Emil ficou emocionada e até abraçou a cartinha por saber que Dorian tinha sua forma de dizer “perdão” e apoiar sua decisão de partir, embora ainda quisesse mais dele, mas o que dois corações jovens e desesperados podem fazer, senão criar m*l-entendidos? Hoje não é momento, mas amanhã, sem falta! Seria o dia em que um ou outro relembrasse a saudade desse breve amor, pensou Emil antes de dar partida. Em seguida, dirigiu até seu apartamento a fim de concluir sua arrumação para viajar.
Dorian chegou no prédio que Ângela mencionou e pensara algumas vezes “c****e, será que é aqui? Ela tem câmera lá pra saber que eu cheguei? Mas mandei mensagem, então só esperar” e continuou esperando impacientemente, batendo seu pé no chão e olhando seu relógio. Até que a porta do elevador se abriu e fez Dorian olhar imediatamente para ele; e lá estava Ângela com seu cabelo curto até o pescoço vestindo um suéter preto desproporcional ao seu corpo e com um short, usando meias e sandália. Ângela não era alta, mas nem tão baixinha, ela é branca e tinha olhos sedutores e grandes, um rostinho de uma jovem de 15 anos que desaparece rapidamente com seu conhecimento afiado e palavras firmes.
Ao se aproximar de Dorian enquanto mexia no celular, larga o mesmo e guarda no bolso rapidamente e estende sua mão, a fim de cumprimentá-lo:
- Oiiii, desculpa a demora! Meu gato derrubou o lixo justamente quando estava saindo. Tive que organizar – explicou-se um pouco envergonhada, mas com seu olhar firme, encarando Dorian.
- Ah..., tudo bem, normal. Minha mãe tem 3 gatos, já convivi com eles e são uns amores, mas dão trabalho. Aqui o que eu trouxe – disse ao entregar as compras a Ângela e enquanto caminhava até o elevador.
- Aaahh, obrigada! Pera, pera; deixa eu ir na frente, que né..., sei onde fica o apartamento – disse enquanto sorria e entrava no elevador.
Ficaram ambos em silêncio no elevador olhando para todos os cantos e respirando concentrados, como se quisessem diminuir a tensão. Então no exato momento em que Ângela falou, Dorian fala também, fazendo com que ambos sorrissem:
- Pode falar primeiro, Ângela.
- Fala você, eu ia falar besteira. Você parece ter coisas interessantes.
Dorian silenciou -se brevemente e retrucou:
- Ok, você realmente tem 23 anos? Sua voz é meiga e tem um rosto de uma menininha. O tempo foi bondoso com você.
- Sério? Achava que seria algo aproveitável, não uma chacota. – disse enquanto bufava.
- Não é uma chacota...
- Não sou i****a, Dorian.
Ambos permaneceram em silêncio novamente, até que Dorian disse com seu sorriso sacana:
- Chacota seria eu dizer se você mora em um jardim.
- Mas meu AP não tem. – Retrucou inocentemente Ângela.
Então novamente silenciaram-se e olharam para o alto, procurando seus pensamentos mais criativos para estimular uma conversa. Até que Ângela mudou sua expressão como se estivesse perplexa; pressionando suas sobrancelhas contra os olhos, encarando Dorian e disse:
- Você ousa me chamar de baixinha assim? Na cara de p*u?
- Eu? – indagou Dorian cinicamente.
- Odeio pessoas cínicas! Você mesmo, seu..., seu... Sua vara de pescar!
- Lamento, essas ofensas e tampouco esta conversa não estão a minha altura.
Ângela novamente ficou boquiaberta, colocando sua mão no peito e retrucou:
- Faça outra piada assim que faço com que tire nota baixa.
- Devo realmente me preocupar? – retrucou Dorian com seu sorriso debochado.
- Sabe, ia perguntar se você estava bem, mas agora espero que esteja péssimo!
Dorian ficou rindo sem parar como se fosse algo cômico, então Ângela retrucou:
- Muito engraçado, tô rindo até agora, i****a.
Dorian continuou rindo, após cessar retrucou:
- É bom brincar, às vezes. Ajuda a lidar melhor com algumas coisas.
- O quê?
- A timidez.
Ambos sorriram timidamente e ficaram se encarando. Após o momento divertido, chegaram ao andar desejado e foram até o apartamento. Durante o trajeto, Dorian esbarrou em um morador que logo virou e pediu desculpas:
- Opa, desculpa! Não v... Pera, Dorian?! – disse Jean surpreso.
- Jean? Quanto tempo! – retrucou enquanto caminhava pra abraçá-lo.
- Caraca... Jamais imaginei rever você desde o ensino médio. Não sabia que namorava a pessoa mais chata do condomínio.
- Pagando minhas contas? – Indagou Ângela
- Como eu disse... CHATA! Bom, embora seja bom revê-lo, tenho que sair imediatamente. Pega aqui meu número!
- Ok, ok, coloca aqui no meu celular – disse Dorian enquanto entregava o celular com agenda aberta.
Depois ambos se despediram e continuaram o trajeto até o apartamento de Ângela, logo Dorian olhou para trás e gritou “não estamos namorando!” arrancando um belo sorriso de Ângela pela forma que Adam ficou afetado.
Ao chegar, Dorian permaneceu em pé até Ângela dizer “fique à vontade” ou “pode sentar”, que após perceber, sorriu e disse “pode sentar”. Em seguida, foi até seu quarto, trouxe seu notebook e outros materiais e pôs a mesa, antes de ir à cozinha. Dorian também retirou da mochila seu notebook, colocou na mesa e aguardou Ângela trazer, em alguns minutos, dois copos de chocolate quente, toda sorridente. Em seguida, diz:
- Tá muito frio hoje, então fiz pra gente
- Obrigado!
Dorian ligou seu computador enquanto segurava sua caneca com chocolate, mantendo seu semblante abatido, embora tentasse esconder. Às vezes, respirava fundo e fazia um olhar tristonho, mas lembrara de onde e com quem estava, então mantinha sua rigidez.
Ângela ligou a TV e colocou música para descontrair, pegou seu notebook, estirou suas pernas na mesa e tomou um gole de seu chocolate. Após alguns minutos sem jogar conversa fora, Dorian respirou fundo e disse um pouco titubeante:
- Lembra quando perguntou se eu sei como as pessoas se sentem?
- Hã? Sim! – respondeu Ângela ao se virar quase instantaneamente para Dorian.
- É estranho, mas às vezes parece que..., que estou desligado.
- Como assim?
- Ah... Sei lá, mas hoje de manhã Emil e eu tivemos uma briga, ela disse que não queria me ver mais e queria esquecer tudo.
- VOCÊS TRANSARAM?! – indagou Ângela estupefata e se aproximando de Dorian
- É... Mas ela dormiu comigo porque não sabia como agir diante de uma despedida. Pior que isso...
- Hmm...
- Ela esconde algo que seu olhar não consegue esconder. Ela busca consolo em tudo; desde o mais simplório até o mais complexo. Não é porque ela partirá, tem algo maior e é fato.
Ângela calou-se enquanto encarava Dorian, respirou fundo e segurou suas mãos a fim de confortá-lo e respondeu:
- A mãe dela está doente.
- Sra. Rendall? O que ela tem?
- Câncer de mama.
- Ela iniciou o tratamento com quimio a essa altura, agora ela só pode esperar pelo pior ou melhor resultado.
Ângela emudeceu-se novamente e retrucou com pesar:
- O câncer se espalhou e afetou outros órgãos.
- Metástase..., c****e. É questão de tempo até ela morrer.
- Sim.
Dorian mudou seu semblante e respirou ainda mais fundo, como se estivesse eliminando um fardo de seus ombros. Sra. Rendall é simpática e é muito amiga também da Sra. Siglieri. Na infância, diversas vezes Sra. Rendall comentava com ela “esses dois são lindos juntos. Entendo porque seu filho quis levar um soco por Emil, Chris. Ele a ama”. Sua segunda mãe estava prestes a morrer, Dorian ficou em silêncio brevemente e depois disse:
- Ela não quis me contar porque não quis me preocupar.
- É... Achei isso muito i****a, você é praticamente um irmão pra ela. Deviam passar por isso juntos. Está tudo bem?
- Tá, se tem uma coisa que devemos saber é que a morte está sempre espreitando. Quando ela chega, não podemos fazer nada.
- É..., podemos falar sobre outra coisa, se quiser.
- Talvez seja melhor terminarmos esse trabalho.
Ângela consentiu e iniciou seu trabalho ao lado de Dorian. Às vezes, durante as pausas, ambos brincavam ou assistiam algum vídeo no i********: ou fofocavam sobre os alunos da sala e até dos professores, depois voltavam trabalhar.