Aléssio Romano,
Entrei em meu quarto e bati a porta com força, o som ecoando pelo quarto. A frustração e a raiva estavam me dominando, e eu não sabia mais como lidar com elas. Tudo era estranho, porque sempre fui um homem que conseguia controlar tudo à minha volta.
— O que eu estou fazendo? — perguntei para mim mesmo, passando as mãos pelos cabelos ainda úmidos, bagunçando-os de um jeito que eu nunca fazia. Minha mente estava um caos. — Isso não é amor. É apenas obsessão, um sentimento passageiro. Não posso magoá-la dessa forma. A tirei das ruas para salvá-la, dar uma vida calma e não colocá-la em minha vida conturbada.
Caminhei de um lado para o outro no quarto, tentando encontrar alguma lógica no que havia acabado de acontecer. Meu coração estava batendo forte no peito, e meu corpo ainda formigava por causa do contato físico com Bianca. Eu não conseguia ignorar o que sentia, mas também não conseguia aceitar a ideia de estar perdendo o controle de mim mesmo.
Desabotoei a camisa, deixando o ar frio tocar minha pele enquanto me aproximava da janela. Precisava de espaço, de ar, de algo que clareasse minha mente.
— Cazzo... dane-se, faço merda hoje e penso nisso amanhã — murmurei para mim mesmo, sentindo uma mistura de frustração.
Eu era o tipo de homem que tomava decisões rápidas e resolutas, mas, com Bianca, parecia que cada escolha me deixava mais confuso.
Decidi agir por impulso. Saí do quarto, sem pensar em consequências, sem me preocupar com o que era certo ou errado. Abri a porta do meu quarto e me deparei com Bianca no corredor. Ela estava parada, como se tivesse vindo atrás de mim, e por um breve segundo, ambos paramos por instantes, olhando um para o outro.
Apressamos os passos, caminhando um para o outro como se tivéssemos sido puxados por uma força invisível. E então, sem mais perder tempo, a beijei. Era um beijo intenso, carregado de raiva e desejo, tudo ao mesmo tempo. Algo que eu ainda não conseguia definir.
Naquele momento o desejo falou mais alto do que a razão.
Bianca respondeu ao beijo com a mesma intensidade, e antes que eu percebesse, ela prendeu as pernas ao redor da minha cintura, me puxando para mais perto. Afundei os dedos em seus cabelos, segurando-a pela nuca enquanto mantinha o ritmo do beijo. O toque de seus lábios era ao mesmo tempo suave e urgente, e eu sabia que estávamos indo além do ponto de retorno.
— Eu quero você — ela sussurrou entre os beijos, sua voz rouca e carregada de desejo. — Não suporto mais esse calor, parece que estar me consumindo, me engolindo como uma chama. — Ela alisou meu rosto, enquanto eu olhava no fundo dos seus belos olhos. — Eu quero ser sua pela primeira vez, Aléssio Romano. Então faça isso logo, antes que eu me arrependa.
Um sorriso se formou em meus lábios, e eu a encarei por mais um breve momento, absorvendo suas palavras.
— Para o seu quarto ou para o meu? — perguntei, minha voz baixa e controlada, embora por dentro eu estivesse fervendo de desejo.
— Tanto faz — respondeu ela, sem hesitar, seus olhos brilhando com uma mistura de desafio.
Não precisei de mais nada. Empurrei a porta do meu quarto, ainda segurando-a firmemente. Bianca parecia determinada, e havia algo em seu olhar que me dizia que, pela primeira vez, ela estava se entregando ao que sentia, sem reservas, sem medo.
Entramos no meu quarto, e fechei a porta com o pé, sem deixar de segurá-la. Nos beijávamos como se o mundo estivesse prestes a acabar, e eu sentia cada célula do meu corpo vibrando com uma intensidade que nunca havia experimentado antes.
Caminhei até a cama, e a deitei suavemente sobre os lençóis. Por um breve momento, parei e a encarei, tentando processar a situação, tentando entender se aquilo era mesmo real. Ela não desviou o olhar, me encarando de volta como se estivesse pronta para o que quer que viesse a seguir.
As palavras de Vito ecoaram na minha mente. Ele havia me dito que o que eu sentia por Bianca não era apenas obsessão, e naquele momento, comecei a suspeitar de que ele estava certo. Era algo mais profundo, algo que eu estava tentando negar para mim mesmo. Agora parece que eu tinha perdido o controle do que eu sentia, por ter reprimido todo esse sentimento, e naquele momento tudo que eu sentia, estava vindo com força total.
Bianca levantou uma das mãos, tocando meu rosto de forma suave, seus dedos deslizando pela minha pele. Havia uma ternura no seu toque, algo que eu não esperava, e isso me fez hesitar.
— Aléssio — ela murmurou, sua voz suave como um sussurro. — Por que você está sempre lutando contra o que sente?
— Tenho medo. — falei — Pela primeira vez na minha vida estou sentindo medo, estou com medo de te machucar.
— Eu não tenho medo de que me machuque, porque eu estou apaixonada por você. — Confessou ela. — Aléssio Romano, estou loucamente apaixonada por você.
As palavras dela me atingiram como um soco, mas antes que eu pudesse responder, ela me puxou pelo cordão no meu pescoço e voltou a me beijar. Dessa vez, o beijo foi mais calmo, como se ambos estivéssemos tentando entender o que estava acontecendo primeiro, antes de irmos adiante.
Meu corpo parecia agir por conta própria. Cada toque, cada movimento era guiado por um desejo que eu havia suprimido por tempo demais. O quarto parecia estar girando, e a única coisa que me mantinha firme era o calor do corpo de Bianca contra o meu.
Mas, mesmo naquele momento de paixão, uma parte de mim ainda estava consciente dos riscos, das consequências, de tudo o que poderia acontecer se eu continuasse por esse caminho.
— Bianca — comecei, minha voz falhando levemente. — Eu não quero te machucar.
Ela sorriu de leve, um sorriso quase triste.
— Você é o único que pode me proteger, Aléssio — ela respondeu, sua voz cheia de uma certeza que eu não sabia se deveria temer ou abraçar.
Aquelas palavras me desarmaram completamente. Havia algo na forma como ela falou, algo em sua voz, que me fez perceber que estávamos além do ponto de retorno. Era agora ou nunca, e pela primeira vez, eu estava pronto para deixar o controle de lado.
Aquela noite foi como atravessar uma linha invisível. Uma linha que eu tinha traçado para manter Bianca à distância, e agora, estava rompida para sempre. O sentimento que eu neguei por tanto tempo finalmente me dominava, e não havia mais escapatória.