Depois do retorno de Jaehyun as coisas pareceram estar ainda piores, as visitas de Taeyong diminuíram, o ômega evitava ir a casa de seu melhor amigo para evitar ter contato com o alfa, algo que Chittaphon constantemente reclamava e por mais que não gostasse nenhum pouco de ficar sem as visitas de Taeyong, o ômega mais velho não tinha o direito de interferir nas decisões dele.
Mas naquela tarde ele havia ido e Jaehyun havia o visto, era tudo muito estranho. Sempre que o avistava, o alfa se sentia... feliz, mas ao se afastar aquela felicidade súbita simplesmente desaparecia na mesma velocidade, como se só tivesse o direito de senti-la quando estava perto do Park, aquilo era de longe o mais estranho.
Seu cheiro havia se normalizado e o mesmo voltou ao trabalho. Estava mais aéreo, parecia perdido demais em pensamentos em alguns instantes, algo que podia ser facilmente notado a todo momento por quem o conhecesse, especialmente por aqueles que passavam mais tempo por perto.
— Jaehyun. — Minhyuk o interrompera durante o serviço, ao notar o que fazia o alfa acreditou que seria mais uma reclamação, mas ao notar a expressão no rosto de seu irmão pode ver que ele parecia estar curioso sobre algo, aquela mesma expressão que o beta fazia quando iria perguntar algo ou chama-lo para uma conversa — Posso falar com você por um instante?
Largou o que fazia e seguiu o mais velho por onde ele ia. Acabaram por chegar aos fundos da oficina, notou que a conversa seria um pouco longa ao ver o beta se sentar no chão de terra batida. Sentou-se ao seu lado.
— Algum problema? — o alfa perguntou.
— Eu é quem pergunto. — retorquiu — Está estranho, acabou de voltar de cio e mais se parece que voltou de uma guerra.
Jaehyun suspirou, era tudo nítido, estava aos pedaços e isso não se tratava de seu corpo e sim de sua postura e expressões, não estava agindo como sempre agia, ele estava muito estranho, estava inquieto e agitado, quase como se sentisse dor ou agonia interna.
Chegava a assustar.
— Eu não...
— Não invente nada, Jaehyun, eu te conheço o suficiente para saber quando mente.
O alfa suspirou, metendo a cabeça entre os joelhos.
— Estou insaciado. — soltou a resposta em um sussurro, para um alfa, dizer aquilo era humilhante — Nada mais me satisfaz e quanto mais eu fico com ômegas ou betas, pior eu me sinto, parece que tem algo queimando dentro do meu peito, não consigo entender isso.
Por alguns segundos Minhyuk ficou em silêncio, parecia estar pensando em algo. Jaehyun sabia que quando ser irmão fazia aquela expressão era porque tentava lembrar-se de alguma coisa. Minhyuk se tornara muito bom em entender algumas coisas que pareciam sem explicação, principalmente depois que avó Bom retornou para o vilarejo e o mesmo passou a passar grandes períodos com ela, aprendendo um pouco mais de seu mundo e ouvindo suas histórias, fora assim até o dia de sua morte.
— Jaehyun. — pareceu ter se lembrado de algo, mas não parecia muito confiante — Não, acho que não...
— Você sabe o que pode ser isso? — o alfa se exasperou por um instante — Eu posso estar doente, Minhyuk!
O beta pôs as mãos à frente do corpo, fazendo sinal para que o mais novo se acalmasse.
— Olha. — hesitou — Você tem que falar a verdade, está bem?
Jaehyun se calou, Minhyuk sempre fora calmo demais para que o acompanhasse, o deixava nervoso em alguns momentos, o alfa estava se sentindo agoniado, queria entender logo o que estava havendo com seu corpo, não aguentava mais sentir aquilo.
— Quando foi a última vez que se sentiu bem quando tocou em algum ômega?
O mais alto parou para pensar, vasculhava em sua mente algum momento ou alguém que lhe tenha sido agradável, mas todas as últimas vezes lhe pareceram estranhas. Suspirou. Todos os ômegas pareciam ser apenas metade do que ele precisava, como se tocasse em alguém ao qual nunca pudesse pertencer. Ele estava pela metade, fazendo pela metade.
Sua mente vagou até chegar em um beijo, um beijo que pareceu valer mais do que qualquer uma dessas noites, lembrança esta que o fez automaticamente ficar feliz.
— Você sorriu. — o beta o acusou — Em quem pensou?
Jaehyun contraiu os músculos, parecia mais com uma resposta desagradável.
— Jaehyun, não minta, isso é importante.
— Eu beijei um ômega há algumas noites, depois disto tudo pareceu desagradável, ele é minha última memória... feliz.
O beta analisou por alguns segundos, suspirou, sabia que seria complicado que Jaehyun entendesse, seu irmão era de longe o ser mais cabeça dura que conhecia, além de que algo do tipo poderia significar o fim de algo que ele gostava muito. Suspirou de novo, provavelmente acabaria sobrando pra ele, era o mais próximo de Jaehyun, a pessoa em quem ele mais confiava.
— Não perca esse ômega de vista, ele pode ser sua alma gêmea.
[... Doçura de Beta ...]
Jungwoo servia as mesas um pouco distraído, esteve pensando em muitas coisas nos últimos dias, onde todos os pensamentos sempre iam parar em Lucas, os olhos brilhantes e o sorriso fácil do alfa pareciam grudados em sua mente, de uma forma complicada de sair. Suspirou, aquela batalha ele parecia ter perdido, Lucas estava ganhando espaço, essa era a verdade.
Sempre saía tarde do trabalho, mas o caminho de volta não apresentava perigo nenhum, aparentemente o amuleto ainda tinha muita sorte, nenhum alfa se aproximava com intenção r**m e pôde presenciar alguns deles recuando quando sentiam o cheiro de Lucas em Jungwoo. O respeito — ou medo — que os alfas tinham do Wu chegava a impressionar e ao mesmo tempo o assustar, era como se Lucas fosse um ser invencível, a qual todos preferiam não enfrentar, ninguém queria ter problemas com ele.
Esse era mais um motivo para qualquer um querer se casar com ele, a segurança.
Mas o que poderia acontecer caso o controle acabasse? Haviam boatos de que há alguns anos o pai de Lucas, Yifan, havia espancado três alfas que haviam desrespeitado seu ômega. Esse era o ponto fraco de um lúpus, seus sentimentos, Yifan perdeu o controle quando alguém tentou machucar o ômega que ele amava, então Lucas poderia perder o controle se alguém tentasse o mesmo?
Ele era a pessoa que Lucas amava, era por ele que o alfa podia perder o controle.
— YukHei pode perder o controle por mim? — pensou alto.
— Eu não quero estar por perto quando isso acontecer. — ouviu uma risada baixa por perto, ao virar-se notou que era Wheein, uma das ômegas que trabalhava na cozinha do local, ela estava a limpar o que ainda faltava, mas ouvira os pensamentos altos de Jungwoo.
Ele costumava ficar para ajudar na limpeza quando já estavam fechando, havia conversado com ela algumas poucas vezes, mas não eram muito próximos, apenas sabia que Wheein era uma ômega jovem que havia se casado há pouco tempo, vira sua alfa algumas vezes, mas apenas de relance quando as mesmas já estavam indo embora.
— Terminou tudo aí? — ela perguntou enquanto lavava as mãos.
— Sim.
O beta enxugou-se nos panos limpos que estavam pendurados, finalmente chegara a hora de voltar para casa, a rotina era um pouco cansativa, mas ele se sentia satisfeito.
— Não deveria se preocupar quanto a isto, Lucas parece ser bastante controlado. — ela disse, em sua cabeça estava tentando acalmar um possível medo do beta, era engraçado porque a maioria ali acreditava que Jungwoo estava mesmo em um relacionamento com Lucas.
O beta também não havia feito questão de negar, por mais que acreditasse que devesse ter dito logo de cara, mas o fato de se sentir seguro com isso o fazia ficar quieto.
— Espero que seja mesmo, não quero que sobre pra mim. — deu uma risadinha, sendo acompanho pela ômega.
Ouvira um barulho de alguém entrando, em seguida uma cabeleira loira surgir na cozinha.
— Wheein, você está... — a mulher parou de falar no instante em que viu — Ah, está aqui... com um beta.
A expressão da mulher loira ficou dura por alguns segundos, pôde ver suas narinas se abrirem como se farejasse o ar, depois disto sua expressão se amenizou.
— Ah, Sun! — a ômega abriu um imenso sorriso indo para perto da alfa — Este é Jungwoo, ele trabalha aqui comigo.
A mais alta abriu um sorriso gentil, se curvando levemente para o beta.
— Jungwoo, esta é Yongsun, minha alfa. — Wheein estava muito animada, sua expressão apaixonada era bem intima sempre que olhava para a mais alto. Era bonito de se ver — Nós temos que ir.
Depois de acenar para ele, Wheein foi embora com Yongsun. Jungwoo ainda ficou na cozinha por alguns minutos, tirando uma sujeira que havia ficado presa em suas unhas, ele sempre fora do tipo que ligava muito para a sua própria limpeza, chegava a ser chato em alguns momentos.
Quando saiu, passou pelo balcão, encontrando Lucas conversando com o Sr. Lee, dono do estabelecimento. Lucas aparecia algumas vezes por lá, na maioria das vezes para conversar com o velho, por mais que em alguns instantes visse o alfa olhando para ele, pelo menos ele não interferia em seu trabalho.
— Ah, olá Lucas. — cumprimentou ao passar ao seu lado, mas não parou.
Saiu do local, mas sequer deu dez passos para fora que ouviu alguém vindo atrás dele, por um mero segundo um sorriso pequeno surgiu nos lábios do beta.
— Espere, eu te acompanho até em casa.
Foi a primeira vez que Lucas viu Jungwoo concordar sem nenhuma teimosia, o que ao seu ver fora um avanço inesperado, o beta sempre dizia que não precisava acompanha-lo, que estaria seguro sozinho. Passou a andar ao seu lado na mesma velocidade, no começo houve apenas o silêncio entre ambos.
Jungwoo parou por um momento para pensar no que a companhia de Lucas significava, não era desagradável, pra falar a verdade era até bom tê-lo por perto, ele tinha uma aura boa, calma. Lucas estava quieto, apenas o fato de sua companhia ter sido aceita já o deixava feliz.
— O Sr. Lee me perguntou que tipo de relação eu tinha com você. — o beta soltou em algum momento, achava que já estava na hora de ter qualquer conversa com o alfa, aproximar-se e conhece-lo nem que fosse um pouquinho — Eu disse a ele que não sabia ao certo.
Lucas franziu o cenho, não era bem a resposta que esperava.
— E por que disse isso?
O beta engoliu a saliva com força, era difícil de explicar.
— É que... — mordera o lábio inferior — Você disse que me amava, isso muda nossa relação, não muda?
O alfa abriu a boca para falar, mas não tina ideia do que dizer, ouvir Jungwoo dizendo aquilo era uma enorme brecha, tempos atrás ele simplesmente diria que não havia nada entre eles, mas agora o beta parecia estar diferente, parecia estar tentando entender seu sentimento. Lucas não esperava aquilo.
— É você quem decide se muda ou não, a minha resposta você já conhece.
Jungwoo mordeu a parte interna de sua bochecha, Lucas sempre acabava falando algo que o deixava daquela forma, sempre reafirmava o que sentia e isso estava começando a derrubar as paredes do beta. Lucas era um bom alfa, isso era óbvio, o que mais ele precisava?
O beta parou de andar.
— Lucas... — o chamou — Você... eu não quero te dar esperanças, sendo que nem mesmo eu sei o que sinto, não sei se um dia vou gostar de verdade de você, eu só sei que... eu não te vejo como vejo os outros, você é um alfa bom e me respeita e eu gosto disso, gosto de estar com você.
Os dois já estavam diante da porta da casa do beta, o menor até mesmo havia subido os degraus da entrada para poder ficar mais perto da altura do alfa, mas não adiantava muita coisa. Lucas segurou suas mãos com um sorriso pequeno nos lábios.
— Leve o tempo que precisar, eu espero.
O alfa beijou suas duas mãos e foi embora, deixando Jungwoo com uma palpitação pequena e uma dúvida: o que havia mudado em si próprio?
[... Doçura de Beta ...]
Chittaphon suspirou pesadamente, o terrível dia havia chegado e sentia que não estava nenhum pouco preparado para isso, sua única vontade era de sair correndo para o mais longe possível. Naquela manhã seu lobo se sentira desamparado, abandonado e rejeitado, fora a pior sensação de todas.
Taeyong não saiu de perto, segurando a sua mão a maior parte do tempo, também estava triste.
— Você precisa parar de chorar, Chitta, vai ficar tudo bem.
Chorando. Taeyong nunca havia visto seu amigo chorar tanto quanto naquele dia. Aquele maldito dia. Tudo parecia ter desabado sobre sua cabeça e aquilo que ele imaginou que seria simples, se tornara o maior problema de sua vida. Ele descobriria, sua vida estava acabada e era orgulhoso demais para simplesmente contar a verdade, o real motivo de tanto desespero.
Era tudo culpa de Young Ho.
— Ele não gosta mais de mim, tenho certeza de que estava nos braços de outro e por isso não foi me ver, ele precisava saber disso, era a nossa única chance de ficarmos juntos, mas ele me ignorou como se eu não significasse nada e agora estou caminhando pra algo que vai dar totalmente errado!
— Por que não conta pro tio Kyungsoo? Ele pode resolver tudo rapidamente, eu tenho certeza que os seus pais não vão deixar que as coisas fiquem simplesmente assim.
O mais velho enxugou suas lágrimas sentando-se na cama, seu rosto estava muito vermelho.
— Eu me meti nesse problema sozinho, Tae, então tenho que sair só.
— Mas...
— Não se preocupe, talvez eu tenha a sorte de Kunhang ser um alfa muito compreensível e gentil, talvez ele crie o filho que Young Ho não fez nem questão de saber que existe.