capítulo 19 - A verdade em rede Nacional

1232 Palavras
A manhã seguinte trouxe um silêncio denso à mansão Monteiro. Camila se levantou cedo, os olhos marcados pela falta de sono, mas a determinação pulsava dentro dela como nunca antes. Enquanto tomava café na cozinha, o telefone vibrou sobre a mesa. Era uma ligação de uma produtora de TV. — Senhorita Camila Souza? — a voz do outro lado soou educada, mas ansiosa. — Estamos acompanhando tudo o que tem acontecido, e o nosso programa quer te dar espaço para contar a sua versão ao vivo. Camila fechou os olhos por um momento. O coração batia acelerado. — Ao vivo? — Sim. Em rede nacional. Amanhã à noite. Por alguns segundos, o silêncio tomou conta da linha. Camila respirou fundo antes de responder: — Eu aceito. Ricardo entrou na cozinha pouco depois, vendo o brilho inconfundível nos olhos dela. — O que aconteceu? — Recebi um convite para falar em rede nacional. — Ela disse, tentando soar firme. — Vou limpar meu nome, Ricardo. Ele ficou em silêncio por alguns segundos. Depois assentiu. — Se é isso que você quer, eu estarei com você. Camila sorriu com gratidão, mas algo dentro dela tremia. Não era medo de falar — era o pressentimento de que Beatriz não ficaria parada. De fato, na cobertura luxuosa da cidade, Beatriz observava as notícias em seu tablet. Assim que ouviu sobre a entrevista, soltou uma risada amarga. — Então ela vai se expor de novo… — murmurou. — Perfeito. Ela se levantou, caminhando até a janela com uma taça de champanhe na mão. Seu reflexo no vidro parecia o de uma mulher prestes a entrar em guerra. Pegou o celular e discou um número. — Quero que descubram tudo sobre o passado de Camila Souza — ordenou ao detetive. — Família, amigos, antigos empregos… qualquer coisa que eu possa usar. — Certo, senhora Monteiro. — respondeu a voz do outro lado. — Já ouvi rumores de um ex-namorado. Beatriz sorriu friamente. — Ótimo. Encontre-o. E me traga até ele. À noite, Camila caminhava sozinha pelo jardim da mansão. As flores pareciam mais vivas sob a luz da lua, mas o peso em seu peito era inegável. Ricardo apareceu logo atrás, as mãos nos bolsos. — Você está preocupada. Ela deu um sorriso fraco. — É muita coisa, Ricardo. Eu só queria paz. — Paz é algo que raramente vem fácil pra quem fala a verdade. — Ele se aproximou, o olhar suave. — Mas vale a pena. Por um instante, os dois ficaram em silêncio. O vento soprou entre eles, como se empurrasse suas almas uma para a outra. Ricardo estendeu a mão e, sem dizer nada, apenas segurou a dela. Camila sentiu o coração acelerar. Não havia necessidade de palavras. Aquele toque bastava. Mas, dentro da mansão, uma sombra os observava pela janela: Beatriz. O olhar dela se encheu de raiva. — Se é guerra que ela quer, vai ter. No dia seguinte, a cidade estava em polvorosa. As redes sociais explodiam com a notícia da entrevista. Alguns defendiam Camila, outros prometiam boicotar o programa. Na emissora, a produção ajustava o cenário. Luzes, câmeras, roteiros. Tudo pronto. No camarim, Camila olhava para o espelho. A maquiagem leve realçava sua serenidade. Ainda assim, as mãos tremiam. — Nervosa? — Ricardo perguntou, entrando no camarim. Ela sorriu. — Com medo, na verdade. — Isso é bom. — Ele disse. — Significa que você se importa. Camila respirou fundo. — E se eles me atacarem ao vivo? — Então olhe para mim. — Ricardo disse, se inclinando um pouco. — Eu estarei bem ali, na primeira fileira. Enquanto isso, Beatriz chegava discretamente à emissora por uma entrada lateral. Trazia um envelope em mãos. Dentro dele, havia fotos de Camila com um homem desconhecido — imagens manipuladas que sugeriam i********e. Ela entregou o envelope a um repórter de colarinho amarrotado. — Faça as perguntas certas, e o país inteiro vai odiá-la antes que a entrevista termine. — E o pagamento? — o homem perguntou. — Depositado. — respondeu Beatriz com frieza. Minutos antes da transmissão, Camila já estava no estúdio. O apresentador, um homem experiente, aproximou-se com um sorriso falso. — Fique tranquila, Camila. Será uma conversa justa. Mas o tom da voz dele não convencia. A contagem regressiva começou: 3… 2… 1… — Boa noite, Brasil! — anunciou o apresentador. — Hoje, recebemos aqui Camila Souza, a mulher que dividiu opiniões no país inteiro. Camila manteve o olhar firme, mas sentia o suor frio escorrer pelas costas. — Camila, você tem sido chamada de muitas coisas: heroína, vítima… e também manipuladora. O que tem a dizer sobre isso? Ela respirou fundo. — Tenho a dizer que sou humana. E que, por trás de cada manchete, há uma história real. O apresentador sorriu, satisfeito com a resposta. — Mas, recentemente, novas informações surgiram. — Ele levantou um envelope. — Você poderia nos explicar quem é o homem dessas fotos? As imagens apareceram na tela. Camila ficou pálida. Eram fotos adulteradas, mostrando-a em um suposto encontro romântico. — Isso é mentira! — ela exclamou. — Essas fotos são falsas! Ricardo se levantou da plateia, indignado. — Isso é uma armadilha! O apresentador tentou conter o caos. — Por favor, senhor Monteiro, sente-se! Mas o público reagia em choque. As redes sociais explodiam em tempo real. Camila, respirando com dificuldade, olhou fixamente para a câmera. — Eu não sou essa mulher das fotos. — disse, a voz trêmula mas firme. — E quem espalhou isso sabe muito bem o que está fazendo. O apresentador insistiu: — Então está dizendo que foi vítima de uma armação? — Sim. E sei exatamente quem está por trás. — Ela fez uma pausa dramática. — Beatriz Monteiro. Um murmúrio tomou conta do estúdio. Ricardo se aproximou do palco, os olhos fixos nela. — Durante meses — continuou Camila —, fui humilhada, acusada e ameaçada. Mas não vou mais me calar. As lágrimas escorreram, mas sua voz não vacilou. — Tudo o que fiz foi por amor. Não por dinheiro, não por fama. Por amor à vida que carrego dentro de mim. Por alguns segundos, o estúdio ficou em silêncio. O apresentador, sem saber como reagir, apenas murmurou: — Voltamos já… após o intervalo. Nos bastidores, Ricardo a abraçou com força. — Você foi incrível. Camila chorava. — Eles vão continuar me atacando, Ricardo. — Então que ataquem. — Ele disse. — O país inteiro viu a verdade nos seus olhos. Ela o olhou por um momento, sem palavras. Então, sem pensar, o abraçou mais forte. Mas, do lado de fora, Beatriz observava a cena pela tela do celular. A raiva a consumia. — Você pode ter ganho o público hoje, Camila… mas eu ainda tenho cartas para jogar. Ela desligou o telefone, o olhar gelado. — E quando eu usar o seu passado contra você… nem o amor de Ricardo vai te salvar. Horas depois, já em casa, Camila deitou-se exausta, mas com uma sensação nova no peito. Não era mais apenas medo. Era força. Ela tocou o ventre e sussurrou: — A verdade está do nosso lado. Do corredor, Ricardo a observava, um misto de orgulho e amor nos olhos. Mas sabia que a batalha estava longe de terminar — porque agora Beatriz havia cruzado uma linha sem volta. E a guerra entre as duas mulheres estava prestes a atingir o ponto mais perigoso.
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