— De que forma gosta de mim?
O beta puxou ar para os pulmões. Segurou com mais força as roupas do Wu e o puxou para mais perto, até conseguir juntar seus lábios aos dele novamente, os prensando por alguns segundos e depois se afastando do mesmo, com seus olhos ainda fixos nos seus.
— Eu não consigo entender esse sentimento, só sei que sinto e quero te ter por perto. Mas eu sou complicado demais e tenho medo de nada dar certo, vá devagar comigo, Lucas, que as coisas podem chegar a dar certo.
As mãos do beta ainda o seguravam pelas roupas e o alfa pôs suas mãos sobre as dele.
— Eu nunca te machucaria, sou louco por ti.
Jungwoo o abraçou de repetente, surpreendendo o alfa que logo retribuiu o abraço. Sentia seu coração se aquecer e se encher de esperanças quanto ao beta, parecia que finalmente as coisas estavam ganhando forma e ele estava ganhando Jungwoo para si. Seu beta tão amado.
— Lucas... — sussurrou.
— Jungwoo... — sussurrou de volta.
[... Doçura de Beta ...]
Chittaphon conheceu Dejun, o ômega pelo qual Kunhang havia se apaixonado e, de fato, o ômega era mesmo muito bonito e dono de um sorriso muito doce. Naquela noite todos os envolvidos se reuniram na casa para saber o que fazer, aparentemente Jaehyun era muito bom em arquitetar planos, ele havia passado o dia buscando uma forma melhor de tirar todos ali, até começara a pôr parte do plano em prática.
— Saímos pela manhã, quando os mercadores estiverem transitando para todos os lados. — o alfa Kim começara a falar, desenhando com os dedos, como era de sua mania — Usaremos a carroça, eu guio o cavalo enquanto vocês três ficam escondidos debaixo de alguns panos e feno, ninguém no vilarejo me conhece, então será mais fácil.
— Tem certeza de que será seguro ir para sua alcateia? — Kunhang ainda não parecia convencido.
— Vocês têm a minha palavra de que ficarão seguros.
Naquela noite Dejun dormiu na casa com Kunhang, Jaehyun dormiu no quarto ao lado com seu irmão. Para falar a verdade apenas Jaehyun dormiu, porque os demais estavam nervosos demais para pregar os olhos.
No quarto principal Kunhang tentava acalmar Dejun, o ômega estava muito aflito quanto à fuga, não conseguia pregar o olho e nem parar quieto, andava de um lado para o outro e não parava sequer para se sentar por um segundo.
— Meu amor, ficará tudo bem, venha se deitar.
Dejun suspirou alto antes de se sentar na cama, sendo abraçado pelas costas. O alfa escorou sua cabeça em seu ombro e beijou seu queixo. O ômega suspirou mais uma vez, amolecendo nos braços do maior.
— Estou com medo. — confessou.
— Não precisa ter medo, eu sempre protegerei você. — o alfa o apertou mais forte — Faremos nossa vida na alcateia deles.
— Mas e se o líder não nos aceitar?
— Seus filhos nos garantem que é, então vamos acreditar.
Dejun finalmente se deitou, se aninhando no peito do alfa para poder descansar. A palpitação do mesmo estava bastante acelerada, era bom de ouvir, pois Dejun sabia que cada batida daquela declarava o seu amor. Kunhang estava deixando tudo por ele, ele se tornaria o líder daquela alcateia, mas nada teria significado se não pudesse ter Dejun consigo, porque Dejun era o seu tudo, era quem mais amava, por quem faria o impossível.
— Kunhang. — o chamou — Eu te amo.
O alfa alisou os cabelos do menor, sentindo seu aroma se espalhar pelo quarto, o cheiro de Dejun sempre fora o seu favorito, ele sempre o amaria.
— Me desculpe por isso, Dejun. — pediu em um sussurro — Eu te prometi o mundo, mas não chego nem perto disso.
— O importante é estarmos juntos, Kunhang. — sussurrou de volta — Se estiver com você eu estarei feliz.