Por muito tempo Taeyong evitou dormir na casa de Chittaphon, era claro para ambos que o motivo era Jaehyun. O ômega se sentia m*l pela rejeição e de uns tempos para cá vinha evitando o alfa, na tentativa de não ferir mais seus sentimentos, por mais que sempre falhasse miseravelmente nisso, Taeyong sempre seguia fingindo que era a primeira vez que caia em tentação e voltava a suspirar pelo mesmo.
Queria acreditar que agora as coisas seriam diferentes, que não mais se importaria com Jaehyun. Taeyong queria esquecer Jaehyun.
Mas era como se o destino gostasse de brincar com ele, pois justamente naquela madrugada sentiu uma sede miserável, o que o fez deixar o quarto e ir até a cozinha. Não deveria haver problema nisso, mas a imagem de Jaehyun surgindo pela porta dos fundos cambaleando de embriagado o fez ter certeza de que Freyja o odiava.
O alfa escorou-se na mesa, m*l se aguentava de pé.
— Park Taeyong. — a voz grossa soou até seus ouvidos, aquele velho tom desdenhado — Por que eu não fico surpreso em ver você aqui? — a pergunta pareceu ser retórica, o mais alto deu dois passos, parando perto dele, o cheiro do álcool se espalhava pela cozinha — Você está sempre onde as minhas vistas alcançam, como se os deuses houvessem lhe pregado em meus olhos e borrifado seu cheiro em meu nariz.
O ômega deu dois passos curtos para trás, tudo o que queria era ter seu fim de noite em paz, sem que Jaehyun perturbasse seus pensamentos e sonhos novamente. Taeyong queria esquecer Jaehyun, mas Jaehyun parecia estar em toda parte, tornando as coisas sempre tão difíceis.
Tentou se afastar mais, mas acabou sendo impedido ao que Jaehyun segurou em sua cintura, o mantendo ainda mais perto, o torturando com seus olhos brilhantes e sua boca entreaberta.
— Vai fugir de mim? — o Kim aproximava seu rosto, balançava o próprio corpo como se não pudesse com ele. Desceu o nariz para a curvatura do pescoço do menor aspirando seu cheiro, aquilo deixou o ômega um tanto assustado, não sabia o que estava acontecendo — Você cheira tão bem, tem cheiro de cereja.
— Jaehyun. — com os dois braços tentou empurra-lo, mas era inútil — Vá para sua cama, já é tarde.
— Está com medo de mim?
— Não. — falou a verdade, sabia que independe de tudo, Jaehyun era incapaz de machuca-lo — Só... Quero voltar a dormir, você também precisa dormir.
— Esta casa é muito grande, ômega. — ainda com o nariz colado na curva do pescoço do menor, o alfa sussurrou — Eu não lembro onde fica o meu quarto, me leve até ele.
Taeyong se via sem escolhas, ele não o soltaria assim tão fácil.
Segurou o pulso do Kim o levando pela casa. Jaehyun estava tão bêbado que esbarrava em quase tudo, além de cambalear o tempo todo, certamente esqueceria de tudo na manhã seguinte, como qualquer bêbado esquece. O ômega se sentiu triste naquele instante, como se o alfa só conseguisse lhe dar atenção quando estava fora de si.
Parou diante da porta do quarto do maior, a abrindo e parando bem ali.
— Este é o seu quarto, Jaehyun. — o disse, fez menção de ir embora, mas novamente o alfa o impediu — Jaehyun, me deixe ir.
O Kim fingiu não ter ouvido.
Segurou na ponta do longo cabelo do menor, passou uma das mechas para trás de sua orelha, logo erguendo o queixo alheio para olhar direito para o seu rosto. Tudo se transformou em silêncio, talvez o único barulho ali fosse as batidas do coração do ômega, que estava a ponto de sair pela boca. Estava nervoso, Jaehyun nunca olhara assim para ele por tanto tempo.
O viu abrir a boca para dizer algo, mas o alfa se calou. Em surpresa se aproximou, juntando seus lábios aos dele de uma única vez, empurrando a língua para dentro de sua boca de uma forma que o ômega sequer teve tempo de raciocinar o que acontecia. Quando percebeu, Jaehyun o beijava com fúria, como se ali descontasse algo, segurando sua cintura como se o mesmo pudesse fugir.
Fechou os olhos e passou a retribuir o beijo na mesma intensidade, sentindo o gosto do álcool invadindo sua boca. Esse era o beijo de Jaehyun, um beijo amargo pela bebida, mas com sabor de intensidade. Não poderia esperar outra coisa vinda dele. Esteva totalmente entregue ao que jurou ser o único beijo que trocaria com o Kim em sua vida, jurando que no dia seguinte fingiria que nada aconteceu, acreditando que ele esqueceria para sempre, que tudo...
Não seria nada.
O único significado que aquele beijo tinha, era o de um Taeyong que lutaria com todas as forças para esquecer aquele alfa.
Quando ambos se separaram, o mais alto fez menção de beija-lo novamente, mas o Park baixou a cabeça, a escorando no peito do alfa. Sua respiração estava bagunçada, sua cabeça girava e ele sentia uma forte queimação no peito, que estranhamente o fazia se sentir feliz.
— Não, Jaehyun. — disse — Não posso fazer isso comigo mesmo, você não vê como alguém que poderia amar, tudo o que me restaria seria a dolorosa lembrança de que só pude ser seu uma única vez. — sua vontade era de chorar, mas a de jogar tudo para fora era ainda maior — Você é um cretino que não procura coisas sérias e eu sou só um ômega que sonha demais. O que estive pensando? Você é o futuro líder da alcateia, por que ficaria apenas comigo sendo que pode ter todos?
— Taeyong...
Conseguiu ter força o suficiente para empurra-lo, saindo correndo logo em seguida, o coração martelava no peito de uma forma diferente, sentia seu corpo queimar. Mas o mais estranho de tudo, era que Jaehyun também sentia.
[... Doçura de Beta ...]
Se Jungwoo fosse contar quantas vezes por dia ele parava para segurar aquela pedra entre os dedos, ele perderia a conta facilmente, havia se tornado uma mania. A pedra verde brilhava, era mesmo muito bonita, continha pequenos arranhões, arranhões estes que poderiam contar uma história, de por onde a mesma passou até chegar em seu pescoço. Fazia isto durante o jantar, completamente distraído.
— Jungwoo, querido. — ouviu a voz de Lu Han, que acabara de sentar ao seu lado.
Sehun estava cansado, havia ido deitar, só sobraram os dois na cozinha estreita.
— Algo de errado, Appa Lu Han?
— Não, filho, só quero conversar com você. — o alfa tocou na pedra que estava entre os dedos de Jungwoo — Sobre isto.
O menor balançou a cabeça em positivo, encarou o mais velho. Lu Han estava com uma expressão estranha, parte daquilo dizia que ele estava animado, enquanto a outra parte dizia que estava receoso ou confuso. A questão era que Lu Han parecia muito inquieto quanto ao que diria.
— Qual a sua relação com o alfa que te deu isso? — foi direto ao ponto, estava ansioso demais.
O beta abriu a boca para responder, mas ainda estava pensando. Amigos? Não era como se fossem íntimos a esse ponto. Conhecidos? Como explicar que ganhou um colar de um alfa que era apenas um conhecido?
— Por que está perguntando isso.
— Querido. — sempre que ele dizia aquela palavra, Jungwoo sabia que seu pai lhe diria algo que o incomodaria — Quando betas usam pertences de alfas há muitos significados, você o usa como sinal de uma relação. Usar algo que tem o cheiro dele mostra para os outros que você já tem um parceiro.
Foi como um tapa no rosto de Jungwoo. Precisava de algum tempo para assimilar aquilo direito, mas deveria ter desconfiado, o tal amuleto da sorte que havia ganhado parecia funcionar como se realmente fosse mágico. Nos últimos dias, nenhum alfa se aproximava ou agia de maneira ofensiva com ele, como se o mesmo estivesse dentro de uma barreira de proteção.
Era o bendito cheiro de Wu YukHei.
— E eu acreditando que finalmente haviam começado a me respeitar. — a voz saiu carregada de escárnio, sentia-se irritado, por parte enganado e desrespeitado, Lucas estava tentando se impor na vida dele de uma forma invasiva e ele não tinha o direito de fazer isso — Filho da... Como ele tem coragem de fazer isso comigo? — batera na mesa, sua vontade era de ir agora mesmo tirar satisfações com o Wu.
Lu Han segurou sua mão.
— Filho, não precisa agir dessa forma, seja lá quem for que-
— Wu YukHei não é o meu alfa, nunca vai ser e ele não tem o direito de agir como se eu pertencesse a ele!
Transtornado, o beta deixou a cozinha indo para o seu quarto, jogou-se em sua cama sentindo seu sangue ferver, apertou com força a pedra que ainda estava em seu pescoço, assim que o dia amanhecesse ele tiraria satisfações com o alfa. Wu YukHei precisava entender de uma vez por todas que Oh Jungwoo não era o seu beta.
[... Doçura de Beta ...]
Yuta estranhou o fato de encontrar seu irmão tão cedo no porto, o mais velho estava sentado na areia da praia, sozinho e com a cabeça baixa. Se aproximou devagar, sentando-se ao seu lado. Sentia que havia algo de muito errado com ele, principalmente quando notou a falta do sorriso do mesmo, ele estava com os olhos fechados, completamente avulso com o que ocorria ao seu redor.
Ele estava fugindo de algo que o incomodava, essa era a maneira que Young Ho tinha de lidar com as coisas, ele sentava e respirava o cheiro do mar, na esperança de que as águas lhe trouxessem uma resposta.
— O que te incomoda, irmão? — perguntou após longos segundos de silêncio.
Houve mais silêncio. Lhe estendeu um bilhetinho amassado. Yuta abriu o papel e seu conteúdo, ficando ainda mais confuso com o que leu. Era um bilhete de Chittaphon pedindo para encontra-lo à noite, pois precisava conversar com ele sobre algo importante.
— E do que se tratava?
— Eu não fui. — respondeu, finalmente abrindo os olhos, mas ainda sem olhar para o mais novo — Minha pulseira se partiu no momento em que eu li, um mau presságio.
Young Ho sempre fora muito ligado em coisas assim, maus presságios sempre seriam maus presságios, algo de r**m estava para acontecer, tão apavorante que preferia nem saber do que se tratava. Um calafrio percorreu por sua espinha, como uma gota de suor.
— Talvez devesse procura-lo, quer dizer, pode ser algo bom.
— Eu me relaciono com um ômega que é noivo de outro alfa, o que pode haver de bom nisso? — parecia um pouco irritado, talvez desconfortável com tudo aquilo — Não posso mais me meter nisso, foi muita irresponsabilidade da minha parte me envolver com ele, essa união é muito importante pra alcateia, se algo der errado pode desencadear uma briga imensa.
Yuta não tinha como contrapor, ele estava certo. Se alguém da alcateia do noivo de Chittaphon descobrisse que o ômega se envolvia com outro alfa, traindo seu noivo, poderia ser considerado uma grande ofensa. Mas que merda!
— Eu decidi que não vou mais procurar o Chittaphon, já está mais do que na hora de romper esse laço, de seguirmos nossas vidas separados. Eu vou me preparar para caçar, escolher um bom ômega e impressionar seus pais, vou me casar e ter uma família.
O que poderia dizer? Seu irmão não estava errado, era direito de ele querer seguir com a própria vida, assim como Chittaphon estava sendo obrigado a seguir. O mais velho ficou de pé, pronto para seguir o rumo das embarcações. Era a única oportunidade que ele teria de ouvir a verdade.
— Young Ho. — o chamou — Agora que acabou, você pode me falar a verdade?
— Meu coração parece que vai explodir.
[... Doçura de Beta ...]
Encontrar a cabana de YukHei era fácil demais, o alfa era muito conhecido por praticamente todos que moravam daquele lado do vilarejo. Um pouco afastada, era a última daquela fileira de casas, um pouco grande para alguém que morava sozinho, ou simplesmente proporcional para um alfa lúpus. Rodeou a casa passando pelo quintal, a essa hora da manhã era óbvio de que se estivesse em casa, estaria na cozinha.
Parou próximo a porta, podia sentir sua presença.
O alfa estava tendo sua primeira refeição do dia quando foi interrompido por um beta irritado, que havia entrado em sua casa sem sequer pedir licença e com uma expressão nada boa.
— Vim devolver o seu presente. — jogou o colar sobre a mesa, o barulho da pedra batendo sobre o tampo poderia ter sido ouvido de longe, caindo bem diante do alfa — Ainda não acredito que foi capaz de fazer isso comigo! Descobri o seu plano sem vergonha de fazer com que as pessoas me enxergassem como se eu fosse o seu beta. Advinha, YukHei, eu não sou seu beta!
O alfa se ergueu da mesa, a diferença de tamanho chegava a ser assustadora, Jungwoo gelou no momento em que o mesmo caminhou até ele, parando bem à sua frente com os olhos fixos nos seus. Lucas sempre fora muito calmo, mas Jungwoo não fazia ideia do que ele seria capaz de fazer ao ser afrontado dentro de sua própria casa. O beta não queria baixar a cabeça, Lucas precisava entender que não mandava nele, que não tinha nenhum domínio sobre ele.
Jungwoo era um beta dominante.
— Nenhum ômega iria me querer enquanto me visse andando por aí com o pertence de um alfa, você desceu baixo, YukHei, me enganou. — a voz continuava alterada, já estava na chuva e agora precisava estar pronto para se molhar, não podia mais voltar atrás — Eu estou-
— Fiz isso pro seu próprio bem. — respondeu, seu tom era baixo e ele aparentava estar muito calmo.
Calmo demais, como ele sempre agia com Jungwoo, o semblante sereno e inabalável, com os olhos carregados de doçura e sentimento. Lucas tinha olhos doces, que sempre o encaravam brilhantes. O beta sentiu-se desfalecer, ele esperava de tudo, esperava até mesmo receber uma surra por ser tão petulante. Esperava que Lucas o jogasse para fora, acabando de uma vez por todas com aquilo que tinham.
Seja lá o que fosse.
— Meu próprio bem?
— Eu queria proteger você, meu cheiro afastaria qualquer alfa que pensasse em lhe fazer m*l, ter o colar era como me ter perto de você, era uma garantia de que ninguém o machucaria, não uma forma de te prender. — ele parecia... decepcionado, o tom de voz era de pura decepção e mágoa. Era isso, Lucas estava magoado — É apenas um colar, o cheiro está no cordão, é fraco, somente alfas são capazes de sentir, não precisa se preocupar quanto aos ômegas, não vai afasta-los de você. Se eu quisesse lhe marcar como meu beta, teria te dado uma peça de roupa com cheiro forte.
O menor perdeu o chão sob os pés, era como se o mundo houvesse decidido girar ao redor da casa naquele momento. Ele se sentia tonto. Não queria que as coisas acabacem, com um Lucas lhe mostrando que ele estava errado e que estava agindo de uma forma ingrata. Jungwoo se sentiu m*l.
— Essa proteção toda não é natural, YukHei. — o disse, estava ficando nervoso — Me assusta em alguns momentos, eu sempre peço pra você ir devagar, entender que eu... eu não serei seu, mas sempre que eu me viro você está lá, sempre que eu preciso você está lá.
O alfa segurou em seu queixo, o obrigando a olhar em seu rosto. Jungwoo tremia os olhos, sentia que algo dentro dele estava começando a balançar, o fazendo quase dobrar os joelhos e cair por terra. Seu corpo estava mole, sua mente estava bagunçada.
— Isso acontece porque eu amo você. — soltou a verdade mais clara de todas, os olhos fixos gritavam a verdade — E mesmo que não me ame de volta, não me peça para deixar você de lado, porque eu morreria se algo de r**m acontecesse com você. Não me peça para desistir, eu sei que no fundo você é como as pedras nas encostas, que mesmo sendo duras, no bater das águas acabam cedendo.
— YukHei...
O alfa aproximou seu rosto, se abaixou para conseguir colar suas testas, Jungwoo sentia sua respiração sair do compasso.
— No fundo você sabe que pode sentir o mesmo.
— Eu não posso. — seus olhos se fecharam, sentia o hálito quente do alfa batendo em seu rosto — Eu não...
Quando menos percebeu, seus lábios já estavam unidos, sem saber ao certo quem foi o responsável por este ato. Oh Jungwoo se dizia convicto com sua decisão, mas estava novamente beijando o alfa a quem dizia não sentir nada, estava novamente deixando que suas bocas se conversassem sozinhas, um assunto só delas. Estava novamente sentindo os dedos do Wu passearem por sua nuca, estava novamente com as mãos em seu peito, estava novamente sentindo aquele gosto, que viera doce.
Estava beijando YukHei e estava gostando disso.
— Eu não posso, YukHei. — tentava normalizar a respiração, mas ficava difícil quando todo o ar presente vinha impregnado com aquele cheiro de alfa — Não faça mais isso.
— Você pode sim, Jungwoo, cada beijo seu é uma resposta positiva.
O beta se sentiu inquieto, não podia dizer que ele estava errado. Beijara um alfa, gostara disso. As mãos do mesmo ainda lhe seguravam perto, aquele cheiro estava tomando conta de suas roupas, de sua pele, o cheiro de YukHei era muito bom, deixava qualquer um sem terra nos pés.
Se fosse ômega, já estava totalmente entregue.
— Me deixe ir embora. — pediu.
— Só se continuar com o colar. — ditou, a forma como o segurava dizia ser uma condição séria — É a minha garantia de que você estará bem.
O beta pareceu pensar, se via sem escolha alguma. Balançou a cabeça em positivo. O mais alto catou o colar de cima da mesa, novamente o ponto no pescoço do Oh, de onde não deveria ter sido tirado. Estranhamente era como se tivesse sentido falta de ter aquela pedra pesando em seu pescoço.
— Quando o cheiro sair me avise, para que o amuleto não perca sua sorte.
— Que tipo de sorte te dá um alfa louco dessa maneira? — ele riu, era a única forma de se sentir menos sem graça.
— A sua sorte.
Jungwoo desviou o olhar, mas segurou na mão do alfa por dois segundos antes de se afastar, seguindo seu caminho para fora da casa. Sua cabeça estava ainda mais confusa, ele recebera uma verdadeira confissão de amor, e não se tratava do amor de qualquer pessoa, ele tinha o amor de um dos alfas mais desejados da alcateia, qualquer um daria a vida para estar em seu lugar.
Se sentia um egoísta, um t**o, ele tinha amor em mãos, mas não sabia como lidar com aquilo. Jungwoo estava confuso, com medo, mas ao mesmo sentia uma pontinha em seu coração ficar quente. Se dera conta, não odiava alfas, apenas sentia medo deles, mas se seus pais eram alfas decentes, por que não podia enxergar Lucas com os mesmos olhos?