- Você realmente fecha seus olhos para si, Ruan...
- Continua... Depois você chora.
Alfredo silenciou-se por um breve momento demonstrando seu aborrecimento, então prosseguiu com o relato:
- Ao chegarmos, fomos bem recebidos! Coisa do tipo “meus cumprimentos aos Palazzi, diga que mandei lembranças a Ruan”. Identificamos o líder, conversamos coisas da vida e tomamos café... E comemos pão. Durante o café, disse que sabíamos. Ele explicou a situação e disse que tinha expulsado o cara que fez isso. Porém, fui sincero! Disse que você não iria se contentar. Disse que deveria ter dito logo pra gente. Ele entendeu e quis propor outro acordo.
- E?
- Calma...
- Estou calmo, p***a, só quero conte logo!
- Certo Ruan, meu deus! Pode ficar só uma vez sem falar palavrão?
- Alfredo, você faz essas merdas e ainda exige coisa? Vai se f***r! Só fale, pois quero dormir.
- Meu Deus, pelo visto não dá. Enfim, antes que ele falasse, o cara, o mesmo que aprontou... Entrou desesperado e disse que o tinha visto no noticiário. Disse que com certeza nossa visita era uma mensagem de um possível rompimento, tinahm pedido favores a eles e afins... Ficamos surpresos em descobrir isso, mas o desespero veio dele e dos demais membros. O líder sentiu-se pressionado! E claro, eles nos renderam, mataram Renata, Alberto, Juliana e José. Não nos mataram graças ao líder... O Mickael. Eles nos deram uma surra e quase nos mataram, mas eu disse que poderia dar um jeito, que você me escutava e matar-me não seria solução, e sim, declaração de guerra. Após horas de aflição, nos soltaram.
Ruan enche novamente seu copo. Ao encher, respira fundo e joga seus cabelos para trás novamente e diz:
- Foi i****a, Fredo, poderia ter morrido!
- Ruan, nem sempre as coisas são resolvidas com arma não, visse?
Fica agindo como se só você soubesse das coisas e nem gosta de opinião!
- Fredo, f**a-se! – Ruan se levanta, vai em direção a Alfredo e toca no seu terno, apontando como se tivesse dando ênfase no que fosse falar – olha como você está todo fodido! Quase morreu por nada! Provando p***a nenhuma e ainda mentiu. Ou você tinha esperança de alguma coisa?
Alfredo solto um leve sorriso de frustração, põe a mão entre os olhos e a ponte do nariz e diz:
- Sabe... Por que eu ainda tento falar com você? Você não me escuta, NÃO ESCUTA NINGUÉM E POR ISSO LUCRÉTIA NÃO ESTÁ MAIS AQUI! – disse Alfredo gritando e apontando para Ruan, que até o momento, estava de costa enchendo seu copo. Ao escutar as palavras de Alfredo, virou imediatamente e furioso, apontando para o mesmo e dizendo:
- EI, NÃO ENVOLVA LUCRÉTIA, ELA NÃO TEM NADA A VER COM SUAS MERDAS! VOCÊ NÃO SABE DE NADA, ENTÃO NÃO FALA O QUE NÂO SABE!
- Ruan, se toca! Você vive nessa fantasia de máfia e suga todos pra isso em pleno século XXI e não gosta que ninguém cutuque isso. Sua autoridade é só uma farsa, uma imagem vendida para esconder sua fragilidade. Pelo amor de Deus, claro que eu sei das coisas... Lucretia foi mais porque não queria ver você mentindo pra si. Quer saber? Estou cansado e vou dormir. Até amanhã, Ruan.
Alfredo dirigiu-se para fora do escritório com passos impaciente e bateu a porta, deixando Ruan falando só:
- Isso... Fuja de novo! Pra começar, você nem sabe o que está falando! É MELHOR TRAZER FLORES NA PRÓXIMA VEZ E OFERECER SEU CU PARA ELES! AH, MELHOR! QUE TAL LEMBRAR QUE VOCÊ É RESPONSAVEL PELA MORTE DOS QUATRO PALAZZI, SEU FILHO DA p**a!
Disse Ruan gritando e completamente frustrado. Arremessando seu copo contra a porta. Em seguida, apenas escuta-se Alfredo gritando “cresce Ruan” e Ruan retrucando “Vai se f***r, seu babaca”, arremessando sua garrafa contra a porta. Em seguida, Ruan joga seus cabelos para trás com mão, respira fundo e saia do escritório também. Murmurando “filho da p**a m*l agradecido” e dirige-se ao quarto.
No mesmo dia, por volta das 7h da manhã de uma sexta-feira, Alfredo acorda com alguém o chacoalhando. Era Ruan, com cara de sono, como se não tivesse dormido nada e dizendo “ei, se levanta”. Alfredo passa a mão no rosto, pega seu celular a fim de verificar as horas. Alfredo senta na beirada da cama e diz:
- Ruan, são 7h da manhã. Estou morrendo de sono... E dor. O que houve?
- Falei com Carlo, parece que deixaram os corpos bem organizados na “Funerária Palazzi”. Você e Carlo farão os preparativos e também falarão aos familiares que você é o culpado.
- Que drama... Não precisa tudo isso. Você só quer me perturbar mesmo
Alfredo se levanta e se esbarra em Ruan. Dirigindo até a escada. Ruan então diz “você errou e faço questão de esfregar na sua cara até aprender”, porém, Alfredo, até o momento ignorava. Ao chegar na sala, Ruan segura o ombro do Alfredo e diz “até vai se comportar de uma forma tão leiga”, fazendo com que Alfredo desaprovasse de imediato sua postura e respondendo violentamente com uma tentativa de socar Ruan, porém o mesmo desvia e golpeia Alfredo no rosto, atingindo seu rosto. Quando Ruan tenta acertar mais um golpe, mas impedido com um golpe surpresa de Alfredo bem no pênis e testículos, fazendo com que Ruan deite no chão e murmura de dor. Alfredo se apoia na mesa, pressionando seu nariz, olhando para Ruan e dizendo:
- Você é louco, Ruan! Acho que você quebrou meu nariz.
Ruan ficava em silêncio no chão apenas grunhindo. Após alguns minutos, Ruan diz:
- Quem p***a acerta as bolas em uma briga... VOCÊ É DOIDO?! – diz Ruan gritando –
- Você é praticamente um John Wick, acha que dou conta? Já viu você lutando com ou sem arma? Não iria perder feio, fui estratégico.
Ambos silenciaram-se novamente, escutando somente a respiração ofegante de ambos. Ruan continuava no chão massageando levemente suas partes íntimas, Alfredo preocupado então pergunta:
- Está tudo bem aí? Quer ajuda?
- Não... Estou bem...
- Deixa de ser orgulhoso. Vem cá! – diz Alfredo enquanto locomovia-se até Ruan e tentava ajuda-lo, mesmo relutando em aceitar sua ajuda –
- Sai, deixe-me aqui, seu estropício!
- Para Ruan, vem logo. Deixa de frescura!
Após levantar-se: ambos dirigem-se até a cozinha. Alfredo ajuda Ruan se sentar e diz “vou pegar um pano e colocar gelo”, Ruan apenas concorda com a cabeça e permanece cabisbaixo. Alfredo entrega o pano e novamente ambos emudecem. Depois de alguns minutos, Ruan olha para Alfredo e diz:
- Não quebrou, pelo vista... Estaria sangrando mais. Deixa eu te ajudar... Pegue o kit de primeiros socorros no armário próximo à geladeira.
Alfredo não diz nada, procura o kit e diz “não estou vendo”, em resposta Ruan diz “tá sim, procura direito, ontem mesmo usei”, continuando a busca. Ao encontrar, Alfredo diz:
- Bingo! Aqui está.
- Quem fala “bingo” quando encontra algo?
- Eu... – disse Alfredo enquanto locomovia-se rumo a Ruan com o kit –
- Aqui.
- Pronto... Vou limpar e fazer um curativo. Não se mexa!
Ruan limpou o sangue, passou uma pomada e disse “voilà”. Em seguida disse:
- Não queria ter socado sua cara – disse sorrindo –
- Tudo bem... Não queria fazer omelete dos seus futuros filhos.
Ambos ficaram rindo como se fosse mais uma briga de irmãos, dando aquele gostinho da infância. Após o momento, Ruan diz:
- Vai logo adiantar as coisas do funeral, terei que organizar algumas coisas aqui.
Alfredo se levanta e faz um sinal de “ok” com o polegar e diz:
- Sim senhor, Don Ruan.
- Vai se f***r – Diz Ruan sorrindo.
Enquanto Alfredo sai, esbarra-se com Magno que aparentava está frustrado. Antes de prosseguir, ele olha para Alfredo e diz “que diacho aconteceu no seu nariz”, Alfredo com pressa, apenas diz “acidente. Tenho que ir”. Magno dirige-se a Ruan e diz:
- Ruan, a polícia está chamando você... Nós. Que seja. Lá no açude! Aconteceu algo.
- Ele não disse nada sobre o que poderia ser a pauta?
- Disse que é o 3º assassinato, mesmo gênero de vítima: quem tem ligação com os Corvos ou quem faz parte. Os jornais o chamam de “O Estripador do Açude Velho”.
Ruan permanece bem sério e um pouco aborrecido. Um rosto bracejando quaisquer maldições, senão todas, contra quem cometeu tal atrocidade. Após alguns minutos em silêncio, Ruan diz:
- Não gosto de como a imprensa está tratando esse i*****l. É só mais uma revolta que logo resolveremos. Quando encontrarmos, iremos mata-lo de uma forma bem especial. Prepare o carro e partiremos para o açude.