OITO: Me Tenha Como Seu

2167 Palavras
Yuta suspirou ao sentir duas mãos pequenas o tocando, ainda se perguntava por quanto tempo aquilo duraria. SiCheng o abraçava pelas costas, descendo suas mãos de uma maneira onde a vergonha parecia ter sido esquecida. Se o ômega descesse mais alguns meros centímetros, ele já não saberia mais como lidar aquilo. A verdade era que Wu SiCheng estava destroçando toda a sua sanidade, pedacinho por pedacinho. — Não faça isso, Cheng. — retirou as mãos do ômega de cima de seu corpo, até evitava olhar muito para ele, a beleza de SiCheng por si só já era perigosa. O menor chispou os lábios, dando a volta do Zhang e parando diante de seus olhos, já empurrando o fecho de feno que o mesmo carregava. Quando o lúpus queria algo, parecia ser impossível de tirar de sua cabeça, pelo visto, esse “algo” era Yuta e o alfa sabia que aquilo poderia acabar m*l. — Por que não? — Já conversamos sobre isso. — suspirou novamente, aquilo já estava se tornando cansativo — Não vou fazer nada que faça com que se arrependa depois. O alfa catou o fecho novamente, passou pelo ômega indo na direção dos cavalos, mas o menor ainda estava em seu encalço, insistindo naquela ideia como se fosse a coisa mais simples do mundo e poderia até ser, se fossem as circunstancias e os indivíduos presentes nela. — Mas eu não vou me arrepender. — bateu o pé — Eu quero fazer amor com você, Yuta, só com você. Yuta largou o que fazia, sentou-se em uma caixa de madeira que havia por ali, com SiCheng ainda em sua frente o encarando como se esperasse por alguma coisa. O alfa estendeu seus braços alcançando o menor e o puxando para si, para que se sentasse em seu colo. SiCheng olhou para o seu rosto, apertou seu pulso. Yuta pôs a mão em sua nuca e a desceu por seus cabelos, deixando uma mecha atrás de sua orelha. — Cheng, não faço nada com você porque te respeito. — disse — Não quero que faça nada no calor do momento ou simplesmente porque acha que tem que fazer. SiCheng levantou o rosto, entrelaçou seus dedos aos do alfa. Sua expressão mudou novamente, parecia mais calmo. — Agora não? — Agora não. — respondeu, um sorriso simples surgiu em seus lábios — Mas se daqui há um tempo, você sentir que quer ter essa experiência, procure alguém em quem confie, não faça com qualquer um. O menor se remexeu, voltando suas mãos para o rosto do alfa. Chegava a ser hipnotizante quando ele fazia aquilo, focar o rosto de um ômega tão bonito deixava qualquer alfa zonzo e completamente perdido, precisava prender a respiração para conseguir voltar a si. — Eu não preciso procurar ninguém, Yuta, você é o único alfa que eu quero. Por dois segundos Yuta esqueceu como se respirava. Precisava de um tempo para raciocinar tudo, nunca foi imaginação de sua cabeça, SiCheng realmente nutria algo por ele, encarando-o daquela maneira e jogando as palavras em sua cara fazia tudo ser ainda mais... bruto. Havia sido lento demais, estava escrito em todos os atos do ômega, desde o começo. — SiCheng... — Vá para a caçada esse ano, Yuta, cace para mim e peça minha mão ao meu pai, seja o meu alfa, porque eu só quero ser o seu ômega.     [... Doçura de Beta ...]       Pensava bastante no que Lucas havia dito, precisava confessar. A ideia de que existia alguém no mundo que o amava como homem deixava os pelos de sua nuca arrepiados. Lucas nunca fora qualquer alfa, precisava confessar que tê-lo era uma imensa sorte, por mais que muitas vezes — na maioria das vezes — lhe dessa muita dor de cabeça. Wu YukHei era complicado, mas ao mesmo tempo muito simples, o problema estava unicamente em Jungwoo. Ele não sabia o que fazer com esse amor. Estava confuso, perdido e com um sentimento enorme em mãos, sentimento esse que mudaria muita coisa, viraria sua vida de cabeça para baixo. Jungwoo tinha um amigo, beta, assim como ele. Amigo este que sempre lhe dava conselhos quando precisava, mesmo que não houvesse muita diferença de idade entre eles. Há algumas semanas não o visitava, ainda se perguntava o motivo disto, sempre foram tão próximos. A casa onde seu amigo vivia não era longe, ficava bem próxima ao centro do vilarejo, além de ser muito bonita tanto por dentro quanto por fora. A verdade era que a cabana que Donghyuk vivia com seu alfa mais se parecia com uma casinha de bonecas, a casa dos sonhos, diriam muitos. Precisava visita-lo mais vezes, a companhia do Park sempre fora uma das melhores, além de que com ele os problemas sempre tinham uma solução. As mais criativas possíveis. O beta estava na cozinha quando Jungwoo chegou, já entrando pela porta dos fundos, como era de seu costume. Donghyuk abriu um largo sorriso quando viu o amigo. — Pensei que havia esquecido de mim. — se fez de ofendido, até mesmo fingindo uma expressão triste — Me diz, qual o problema da vez? — Você fala como se eu só viesse quando precisasse de alguma ajuda. — E não é? Jungwoo revirou seus olhos, ocupou uma das cadeiras da mesa e passou a dedilhar os grãos de feijão que haviam por ali como se disfarçasse algo. Pra ser sincero ele não queria ter aquela conversa, mas sabia que precisava conversar com alguém sobre aquilo e a melhor pessoa era Donghyuk. — É sobre um alfa. Só bastou ouvir isso para que Donghyuk largasse o que fazia e ocupasse uma das cadeiras restantes, lhe dando total atenção. Chegava a ser engraçado, o Park, que agora era Kim, sempre fora o que mais empurrava Jungwoo para os alfas, sempre destacando as qualidades dos mesmos, na tentativa de fazer com que o Oh não fosse tão avesso a eles. — Está gostando de um alfa? — quase saltara sobre o amigo ao fazer esta pergunta. — Não! — o outro respondeu de imediato — Quer dizer, tem um alfa, você o conhece, ele tem sido muito gentil comigo e me trata de uma maneira que eu nem sei explicar, ontem ele disse que me amava e isso me deixou muito... Muito... — Balançado? — É, acho que balançado seja a palavra certa. — mordeu os lábios, era difícil explicar o que estava acontecendo dentro de sua cabeça — A história é que... eu não paro de pensar nisso. Donghyuk pôs as duas mãos sobre a boca, estava a ponto de gritar. — Você finalmente está gostando de alguém e justamente de um alfa. — Eu não gosto dele! O outro revirou os olhos. — Francamente, Jungwoo, nem você mesmo se entende. — o beta mais velho queria reclamar, Jungwoo era confuso demais em alguns momentos — Uma hora diz que está balançado e logo depois diz que não gosta dele. O mais novo deitou a cabeça sobre a mesa, Donghyuk estava certo, tudo estava confuso demais até mesmo para ser explicado. Jungwoo estava perdido em suas próprias ideias, completamente sem saber qual o próximo passo a dar, ou melhor, se era mesmo necessário que ele desse algum passo. Queria mesmo era sair correndo, para algum lugar onde não precisasse pensar em nada. — Eu tenho medo. — sussurrou, nem olhava para o amigo — Medo de alfas. — Seus pais são alfas, Jungwoo. — É diferente. — respondeu — Meus pais sempre cuidaram de mim, eles não são como os outros. Donghyuk baixou seu rosto sobre a mesa também, olhando bem para Jungwoo. O beta mais novo estava com um bico nos lábios, o que era algo involuntário, mas que ele sempre fazia quando estava chateado com algo. O caso da vez era que estava chateado consigo mesmo, que era confuso demais para lidar com aquilo. — Talvez esse alfa também seja diferente, mas você só vai saber se der uma chance a ele. — É que... — pensava no que dizer, não queria acabar ofendendo seu amigo no meio daquilo — Eu não quero isso, não quero ficar preso em casa cozinha, lavando e limpando enquanto meu marido está lá fora vivendo a vida dele. Donghyuk suspirou. — Você acha que eu não sou feliz, Jungwoo? O mais novo ficou mudo. — Eu fico em casa cozinhando, lavando e limpando enquanto meu marido trabalha para nos manter bem. — o respondeu, nunca havia visto Donghyuk tão sério — Eu nunca fiz nada para o Mark como uma obrigação, eu cuido de tudo porque o ama e ele cuida de mim porque me ama. Jungwoo, você pode ter sofrido muito durante a infância devido a alfas imaturos e egoístas, mas existem muitos alfas bons por aí e você pode ser devidamente amado por um deles. O mais velho segurou em sua mão, sorriu pequeno. — Você... Você está certo. — Jungwoo, só vai saber quem esse alfa realmente é, quando o conhecer melhor, está na hora de parar de ser tão egoísta e pensar somente no que você sente, pense um pouco nos sentimentos dele, pois você pode estar perdendo a chance de viver um amor único.         [... Doçura de Beta ...]       Jaehyun entraria no período do cio no dia seguinte, seu cheiro se tornava mais forte e ainda mais atrativo, ele já estava pronto para deixar a alcateia e passar seu dia de cio em uma cabana fora das paredes do vilarejo. Sendo que era, se ficasse dentro da vila seu cheiro continuaria se espalhando, mesmo que já estivesse sendo saciado, o que acarretaria em diversos ômegas nas portas de sua casa. Já havia separado a comida e a água que consumiria enquanto estivesse fora, além, é claro, dois parceiros, um ômega para o manter saciado e um beta para se manter consciente e cuidar de tudo, além de auxiliar na principal atenção que Jaehyun necessitava. Um ômega não aguentaria sozinho, Jaehyun se tornara cada vez mais insaciável, o que chegava a ser assustador em alguns momentos. Taeyong estava lá, novamente sentado no salão de entrada com Chittaphon, os dois pareciam muito entretidos no assunto em que conversavam, isso até que o alfa aparecesse, com suas coisas postas em uma sacola e seus dois parceiros ao seu lado, estava na hora de ir. Tudo parecia estar muito bem, mas no momento em que seus olhos se cruzaram com os do Park, Jaehyun se sentiu péssimo, como se algo estivesse a ferver dentro de seu peito, um sentimento estranho que nunca havia sentido antes, o qual não saberia sequer dizer o nome. Apertou com força a barra de sua camisa, tentando ignorar a queimação que havia por dentro, dando alguns passos em direção da porta. Parou. Por dois segundos ele só conseguiu olhar para o rosto de Taeyong e se sentir ainda pior, quase ao ponto de vomitar. — Taeyong. — chamou seu nome no momento em que uma de suas mãos alcançou o pulso do ômega, o segurando com uma força um tento desnecessária. Parou, nem ele sabia o que estava fazendo — Não, não é nada. Prendeu a respiração, o cheiro do Park estava forte, quase o sufocando e isso fazia sua cabeça girar. Soltou o pulso do menor, finalmente movendo as pernas novamente e seguindo seu caminho, com o ômega e o beta atrás de si. Taeyong não sabia que reação ter, estava confuso e sentia seu peito doer. Era uma dor estranha, diferente de todas as vezes que viu Jaehyun sair com seus parceiros, já sabendo o que ele faria. Sempre se sentiu m*l ao saber e ver Jaehyun dormindo com outros, mas daquela vez... Estava doendo demais. — O que foi isso? — Chittaphon se pronunciou no momento em que seu irmão sumiu de vista. Taeyong ainda estava perdido em pensamentos. — Tae! — o chamou, praticamente o sacudindo — Vocês estão estranhos, aconteceu alguma coisa que você não tenha me contado? O Park pareceu voltar a si, mas a boca apenas se mexia e nenhuma palavra conseguia sair. Não havia comentado com Chittaphon sobre o beijo, preferira guardar só para si e esquecer, imaginando que o alfa também esqueceria, mas pelo que havia visto naquele momento, ele parecia não ter esquecido. Aquilo mexia com ele. — Não, não aconteceu nada. — mentiu, mas o problema era que Taeyong mentia muito m*l, especialmente quando essas mentiras eram direcionadas a Chittaphon — Quer dizer, você sabe como eu sempre fico quando o Jaehyun sai com alguém, é ciúme, não é como se eu fosse esquece-lo de uma hora para outra. O Kim ficou calado, estava pensando. As caras e bocas que Chittaphon fazia sempre entregava as coisas que ele pensava, Taeyong sabia bem que ele não havia caído na conversa e que estava a formular sua própria teoria. Chittaphon sempre fora bom em deduzir coisas e acertar no alvo. — Não era só você. — disse — Jaehyun parecia estar se sentindo... culpado.
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