Pt. 10 Alicerce: Entrelinhas da Arte

1291 Palavras
Dorian, um pouco melancólico, retruca: - Tenho que ir, preciso resolver coisas da faculdade – disse enquanto mantinha seu semblante preocupado. - Agora? Ainda é cedo, você pode ficar comigo mais um pouco, né? Ficar assim com você é tão gostoso... – disse enquanto o abraçava apaixonadamente. Dorian tirou os braços de Emil em sua volta e se manteve sério. Depois suspirou e disse: - Sabe... Você partirá em breve, não é justo falar isso. Não é justo sentir isso agora. Emil senta-se olhando fixamente em seus olhos e furiosa, dizendo: - Você acha que tô brincando com você? - Acho que está sentindo muitas coisas agora. Emil virou seu rosto e emitiu um som de desaprovação, depois respirou fundo e o encarou novamente: - Sabe... O único momento que senti algo bom e real sempre foi com você. Até achei que fosse seu jogo, mas você só estava sendo você. Você nunca percebeu como nos sentimos? Então tenha respeito pelo que sentimos – disse enquanto lacrimejava, com voz trêmula – eu te amo e cansei de jogar meu amor fora em busca de conforto em migalhas. - De qualquer forma, não quero relacionamento a distância. Talvez... – disse Dorian enquanto respirava fundo, tomando coragem para falar – você só esteja abatida ainda. Emil sorriu sarcasticamente com seus olhos cheio de lágrimas e disse decepcionada: - Você só não sente o mesmo por mim ou tem medo de mim? - Só não quero ser uma confusão! - E eu só cansei de esconder que você é o amor que esperei e esperaria por uma vida inteira! – retrucou aos prantos. - Emil... Estávamos bêbados, talvez isso tenha sido um erro. Foi divertido, mas há prioridades, e com certeza não sou uma delas. Emil abaixou sua cabeça e enxugou seu rosto que encontrava inchado por causa do choro. Em seguida, olhou para Dorian e retrucou enfurecida: - Talvez conhecer você tenha sido um erro. Quero que saia daqui e nunca mais volte. Suma daqui com seu orgulho e suas desculpas para não se permitir ser feliz. Não sou sua pelúcia que ficará sempre lá esperando você se lembrar. O mais triste é que você nem falou o que sentiu, você nem liga! Eu estava totalmente enganada e fui burra em achar que você se importa. Não quero ver você nunca mais, não quero lembrar do seu cheiro e nem seu nome! Dorian apenas concordou com a cabeça e não falou mais nada. Deu meia volta e apenas disse “tranque a porta, quando puder”. Dorian nem chegou a se mudar pra lá, infelizmente, mas o lado bom é não se preocupar com a mudança novamente. O motivo de sentir raiva intensa e levantar essas indagações seria por ainda guardar todo aquele amor, mesmo diante de tais palavras frias e não repensadas ou pensar que seu tempo se perdeu nos emaranhados de um amor não correspondido? A dúvida ainda assolava, mas preferiu se punir com a mesma e apenas seguiu em frente acreditando que tudo não se passava de um amor unilateral. Naquela quarta, até o céu chorou e as nuvens esconderam as lágrimas do sol, tudo estava tão melancólico. As sensações estavam cinza e o dia estava como um quadro em branco. Dorian desistiu de sua faculdade para estudar investigação forense e perícia criminal em outra, como disse na cartinha, e depois foi até a sua casa e refletiu sobre a sublime noite que tivera com sua melhor amiga detalhando o acontecimento da sua memória, como detalharia um artista ou um cozinheiro com seu amor ao trabalho, sorriu e até disse “espero que tenha uma boa viagem, Emil” e tentou deter seus pensamentos sobre Emil com onde faria sua faculdade e pesquisou os locais que tinha o curso desejado. Após alguns minutos, alguém liga para Dorian, que quase desliga instantaneamente, mas cogitou em atender e assim o fez: - Quem é? Em resposta, houve sons de alguns sorrisos que aos poucos cessaram: - Sou a Ângela da facul, não lembra mais? – disse enquanto sorria. Dorian suspirou e respondeu frustrado: - Olha, não precisa me consolar porque a Emil pediu. Sei que têm coisas melhores pra fazer porque é ocupada. A gente se resolve depois e agradeço a preocupação. - Que? Esqueceu que temos trabalho? Ia pedir pra marcarmos algum lugar pra fazê-lo, tá doido? - Ah... Trabalho – retrucou Dorian enquanto coçava a cabeça e sorria. Desculpa, minha cabeça não ajuda. - Tendi... A gente..., Meio que..., Podemos falar sobre isso em algum lugar, o que acha? Na biblioteca da faculdade ou em uma livraria. - De antemão, quero dizer que será nosso último trabalho juntos. - Tá bom, tá bom, não precisa ser chato. Quando esse terminar, você faz tudo sozinho – retrucou Ângela completamente rude. - Calma aí, nada a ver com você, é que saí daí. Farei outra faculdade. - Ah, perdão... Então você tem ideia, uma sugestão sei lá... - Quero que seja honesta, está a fim de sair do conforto de sua casa pra fazer um trabalho? Posso passar aí, é mais fácil. - Ok, ok, um estranho na minha casa mentalmente instável, arrogante e pé no saco? Por que não? Moro aqui no centro em um apartamento. Dorian riu e respondeu sarcasticamente: - Riqueza em detalhes, não tenho dúvidas de onde é agora. - Ah, perdão; fica próximo à praça da bandeira. Você vai pra calçada do shopping Diniz e segue diretão até chegar em um prédio que têm apartamentos. Apartamento 412 e eu desço quando chegar e não se acostume: é o máximo de gentileza que faço a você. - Acho que posso lidar com isso, então vou aí agora e volto ao anoitecer, se não tiver problema. - Só se não trouxer comida, aí tem problema. Ambos ficaram calados por alguns segundos, até Ângela falar algo rindo: - Brincadeira, pode vir com as mãos vazias, mas não cozinho pra você. - Posso sobreviver. Trarei um lanche então. Tchau, tchau. Dorian desligou e foi até o quarto preparar seu material para ir a casa de Ângela, pegou às chaves do carro e quando estava prestes a sair, a campainha tocou. Dorian foi atender e para sua surpresa, era Emil um pouco abatida e séria: - Podemos conversar? – perguntou Emil cabisbaixa e titubeante. - Ainda mais? Achei que tinha dito tudo. Não acho que queira conversar, até porque estou de saída. – retrucou Dorian o mais rude possível. - Não quero partir arrependida por perder um grande amigo como você. Talvez meus sentimentos se sobrepôs a nós! Por isso quero entender-me com você. Dorian respirou fundo e massageou sua testa, logo depois; olhou seu relógio e disse: - Realmente tenho que ir porque vou comprar coisas ainda. Veio falar pra se sentir bem? Surpresa: não estou decepcionado nem nada, entendi perfeitamente. Somos amigos ainda e boa viagem. Toma isso aqui – Dorian puxou uma caixinha e entregou a Emil abruptamente e sem cerimônia – abra quanto estiver em casa. – em seguida, deu um rápido abraço e um beijo na testa. Emil ficou imóvel e apenas o viu partir um pouco cabisbaixa. Por um lado, um pouco aliviada por vê-lo bem, mas em dúvida se ele realmente estava bem. Após refletir, Emil entrou no carro e vislumbrou sua caixinha; infelizmente, sua curiosidade foi maior e ela abriu e viu um colar lindo. Ele tinha formato de um coração banhado a ouro, dentro dele tinha uma foto deles em miniatura, ainda fora do colar, continha as iniciais de ambos. Muito clichê, mas uma grande e bela forma de demonstrar seu carinho. Na caixinha, tinha mais uma carta escrita: não é um adeus, mas sim um até logo. Boa viagem, dra. Rendall.
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