Pt. 12 Alicerce: Entrelinhas da Arte

1307 Palavras
Dorian estava mais solto e conversava mais à vontade, conforme passava o tempo e sorriam ainda mais. Em momentos que Dorian estava completamente distraído, Ângela olhava brevemente para ele e alguns pensamentos aleatórios do tipo “nossa, ele é lindo. Tão focado” ou quando estavam debatendo, de repente ela pensava “que ‘sexy’, é errado pensar assim depois do que houve?”. Após horas no trabalho, concluíram e foram lanchar como recompensa: - Nossa... Até que foi rápido. Fizemos o corpo do trabalho, mas recomendo acrescentar coisas e rever tudo. Seminário com aquele professor é chato – disse Dorian enquanto bebia o seu chocolate. - É... – Ângela concordou e continuou tomando o seu chocolate. Dorian largou a sua caneca e tossiu como se estivesse eliminando algum pigarro da sua garganta, olhou para Ângela e disse: - Quando falou comigo, praticamente demonstrou entender tudo que passo. Você já vivenciou algo assim? Ser diferente no meio dos comuns? - É complicado, tudo que pode saber é que pessoas são más. – Retrucou com um leve ressentimento. - Acha que Emil e eu somos pessoas más? - O fato de sempre fugirem de seus problemas, talvez. Aos olhos de alguma pessoa... – tomou mais um gole de seu chocolate e largou sua caneca –, e posso ser uma dessas. Covardes também me enojam, mas talvez tenham me conquistado o suficiente pra ignorar isso – disse enquanto encarava-o. Dorian sorriu e retrucou: - Reconheço a minha covardia, mas pretendo voltar a frequentar o meu psicólogo. Depois do que me disse, entendi que as pessoas não são obrigadas a lidar com a minha indiferença diante de tudo. Então agora é o começo, de fato, da nossa amizade. – Dorian estendeu a sua mão com um belo sorriso e perguntou: sou Dorian Siglieri e tenho interesse na sua amizade! Ângela o fitou com um semblante sério e julgador e responde: - Você não é tão diferente de Emil, é? - Como assim? - Sou apenas resto. Está fazendo isso porque ela partirá e talvez nem volte. Tem medo de ficar só? Dorian a encarou brevemente e olhou para baixo, aos poucos também baixou a sua mão e respondeu: - Artistas que escrevem para uma plateia ou esperam uma plateia apreciadora de arte e se deparam com um vazio, se sentem indiferentes até mesmo diante de sua felicidade. É sempre bom ter alguém com quem conversar sobre os momentos disfóricos e eufóricos. Estou usando você como meu verdadeiro potencial reconhecimento de tudo. Ângela o fitou novamente, mas um pouco relaxada, até sorriu um pouco e retrucou: - Já é um começo, mas saiba: não preencho buraco. Não me use para tocar a sua vida. – Depois estendeu a sua mão. - Você é o início de tudo. A partir do que está acontecendo aqui, sei que posso aprender e aproveitar melhor as coisas. Dorian apertou a mão de Ângela e devolveu o seu sorriso. Ao terminar o seu lanche, Dorian foi lavar as suas mãos. Depois foi até a sala onde estava e arrumou as suas coisas e ficou pensando na tarde que tivera e sorriu descontraído. Chamou Ângela e avisou da sua saída: - Foi bom passar essa tarde aqui, para ambos. Não imaginei que fosse tão legal. - É recíproco. - Lamento a bagunça e espero que dê tudo certo na faculdade. - Ficarei bem, mas será um tédio. – disse Ângela enquanto sorria. Dorian foi até Ângela e deu um abraço caloroso e partiu sem olhar para trás. Ângela ficou um pouco desconcertada, mas depois sorriu e voltou pra o seu apartamento. Por mais que o dia tenha começado transtornado, Dorian soube deleitar-se de uma parte boa do dia e se renovar e dar redenção a Emil com o seu perdão mediante entrelinhas. Na sexta-feira, por volta da manhã ainda, Emil estava indo ao aeroporto de Campina Grande. Ela estava no Uber a caminho, enquanto segurava o seu cordão e olhava para janela preocupada com a sua mãe e ansiosa. Após alguns minutos, Emil chega ao aeroporto e se depara com uma cena incomum. Havia vários homens de preto aguardando alguém e conversando, mas não observou por tanto tempo porque devia despachar a sua bagagem. Ao retornar à mesma sala, ela se depara com Dorian perdido e em busca de alguém. Emil foi às pressas até ele e recostou-se no seu abraço, em prantos. Dorian devolveu o abraço e acolheu Emil como se acolhe um pássaro com a suas asas quebradas e com frio, em seguida, disse: - Engraçado é que pedi para passar um tempo no seu apartamento, mas esqueci só apaguei essa parte que você ia embora. - Pensei o mesmo, mas acho que é costume – retrucou enquanto sorria. - Espero que encontre forças para lidar com tudo por lá, Emil. - Espero que encontre forças para lidar com tudo por aqui, pequeno gafanhoto – retrucou com um belo sorriso. Ambos se encararam apaixonadamente e abraçavam-se, até que depois tiveram que se despedir realmente. Dorian subiu para olhar a sua partida até entrar no avião enquanto comia a sua pipoca, mas notou um homem estranho; ele era alto, n***o e vestia um terno esbelto, com cabelo afro curto e estava fumando cigarro. Tinha um olhar deveras intimidador e o seu rosto lembrava Denzel Washington, ele andava acompanhado com mais 3 homens e conversava algo aparentemente sério e inaudível. Dorian o encarara e pensara “ninguém anda pela pista assim, deve ser um crápula de Corvo assassino”. O homem continuou andando até sair da pista e entrar no aeroporto. O mesmo homem encarou duas vezes o avião e olhou para o relógio, depois partiu. Dorian estranhou e pensou imediatamente nos aviões e correu para avisar a segurança, porém bem no momento em que ele relatou, esse homem e os seus capangas apareceu. O homem o olhou com desdém e disse: - Cuidado com o que vê. Talvez pode acabar sendo a última. - Você não me intimida. O homem sorriu e mexeu no seu terno como se procurasse algo, mas foi parado por um dos seus capangas que disse: - Anthony! Aqui não, Don Palazzi exigiu sigilo total e você sabe o porquê. - Caaaalma, apenas estou ofertando um cargo para ser um de nós. Homem com dedução a esse nível merece atenção. Dorian devolveu o desdém e recusou imediatamente: - Não sou como vocês. - Ninguém era, mas depois decidiram. Sou Consiglieri da família Palazzi, então ganhou praticamente um acesso VIP. Não desperdice sendo i****a – retrucou enquanto colocava o seu convite no bolso de Dorian e partiu. Anthony fez um sinal para seus homens e partiu sem falar nada. Dorian falou novamente com a segurança que, rispidamente, disse: - Você enlouqueceu?! Não posso fazer nada! Fique calado, se tem amor a vida – disse sussurrando. - Matará inocentes porque teme contrariar uma ordem? – retrucou Dorian impaciente. O segurança então cochichou algumas palavras no seu rádio e disse a Dorian: - É melhor sair, acionei a segurança! - Espera, como assim?! Assim que Dorian perguntou, um enorme estrondo de explosão em direção da pista pôde se sentir e escutar. Não se tratava de terremoto, nada que fosse considerado como catástrofe ou fúria da natureza. Os Palazzi estavam agindo e fazendo mais vítimas devido aos seus negócios. Todos se abaixaram e alguns simplesmente se jogaram no chão. Estilhaços de vidros espalharam-se por todo lugar, como se fosse chuva, atingindo todos próximos. O primeiro pensamento veio à cabeça de Dorian não foi somente quem estava ao redor ou nas outras pessoas que embarcaram, de antemão, o aperto que sentiu no seu coração, a aflição que o domava, foi quando pensou na sua amiga que estava partindo naquele dia inesquecível. O que ele pensou naquele momento foi no avião em que Emil estava!
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