No escuro do escritório da sua mansão, Hervan finalizava uma conversa de vídeo com um dos sócios da Ivestiments Swarle. Sentia uma maldita enxaqueca, a desgraçada estava o acompanhando desde o momento em que havia acordado.
Já tinha tomado analgésicos e nada, a bandida continuava como um martelo em sua têmpora. Colocou o terno e foi em direção à garagem.
Além de mais vídeos-conferências para o dia de hoje, ainda tinha as entrevistas para o cargo de assistente pessoal que havia agendado a partir das quatorze horas.
A tecnologia realmente era bem-vinda, pensava Hervan. Isso lhe economizou tempo de uma ida até a Alemanha, ao lembrar que precisava conversar e discutir pontos do contrato com Klaus Cullmann, sobre a aquisição de uma nova marca que ele queria trazer para os Estados Unidos.
Saindo da mansão Tyller já o esperava.
— Boa tarde, Sr. Swarle.
— Boa tarde, Tyller.
Assim que entrou no carro, o motorista deu partida e acelerou, saindo da mansão rumo à empresa. Como sempre Tyller estacionou o carro na hora certa e sempre um vigilante abria a porta para Hervan. Ajeitando o terno, Hervan saiu do carro e passou pelas portas da empresa. Os funcionários o cumprimentaram com o cordial “boa tarde” e ele retribuía a gentileza, mas sempre com o seu característico jeito sério. Já estava alcançando o elevador, quando uma mulher passou e acabou esbarrando nele.
Franzindo o rosto, deixou então que ela passasse, entrando em seguida. Hervan não queria confusão, mas não conseguiu ficar calado, girou na direção da mulher ao seu lado e falou transparecendo todo o seu característico mau humor:
— Está com muita pressa, senhorita? — Falou, usando todo sarcasmo que podia.
— Ah sim! — Respondeu a mulher sem prestar atenção à entonação que Hervan havia usado, fazendo com que ele ficasse ainda mais puto e retrucasse dessa vez chamando a atenção dela.
— É claro que está! Praticamente me atropelou e não pediu licença.
Os olhos azuis claros da mulher o fitaram e quando não houve uma resposta rápida ele sorriu por dentro. Ela tinha o notado realmente e estava admirada com a sua aparência, esse era o comportamento que todas as mulheres tinham diante dele.
— Pois fique sabendo que eu quase o atropelei por que andava como se fosse o dono do mundo. — Se ele achava que a mulher estava admirada com ele, rapidamente essa ideia morreu, ela estava vermelha de raiva e o olhava furiosa.
— Como se fosse o dono do mundo?
— Sim!
— Você sabe com quem está falando senhorita?
— Duvido que seja com alguém importante! – Falou sincera dando de ombros, Hervan sentiu o rosto queimar e fechou os olhos tentando recuperar a calma e, ao fitar bem a mulher, não aguentou segurar o riso, ela era engraçada e não era mais alta que ele. Hervan estava se recuperando do riso e a mulher ia começar a provocá-lo quando o elevador fez um barulho e junto um solavanco bruto, as luzes ameaçaram se apagar, mas ficaram fracas. Praguejando alto, a mulher olhou para ele também frustrada e murmurou com raiva.
— Ótimo, estou atrasada e presa com um...
— Acho que posso dizer o mesmo de você. — Rebateu Hervan já xingando.
— Ah meu Deus, será que vão demorar para nos tirar daqui? Não gosto de lugares apertados. — Falou a mulher ao seu lado. O estranho foi ele se sentir preocupado com ela, já que nunca a tinha visto. Franzindo o rosto ele olhou para ela.
— Deve ter sido uma queda de energia, talvez não demore tanto para voltar — informou Hervan com o tom de voz mais neutro.
— Odeio isso, tomara que seja rápido. — Falou a moça com medo.
O clima começava a ficar estranho entre os dois, Hervan não ocultava seus olhares para a mulher que usava um vestido e tinhas um belo par de pernas à mostra. Seus cabelos estavam soltos e por um minuto ele se imaginou tocando, afastando os cabelos delas e beijando seu pescoço.
— Temos de sair daqui rápido.
— Concordo plenamente. — Falou ele ficando de costas, escondendo o seu olhar da mulher. O perfume suave dela começava a deixá-lo louco e o terno que estava usando começava a esquentar.
Depois de quase uma hora de silêncio, estava a ponto de enlouquecer, virando-se para mulher viu que ela estava corada por causa do calor e estava sentada no chão do elevador.
— Se importa? – Perguntou começando a desabotoar o terno, a mulher levantou o rosto para ele e ficou mais corada, Hervan não pôde deixar de sorrir e tirou o terno lentamente, quase uma demonstração do que ele escondia por debaixo de toda aquela roupa. Por fim a mulher pareceu entender o que ele estava fazendo e virou o rosto arredia e de mau humor.
— Não ficando nu, por mim tudo bem. — Verbalizou desdenhando.
— Jamais faria tal coisa.
— Ótimo, sinto-me aliviada. — Revirou os olhos.
Sorrindo ele sentou também no chão do elevador.
— Qual é seu nome?
— Eleonora Miller e o seu?
Hervan achou estranho a moça não o reconhecer, uma vez que ele sempre aparecia na mídia, só se a criatura à sua frente não via TV ou era o efeito do calor, que por sinal a estava deixando muito vermelha e atraente, a ponto de fazê-lo imaginar coisas pervertidas.
— Prazer...
O elevador deu uma sacudida e as luzes ficaram fortes, em seguida a caixa começou a subir normalmente, Hervan ficou de pé e Nora o copiou.
As portas se abriram para recebê-los, e lá estava Adria com cara de preocupação. Ela falava algo com os homens da manutenção, porém, Hervan não deu atenção à sua secretária
Olhando para os lados ele percebeu que a sua companheira de elevador havia sumido. Ele praguejou baixinho: merda, nem ao menos tive tempo de falar meu nome para ela.
— Senhor Swarle, está tudo bem? — questionou Adria, após os homens que estavam concertando o elevador, partissem.
— Sim estou ótimo, alguém veio para a entrevista?
— Sim senhor, os dois rapazes já chegaram, falta mais uma pessoa, mas acho que talvez não venha, o senhor está bem mesmo?
— Sim, estou ótimo, só preciso de um tempo na minha sala.
— Claro, senhor. — Hervan caminhou para sua sala com Adria atrás dele, porém parou de súbito ao ver a mulher que estava com ele no elevador.
— Você… — Os dois falaram ao mesmo tempo, só que agora a mulher estava mais vermelha do que nunca e Hervan sorria por dentro comprovando que ela não sabia quem ele era.
Nora ficou triste de repente, ajeitou sua bolsa no ombro e estava saindo quando Hervan segurou-a pelo braço.
— Não vai ficar para entrevista, senhorita Miller?
— Não tenho a menor chance, depois de insultar o meu entrevistador.
— Isso é o que você diz. Queira sentar-se e esperar, eu não a julgarei devido ao acontecido no elevador. — O alívio no rosto da moça o fez soltá-la, ainda um pouco corada, Nora voltou ao seu lugar e tentou esconder o rosto de Hervan.
Saindo do transe com a voz de Adria atrás dele, Hervan entrou em sua sala, por isso ele sentia que conhecia o nome da mulher de algum lugar, ele o tinha visto na lista que Adria tinha mandado para ele.
Sentado na sua cadeira, buscou o celular e analisou os currículos dos concorrentes, todos muitos eficientes e por fim olhou minuciosamente o de Eleonora Miller e ficou impressionado com o que leu.
Eleonora era formada em Línguas Estrangeiras, na qual falava fluentemente cinco idiomas. Como seria ela dizendo o nome dele em um francês sensual? Hervan não acreditava em si mesmo por estar pensando besteiras sobre a senhorita Miller.
Ele xingou voltando a olhar ao currículo dela e a cada linha lida ficava ainda mais impressionado. Sua decisão estava tomada e bem lá no fundo ele tinha certeza de que a mesma não se baseava só nas qualificações acadêmicas e curriculares dela.