Ótimo, tudo estava saindo bem para Nora, ela acabava de chegar à empresa e a confiança estava em seu nível máximo. Toda essa perfeição ficou ameaçada em um milésimo de segundo, quando um homem andava quase que relaxado para o elevador e ela não tinha tempo para isso, se chegasse atrasada passaria uma péssima imagem de si mesma. Determinada, acelerou o passo e acabou por dar um esbarrão no homem e sem tempo, não pediu desculpas, apenas entrou no elevador e ficou focada em quando as portas se fechariam o que não aconteceu uma vez que o mesmo homem segurou a porta e entrou em seguida. Ela estava apreensiva e olhou as horas no relógio de pulso que usava, a voz ao seu lado soou irritada e contrariada.
— Está com muita pressa senhorita? — Sem se importar com a opinião do homem, ela se contentou em um breve: “Ah sim”.
O silêncio se instaurou por alguns minutos e ela estava prestes a respirar aliviada quando o homem falou novamente e dessa vez ela não pode deixar de olhá-lo.
— É claro que está! Praticamente me atropelou e não pediu licença.
Nora ficou um pouco desnorteada com a beleza do homem, pois ao mesmo tempo que ele era grosso com ela, sua vontade era de se agarrar nele e lhe roubar um beijo fazendo-o calar-se. Ela caiu na real, o homem sabia o efeito que causava e deu um sorriso perfeito a ela a fazendo quase prender a respiração. Sacudindo-se mentalmente, ela se deu conta da resposta dele e sentiu o rosto queimar tanto de vergonha, quanto de raiva. Era tudo culpa dele. Ela não teria esbarrado o babaca se ele andasse mais rápido e não no mundo da lua.
— Pois fique sabendo que eu quase o atropelei porque você andava como se fosse dono do mundo. — Sua resposta o fez franzir o rosto em uma expressão confusa que ela bem no fundo achou fofa, mas procurou não demonstrar.
— Como se fosse dono do mundo?
— Sim.
— Você sabe com quem está falando senhorita? — A pergunta do homem a deixou ainda mais furiosa. Se ele achava que podia tratá-la m*l só por que era alguém importante estava enganado, dando de ombros respondeu.
— Duvido que seja com alguém importante.
Ele não falou mais nada e ficou em silêncio por alguns minutos, o homem começou a sorrir alto e ela virou para ele, pronta para retrucar quando o elevador começou a tremer, as luzes piscaram por alguns minutos e de repente ficaram fracas, resmungando consigo mesma por ter uma sorte imensa não se aguentou ao abrir a boca.
— Ótimo estou atrasada e presa com um...
— Acho que posso dizer o mesmo de você.
Completou o homem ao seu lado furioso com ela. Não se importando, Nora começou a sentir o pânico de ficar presa por horas com o homem, até acharia bom ficar durante horas com o bonitão no elevador, mas ela não só via o lado bom, havia também encontrado o r**m. Eles não tinham se dado bem.
— Ah meu Deus, será que vão demorar para nos tirar daqui? Não gosto de lugares apertados. — Murmurou ficando nervosa, o homem ao seu lado, suavizou o rosto e sua expressão mudou para preocupado.
— Deve ter sido uma queda de energia, talvez não demore tanto para voltar...
— Odeio isso! — Completou sentindo o calor se apossar dela. O silêncio estava insuportável, mas ela não queria ficar trocando farpas com o homem, por isso se manteve calada até não conseguir mais.
— Temos de sair daqui rápido.
— Concordo plenamente. —Disse o homem de costas para ela, o que Nora achou estranho, mas não deu a mínima atenção. O calor estava começando a irritá-la, então pegou a bolsa, colocou-a de lado e sentou no chão, às vezes notava os olhares que o homem dava, mas ela fingia não ver, até que a voz dele preencheu o silêncio novamente.
— Se importa? — Nora levantou o rosto e sentiu o rosto queimar. O homem estava praticamente fazendo uma dança sensual ao desabotoar vagarosamente o seu terno e seu olhar continuava nela, que por sua vez, percebeu-se praticamente babando. Sacudindo sua cabeça mentalmente a fim de sair desse transe, Nora conseguiu recuperar a sanidade e de mau humor por demorar tanto, percebe que o homem só a estava provocando retrucou a fim de deixá-lo constrangido.
— Não ficando nu, por mim tudo bem. — O homem pareceu ficar sem acreditar na resposta de Nora e com olhar sério respondeu com um “Jamais faria tal coisa”.
— Ótimo, me sinto aliviada. — Sarcástica respondeu, tentando apresentar-se indiferente, ele sorriu e sentou também no chão do elevador.
Ela queria evitar fica olhando muito na direção do acompanhante de infortúnio, mas não conseguia, a voz rouca e máscula sempre a atraia, como Ícaro para o sol.
— Qual é seu nome? — Perguntou divertido, olhando para ela.
— Eleonora Miller e o seu?
Ele hesitou por alguns segundos franzindo o rosto e ia se apresentar quando o elevador deu um solavanco e voltou a subir normalmente, assim que as portas se abriram, ela saiu rápido do elevador, queria muito saber o nome dele, mas não tinha tempo. Assim que entrou no corredor, notou seus dois concorrentes sentados tranquilamente esperando com um sorriso gentil, também se sentou e só o que restou foi esperar ser chamada.
Nora estava distraída quando o homem que estava com ela no elevador apareceu no corredor e sentiu seu coração pular.
— Você...
— Você.
A ficha caiu e Nora pôde ver sua oportunidade de um novo trabalho indo embora junto com sua esperança. O homem à sua frente não era ninguém menos que Hervan Swarle, seu entrevistador e dono da empresa mais bem-sucedida no ramo de investimentos arriscados. Ela coloca a bolsa no ombro tendo consciência de que ele não vai nem sequer olhar seu currículo depois do que houve no elevador, passa por ele, mas é segurada pelo braço.
— Não vai ficar para a entrevista, senhorita Miller? — Ele pergunta, mas Nora não tem certeza se está falando sério ou a está provocando, sabendo que agora ela sabe quem ele é.
— Não tenho a menor chance depois de insultar o meu entrevistador. — Ela se rende vencida pelo azar e pensa que ele vai soltá-la, mas não acontece, sua resposta para ela é firme e direta.
— Isso é o que você diz, queira sentar-se e esperar, eu não a julgarei devido ao acontecido no elevador.
A resposta de Swarle para ela é tão revigorante que ela quase sorri aliviada. Hervan Swarle continua olhando fixamente para ela e envergonhada tenta desviar o rosto olhando para outras coisas.
A mulher atrás dele parecia ser sua secretária, ela fala algo que o faz parar de olhar Nora e entrar em sua sala. O primeiro concorrente já havia entrado, não demorou muito, ele saía com uma atitude confiante, fato que fez Nora murchar sua autoestima. O segundo candidato entrou e saiu com a mesma cara, Nora começou a achar muito estranho. Quem entra em uma sala de entrevista e sai feliz? Só se Swarle tivesse contratado os dois e ela fosse levar um enorme não.
Estava quase para começar a roer as unhas quando foi chamada e com o coração na boca entrou na sala...