Capítulo 5:

4055 Palavras
Alfonso   Anne me encara com aquele sorriso bonito e verdadeiro. - Deixa sua mala no meu quarto, depois a gente dá um jeito no quarto que eu te falei pra você dormir lá. A sigo quando ela sai na frente e depois de deixar minha mala em cima da cama dela, voltamos pra sala. - Você tá com fome, quer comer alguma coisa? - Eu aceito um copo de suco, se você não se importar. - respondo. Quando Anne some na cozinha, vejo que o celular dela está em cima do sofá. Sem pensar duas vezes, pego o telefone dela e vejo que na tela de bloqueio tem uma estante de livros, por que será que isso não me surpreende? Como só é preciso deslizar o dedo na tela pra desbloquear eu me deparo com uma paisagem de inverno: um lago congelado, rodeado por árvores cobertas de neve. Na mesma hora disco o meu número, apenas pro número dela ficar salvo no meu celular. Quando meu telefone toca, encerro a chamada e apago a ligação do celular dela. - Alfonsina to fazendo um sanduíche pra gente tá? - ela avisa da cozinha. - Obrigada, você é muito gentil. - respondo, salvando o número dela na minha agenda. Antes que ela volte a sala, mando uma rápida mensagem para ela.   Eu: quando você vai aceitar sair comigo? Espero que logo. Poncho Herrera.   O celular dela apita e eu coloco o meu no silencioso, não posso correr riscos de meu celular vibrar ou tocar, caso ela decida responder à mensagem. Anne volta pra sala com uma bandeja. - Oh por que você não me chamou, eu te ajudava. - me levanto. - Tudo bem, daqui a pouco a gente começa a explorar você. - sorrio. - Explorar? Como assim? - É brincadeira, é que aqui todas nós ajudamos com a casa e as despesas. - Ah sim, não se preocupe com isso, meus pais me mandaram um pouco de dinheiro, vou poder ajudar vocês com as despesas e vou ver se consigo arrumar um emprego. - respondo. Não sei como, mas vou ter mesmo que precisar trabalhar, estou devendo uma grana pro Chris e agora sei que vou ter que ajudar financeiramente aqui na república. - Poxa, no bar onde eu trabalho estão precisando de uma pessoa, mas querem um rapaz pra ajudar com serviços pesados. Se precisassem de outra garota, te indicava e você podia trabalhar comigo. - Onde você trabalha? - pergunto interessado. - Num bar e lanchonete a seis quadras daqui. - Na Open The Doors? - percebo que falei demais, assim que abro a boca. - Sim, você conhece? - Ouvi falar, é praticamente o bar e lanchonete dos estudantes daqui, não é? - Sim, toda a UW vai lá, principalmente de fim de semana. É lá que eu trabalho, de quarta à domingo das seis à meia noite ou das seis às duas, dependendo o dia. Não ganho muito, mas é o único trabalho que consegui conciliar com a faculdade. - Então você vai pra lá hoje à noite? - Uhum, mas não se preocupe porque à noite as meninas estão todas aqui, por enquanto você fica comigo alguns dias à tarde e com elas à noite de quarta a domingo. - sorrio. - Marjorie, Deborah e Angelica fazem aulas e trabalham à tarde, da casa sou a única que trabalha à noite. - Ah sim, entendi. - acenei, interessado na vaga de emprego que ela citou. Comemos o lanche que Anne preparou pra nós e fico olhando quando ela pega o celular. Quando sua cara se fecha numa carranca, desconfio de que ela esteja vendo minha mensagem. - Não acredito! - O que foi? - Sabe o i****a do Poncho Hernandez que eu te falei? Ele mandou uma mensagem no meu celular, pedindo pra sair comigo, como ele conseguiu meu número? Dou de ombros, segurando a vontade de rir. Vejo quando ela responde minha mensagem com uma única palavra, escrita em letras maiúsculas: NUNCA! - Amanhã quando eu vir esse cara na faculdade, vou ter uma conversinha com ele. - Desculpa Anne, mas se o cara é bonitão como você disse, qual o problema em sair com ele? - Qual o problema? Ele é um hoquiano, Alfonsina! - O que é um hoquiano? - estranho. - É a forma como eu costumo chamar os jogadores de hóquei. Porque eles não apenas jogam hóquei, eles vivem no mundo do hóquei, entendeu? Eles não sabem falar de outra coisa do que dos jogos e das estratégias deles. São todos como esse Poncho, fissurados nesse esporte e sem cérebro algum pra fazer ou falar de qualquer outra coisa. Se não fosse as marias-patins, eles não teriam vida social. - E além de tudo isso, você acha esse Poncho Hernandez um i****a. - Sim, mas também ele não faz meu tipo. Gosto de caras que não olham pra uma garota e pensam como vão fazer pra levá-la pra cama e o Hernandez é desses, além disso ele não sabe o que é exclusividade e relacionamento sério. A gente nunca daria certo junto, eu quero alguém pra namorar. Pensando por esse lado, ela tem razão, mesmo tendo sido expulso do time, eu não tenho tempo, nem interesse em ter uma namorada. Uma garota no meu pé, cobrando atenção tiraria meu foco do hóquei e meu pai exige que eu esteja 200% focado no esporte. Mas Anne é a única que acredita em mim e preciso da ajuda dela pra provar minha inocência. - O que faria você aceitar sair com ele? O que esse Poncho teria que fazer pra você dizer sim? - pergunto. - Nascer de novo, numa forma menos i****a e egocêntrica? Puta que pariu, ela não pega leve comigo mesmo. Agora virou questão de honra fazer essa garota aceitar sair comigo. E quando ela perceber que não quero dormir com ela, ela vai abaixar a guarda. - Ok, mas nessa vida como ele poderia se tornar menos i****a? - Não sei, talvez começando a tratar as pessoas com mais respeito e não se achando o rei do campus, o superior que pode pisar nas pessoas sem ser punido. - ela dá de ombros ao responder. - Poxa, esse rapaz deve ser desprezível. - respondo. Acho que vai ser mais difícil do que eu pensava me aproximar dessa garota. - Mas talvez você deva dar uma chance à ele, sair com ele só pra ver como ele é. - Vai por mim, sair com ele seria uma péssima ideia. - ela sorri. - Eu não quero atrapalhar você, então acho que vou dar uma volta pelas redondezas tá? Me familiarizar mais com a cidade e preciso arrumar um celular novo pra mim, pra falar com meus pais. - Tudo bem, se você demorar pra voltar, as meninas vão estar aqui e já que você vai ficar vou providenciar uma cópia da chave daqui pra você tá bom? - Ok, obrigada! Posso desfazer minhas malas depois? - Uhum, amanhã à tarde Angelica e Marjorie vão estar aqui, então a gente deixa pra mexer no seu quarto amanhã, hoje você dorme na minha cama de novo. - Que isso vou atrapalhar. - Imagina, meu quarto é o único que dá pra você ficar, aquele sofá cama pra mim por uma noite tá ótimo. - Ok, então. - dou de ombros. - Até mais tarde. - Até! - Anne acena de volta.   Saio da casa e vou direto para o Open The Doors. Depois que Anne falou que trabalha lá, me lembrei que fui à esse bar algumas vezes com o pessoal do time e acho que ela serviu os nossos pedidos. Se ela não me falasse que trabalhava lá, nunca teria me lembrado por conta. Quando estou no segundo quarteirão, um carro com uns cinco alunos da UW vem descendo à rua ao meu encontro. A buzina começa a soar e um deles grita. - Oh gostosa, quer carona! Uma latinha de cerveja é jogada em mim, enquanto eles dão risada. Não aguento e respondo. - Porque vocês não vem aqui pegar no meu p*u seus idiotas! - grito. - Bando de ridículos. - xingo eles e continuo andando. Um quarteirão antes de chegar ao bar, me esconde num beco e tiro o vestido, a peruca, o óculos e as lentes. Tenho que concordar que Chris teve uma ótima ideia ao sugerir que eu andasse com a bermuda e a camiseta por baixo do vestido. Minha sorte é que não está frio, como na noite passada. Escondo a roupa e quando entro no bar vou direto falar com Javier, o dono do bar. - Oi, eu soube que vocês estão precisando de um rapaz pra trabalhar aqui, eu vim me candidatar à vaga. - Poncho Hernandez no meu bar? Querendo trabalhar comigo? - Sim, algum problema? - Vamos conversar no meu escritório. Querida toma conta de tudo aqui pra mim, por favor. - Javier fala com sua esposa Teresa, antes de sair de trás do balcão. Quando chegamos ao escritório, Javier me aponta uma cadeira e senta atrás de sua mesa. - Por que o capitão do time de hóquei da UW está querendo trabalhar no meu bar? - Não sei se você está sabendo Javier, mas eu fui expulso do time e meu pai acabou cortando minha mesada, resumindo eu preciso de grana e sem os treinos, estou com tempo pra trabalhar. - Entendo, mas você tem experiência como garçom? Já trabalhou alguma vez na sua vida? - Não, mas eu aprendo rápido e sou bom de memória. - Bom, eu vou precisar que além de garçom sejam feitos serviços de carregamento de bebida e alimentos. Além de auxiliar na hora de conferir o estoque e a limpeza do estabelecimento. Você conhece os rapazes e às vezes dá algumas brigas na mesa de bilhar, preciso que você me ajude nessa parte, eu não posso pedir para as meninas conterem um bando de marmanjos bêbados. - Javier sorri. - Eu entendo e por mim não tem problema nenhum. Eu faço o que você precisar. - Os dias de trabalho são de quarta à domingo. Quarta, quinta e domingo das seis da tarde à meia-noite. Sexta e sábado são das seis da tarde às duas da manhã. Se for necessário estender o horário, conta como hora extra e também temos o esquema das gorjetas. - Ok, por mim tudo bem. Eu garanto pra você que se você me aceitar não vai se arrepender. Aliás eu fui indicado por uma pessoa que se responsabilizou a me ajudar aqui, então você não vai ter trabalho nenhum comigo, eu te garanto. - sorrio. - Que pessoa? - Anne. - sorrio. Eu sabia que podia me ferrar por mentir assim, mas ou era isso ou ele não ia me aceitar. - Bom se ela quem te indicou e se responsabilizou por você, não há mais o que conversarmos, está contratado. Você começa hoje mesmo. - Ótimo, você não vai se arrepender. - mantenho o sorrioso e aperto sua mão. - Eu espero, volte aqui às 18 horas. - Ok! - assenti.     Anne   Chego à OTD (Open The Door), cumprimento Marian, a outra garçonete que trabalha comigo no bar desde o início do ano e Teresa, esposa do Javier, donos da lanchonete. Quando olho na direção do bar, vejo Poncho Hernandez arrumando o armário de bebidas. O que? Pisco algumas vezes pra ter certeza de que estou enxergando direito. - Marian, o que esse cara faz aqui? - Como o que ele faz aqui? Você o indicou pro emprego e o Javier adorou. Contratou ele na hora. - O que? Ao invés de ir até os fundos do bar pegar meu uniforme vou até onde Poncho está. - Posso saber que história é essa de você dizer que eu te indiquei pro emprego? - cruzo os braços. - Olá pra você também Anne. - Poncho sorri, descendo as escadas. - Responda a minha pergunta. - exijo impaciente. - Olha eu peço desculpas por ter usado você pra entrar aqui tá legal? Mas minha vida virou de cabeça pra baixo, literalmente, de um dia pro outro, eu fui expulso do time, fiquei sem nada. Eu vi o anuncio, mas Javier não ia me contratar se eu não usasse você como indicação. - Eu to pouco me lixando Hernandez, assim que o Javier chegar você vai contar que mentiu, se você não falar eu falo, eu não vou ficar responsável por você. - dou as costas e vou até os fundos do bar. Como eu já esperava, Poncho vem atrás de mim. - Anne, por favor! - ele agarra meu braço e me vira pra ele. - Me ajuda vai, não fala nada. - Por que você não vai pedir ajuda pros seus amiguinhos? - Porque eu descobri que eles não são meus amigos de verdade. - ele responde. - Olha eu sei que nunca fiz nada pra merecer sua ajuda agora, sei que eu sempre me comportei como um i****a, mas só me dá essa noite. Se eu fizer alguma besteira, prejudicar você de qualquer forma eu falo pro Javier que eu menti. - Fala mesmo? - o encaro desconfiada. - Eu juro que eu falo. - Tá, vamos ver então como você se sai hoje à noite. - o encaro e em seguida vou vestir meu uniforme. - Há propósito, o que foi aquela mensagem no meu celular, como você conseguiu meu número? - Eu te conto se você topar sair comigo, só pra gente se conhecer, prometo que não vou dar em cima de você. Podemos sair como amigos. - De jeito nenhum! - respondo, visto meu uniforme e saio de perto dele.   Às quartas e quintas-feiras a cerveja custa metade do preço, então em poucas horas o bar lota de alunos da UW querendo encher a cara. É nítido o susto que todos eles levam quando entram e encontram Poncho Herrera, o astro do hóquei, ou seria melhor dizer, ex-astro do hóquei, trabalhando como garçom. Eu tento ser indiferente, mas acabo me sentindo m*l por ele, ao ver como alguns alunos, ex-seguidores dele, zombam dele. Estou anotando o pedido de uma mesa, quando escuto uns caras duas mesas a frente, dizer a ele. - Ai Hernandez pelo jeito sua carreira no hóquei já era né? Bem que eu desconfiava que você só jogava porque seu papaizinho te colocou lá. A mesa inteira ri e vejo que ele fica sem graça e tenta não se abalar. Acabo interferindo, não porque é Poncho Hernandez quem está ali, mas porque nenhuma pessoa deve ser destratada por esses idiotas. - Os senhores já pediram o que querem? Poncho me olha surpreso, o rapaz que estava zombado dele, se volta pra mim. - Vem cá, você é a babazinha dele agora? - Não, mas como você está vendo o bar está cheio e não temos tempo pra perder com babacas como você. Então façam seus pedidos de uma vez e liberem o funcionário, se estão querendo fazer palhaçadas deveriam procurar um circo. Fiquei sabendo que inaugurou um lá na avenida, por que não fazem uma entrevista? Ah me lembrei, vocês não tem graça nenhuma! Pelo canto do olho percebo que Poncho sorri. A mesa se cala e eles fazem o pedido. Ao ver que a situação está sob controle, saio de perto. Mesmo sem querer estou me sentindo responsável por ele. Poncho vem até o bar e para ao meu lado na geladeira. - Obrigado por ter me ajudado. - ele parece realmente agradecido e sem graça. - Como consegue lidar tão bem com as zoações? - Já me acostumei e com o tempo a gente aprende a se defender, você vai chegar lá também. - sorrio, ajeitando as latas de Coca-Cola na bandeja. - Eu queria te pedir desculpas pelas vezes em que zombei de você, aqui ou na faculdade. Agora que estou sentindo na pele, eu percebo o quanto isso é r**m e humilhante. - Fico feliz por você, espero que essa experiência r**m, traga algo de bom quando você voltar a ser o capitão do time de hóquei e o cara que todo mundo segue. - Isso se eu voltar a ser o capitão um dia né? Todo mundo acha que eu roubei o time. - ele parece chateado. - Eu não sou todo mundo, não acho que você roubou seu time. - Não? - ele me encara surpreso. - Não, você pode ser qualquer coisa, mas duvido que seja ladrão e ia trair seus amigos. Você sim era amigo deles, pena que eu não posso dizer o mesmo deles. - Valeu Anne, pode não acreditar, mas é muito bom ouvir isso. - ele sorri. - Isso é uma colher de chá que estou te dando, não quer dizer que viramos amigos. - tento ficar séria, mas acabo sorrindo. Quem sabe com tudo isso, Poncho Hernandez pare de bancar o i****a egocêntrico. Quando passo por ele e saio do bar, a campainha toca e vejo um grupo entrar. d***a! O time inteiro de hóquei acaba de entrar na lanchonete, cumprimentando todo mundo e acompanhado por suas marias-patins. Encaro Poncho que está de costas pra mim, enchendo os copos no barril de chope. Se o campus todo zombou dele essa noite, o que seus ex-amigos de time vão fazer com ele? - Poncho me faz um favor? - Claro! - ele responde por cima dos ombros e percebo que não notou os amigos, ótimo. - Nos fundos do bar tem o freezer com as latas de refrigerante, traz algumas pra cá para abastecer a geladeira, por favor. - Claro, só me deixa levar esse pedido para os palhaços de circo. - Deixa ai que eu levo, eu.... Fico quieta ao ver que é tarde demais. Poncho está olhando sobre minha cabeça e pela sua expressão vejo que acabou de notar a chegada dos amigos. - Faz o que eu pedi que eu atendo eles. - pego as taças que ele encheu e coloco na minha bandeja, saindo de perto antes que ele fale alguma coisa. Entrego as bebidas da minha mesa e da mesa do Poncho e paro na mesa dos jogadores de hóquei. Assim que me vê os caras começam a rir. Ignoro e pergunto. - Querem a primeira rodada de chope e algo para acompanhar? As batatas fritas estão com desconto. - A gente não quer saber sua opinião, otária. - Tyler debocha. - Você tá aqui pra servir a gente, não pra decidir o que a gente vai comer ou não. Respiro fundo e conto até dez pra não pegar a bebida da mesa mais próxima e jogar nele. - O que vão querer então? - Oh minha filha você tá aqui pra servir a gente, então sirva com educação. - a maria-patins que está agarrada em Tyler me ataca. - Nossa você fala! - sorrio com ironia. - E sabe o que significa ter educação? Porque eu acho que não. - Vocês já pediram suas bebidas? A mesa inteira explode em riso e embasbacada encaro Poncho de pé ao meu lado. - O que você tá fazendo aqui?         Alfonso   Estava sendo uma verdadeira d***a ter que suportar aqueles risinhos e deboches dos alunos da UW, enquanto eu ia servindo mesa a mesa. A única coisa que eu queria, era que meu turno acabasse, mais uma gracinha e era capaz de eu acertar um murro em alguém. Quando Anne me defendeu e me disse que acreditava na minha inocência, fiquei surpreso. Acho que nesse momento as más impressões que tínhamos um do outro, começaram a ser desfeitas. Apesar de estar fora do hóquei, eu sabia que o pessoal tinha treino na manhã seguinte, então foi uma surpresa desagradável quando eles apareceram no bar. E fiquei mais surpreso ainda, quando Anne me dispensou e foi atender à mesa deles. À princípio fiquei agradecido, mas quando o time todo começou a rir e zombar dela, não aguentei e me aproximei. - Vocês já pediram o que querem? - pergunto, parando ao lado dela. - O que você tá fazendo aqui? Ignoro a cara f**a de Anne e as gargalhadas do meu ex-time e das marias-patins. - Eu não entendo onde está a piada, mas se me explicarem, talvez possamos rir todos juntos. - uso a estratégia de Anne e sou irônico com eles. - A piada está em você, que traje ridículo em Poncho, quem te viu, quem te vê. - Ethan debocha. - Eu prefiro a minha rouba do que aquele samba canção ridícula do Batman que você usa pra dormir. - revido e pelo canto do olho vejo Anne sorri. A mesa se cala e quando encaro Kristopher ele desvia o olhar, o cara sempre se proclamou meu irmão e melhor amigo, agora na frente do time todo, não diz nada a meu favor, é vergonhoso. E pensar que quando ele entrou no time eu fui o primeiro a apoiá-lo e acreditar nele. - Sinceramente Poncho não esperava isso de você. Virar as costas pra gente e ficar do lado desses não populares. - Ethan responde e olha Anahí como se ela fosse um inseto nojento. Não gosto nenhum pouco disso, ela é melhor do que todos nós aqui e merece ser tratada com o mínimo de respeito. - Foram vocês quem viraram as costas pra mim, primeiro. - Você roubou nosso time, o que queria? - Ethan dispara. - Eu não roubei nada e vou provar. Já trago a bebida de vocês, vem Anne! - a puxo pela mão e a tiro de perto da mesa. Quando vamos pro bar, começo a encher a taça deles com o chope. - Eu não precisava que você me defendesse, está vendo no que deu? Você acabou sendo humilhado também. - Anne reclama e me ajuda a encher as taças. - Não me importo, eu to começando a perceber que sempre fui um i****a egocêntrico e eles nunca foram meus amigos de verdade. - respondo e percebo que minhas palavras a pegam de surpresa. - Se você estiver falando sério, fico muito feliz em ouvir isso. - O que você tá fazendo? - arregalo os olhos ao ver Anne cuspir nos copos antes de colocar na bandeja. - Cospe! - ela estende um copo de chope pra mim. - O que? - Anda vai fazer você se sentir melhor. - insiste. - Esses caras humilharam você, merecem uma vingancinha. - Não, se alguém vir a gente fazer isso, vamos ser demitidos. - n**o com a cabeça. - Ninguém vai ver, anda, cospe! Pego o copo da mão dela e sem acreditar no que estou fazendo, dou uma cuspida generosa dentro do copo. Coloco na bandeja, não resisto e acabo sorrindo, é ai que me dou conta de uma coisa. - Perai, alguma vez você cuspiu em algum copo que me serviu? - faço uma careta, desconfiado. - Quer mesmo saber a resposta? - ela sorri com malícia. - Acho que não! - resmungo. Anne dá uma gargalhada gostosa que me conquista um pouco mais. Pega a bandeja com os copos e leva até a mesa dos jogadores de hóquei. E pensar que um dia eu faria qualquer coisa por esses caras.   Quando o bar finalmente esvazia, as meninas começam a apoiar as cadeiras sobre as mesas para limpar o chão. - Anne sua vez! - Teresa diz à ela e lhe entrega uma ficha. Vejo-a ir até a Jukebox e logo em seguida Send My Love da Adele começa a tocar. Anne sorri, solta os cabelos, tira os sapatos e vai dançando, enquanto limpa as mesas. - Poncho! - Javier me chama e o encaro rapidamente. - Excelente trabalho, você e a Anne formaram uma dupla muito boa. Sei que rolou aquela gozação toda, mas só parta pra ignorância se for necessário ok? - Tá! - aceno, sem conseguir tirar os olhos de Anne e sua dancinha engraçada e encantadora que me faz rir. - Você tá dispensado, hora de ir pra casa. - ele sorri e dá tapinhas no meu ombro antes de se afastar. Sei que eu preciso ir embora, que eu, quer dizer, Alfonsina precisa estar em casa quando Anne chegar, mas por alguma razão não consigo sair do lugar, meus olhos estão presos nela e não consigo desviá-los.
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