Ruan respirou fundo e disse - tinha certeza que alguém tivesse respondido. Não importa! Sabe quem eu sou, não é? Tenho negócios a fazer!
- Entendo, Ruan, mas está movimentado! É carnaval. Por que não depois? Seu nome pode ser nada se não pensar.
- Senhorita Barbosa, dê-me licença! Não pedi o seu conselho e quero que saia da minha frente.
- Da mesma forma que lembrou a mim quem és, lembre-se o que sou e o que faço.
Palazzi soltou um sorriso de canto, aproximou-se e disse - é uma ameaça, policial? – Disse enquanto se aproximara e tocava num pequeno broche que continha a sua identificação.
Seu colega policial então interveio e tentou acalmar os ânimos. Puxou sua colega e disse “vá, Don Ruan, deixe conosco!”. Palazzi pôs-se sério e foi. Seu colega, Jean Arruda disse:
- Está louca? Quer morrer? Ele é o maldito Palazzi! Não é assim que você vai derrubar ele. Você não é a primeira não será última policial que ele faz “desaparecer”.
- Desculpa Jean, mas esse cara é asqueroso! Ele pisa na gente só porque dá verba para hospitais, escolas e oportunidades de emprego? A que custo? Para colocar todos nós a mercê dele? Pelo amor, nem verba isso é. Não passa de propina.
- Eu sei que é difícil, mas estou dando um jeito. Um dia eu conto. Agora vamos!
Alfredo estava conversando com a sua amiga, Demilly, da faculdade de artes. Sobre os preparativos do seminário. Não pôde deixar de ver o imenso grupo dos “Corvos” que passara em frente ao restaurante fast-food. Alfredo sai imediatamente e despede-se de sua amiga, sem mais e nem menos. Ao alcançar os Palazzi, pergunta para Carlo “não pedi para avisar? Ruan deve estar com mais raiva! Detesto quando ele fica assim”. Carlo puxa Alfredo e diz:
- Relaxa, ele está do mesmo jeito. Não quis atrapalhar você.
Aquilo significou muito para Alfredo. Ruan têm o mínimo de compaixão, afinal. Pode só estar perdido no figurão mafioso. Todos então pararam em frente a um bar restaurante. Palazzi fez um sinal para esperar e entrou. Três jovens moças saíram e correram até Ruan. Deram o melhor abraço apertado e beijos em seu rosto, gritando “RUAN”. Com exceção de Karina que com um singelo sorriso o esperou. Então pôs a caminhar e disse:
- Achei que tinha esquecido o Nordeste. Pior, Campina Grande, rapaz!
- Jamais, Karina, estava a trabalho! Olha que moçoila se tornou! 16 anos, não é? O seu pai disse que aceitou a oportunidade que propus. Sei que é algo que queria fazer sozinha, mas não mudou. Se alguém ou algo está na sua frente, aceite... O mundo dá voltas e temos que agarrar os nossos sonhos assim que puder.
- Foi o que me fez aceitar... É uma oportunidade! Não é você que vai fazer psicologia no meu lugar, né? Hahaha.
- Isso mesmo, docinho... Onde está seu pai? Quero falar com ele sobre negócios.
Karina ficou séria e emudeceu-se. Olhou para Palazzi como se soubesse o que seria, então disse:
- Papai está ocupado, mas sei que é importante. Sei sobre o que se trata... Ele não contou, não é mesmo? Ele prometeu que contaria, disse que contou pra você!
Palazzi calou-se e concordou com a cabeça - sim, não contou. Ele nos traiu. Não ligo muito para isso! Porém, ele escondeu! Não ouvi dele, ouvi de uma “fofoca”, Karina. É f**a. Chame-o e vá você, as suas irmãs e Fredo tomar um sorvete, certo? Não esqueçam o meu, boneca.
Karina sorri, mas sabe quem é Palazzi. A sua admiração também era cercada por questionamentos. Porém, o amava. Chamou o seu pai e disse “ele já está vindo, vou sair agora.” Palazzi então dá um beijo na testa de cada e diz a Alfredo “quero misto, Fredo! Não traga maldição de baunilha!”. Alfredo sorrir e parte.
Então Sr. Anucle - homem coroa, cabelo bagunçado, médio em altura e bem humorado, sempre bem humorado. Os Palazzi bebiam sempre por lá. Roberto aproxima-se, retirar o avental diz:
- Don Ruan, que prazer rever você! Cada vez mais rapagão. Vamos nos sentar?
- Sim, sim, Sr. Anucle. Posso acender o meu cigarro?
- Na verdade, não é adequa...
Palazzi o interrompe, pega o cigarro e diz - f**a-se, não é problema. Sabe a representação de problema e f**a-se? Eu não sei. Nem quero saber!
Como vai a vida? Os negócios? Problemas?
Roberto pegou calmamente a cadeira e sentou-se. Olhava aflito para Palazzi da cabeça aos pés. Respirou fundo e disse:
- Bem, por incrível que pareça. Estamos seguros com os Palazzi. Nenhum assalto, vandalismo... Nem nada relacionado com o Mão Branca aconteceu. Obrigado!
Palazzi fitou os seus olhos em Roberto e esfregava levemente os seus dentes no outro. Palazzi jogou o seu cigarro no chão, deu um pequeno sorriso de canto - como se estivesse vendo Roberto beijando os seus pés - e esfregou a mão no rosto e disse:
- Você é um filho da p**a mentiroso, não é? Podíamos te matar, cara. Sério. Que p***a fazia falando com um dos Silva? Aqueles malditos abutres?! Diga-me! Não ouvi de você. Ouvi de outros... Não é fofoca! É você com essa cara de bosta. Vai. Pode falar.
- Ruan, sei que está chateado. Quero que entenda meu lado: a taxa que pagamos para vocês está nos afetando. É alta demais! Os Silva disseram algo que dá um “alívio”. Outra coisa; quero me livrar disso! Não quero trabalhar para a máfia. Ruan, olha para minhas filhas! Anna, Flávia e Karina estão fascinadas em você. Anna disse que queria ser como você. Acha isso saudável? Por mais que não seja você que diz, está servindo de gatilho! Você faz o que acha necessário, mas não muda que você é um gângster... Um assassino. Alguém que precisa de ajuda.
Palazzi emudeceu... Olhou para cima e bradou “o bar está fechado”. Os seus homens não entenderam, tampouco Roberto. Palazzi bate a mão não mesa causando enorme estrondo e susto:
- SAIAM DAQUI, p***a! O BAR ESTÁ FECHADO!
Todos foram sem entender o que seria, mas seus homens desconfiavam. Palazzi fitou Roberto novamente, penteou os cabelos para trás com não e disse:
- Sabe... Você é engraçado. Lembra-me Les Demoiselles d'Avignon, uma pintura pioneira do cubismo! Cuja inspiração são meretrizes. O nome seria “Bordel Filosófico”, porém colocou como “Senhorita de Avignon”e não sei o porquê do primeiro nome. Talvez pela forte impressão que iria passar? Algo pintado de forma geométrica e traços Afrikaner. O objetivo disso? Simples! O que você é? A pintura que quer causar e inovar com traços próprios ou a prostituta que está à espera do cliente exibindo-se? No seu caso, você pagará menos. Você diz que não quer se envolver com mafiosos, mas aceita os Silva. Eu sei que comentaram com você que vão me matar e olha eu aqui. Sou péssimo, eles não são diferentes de mim, fala que está alto esse aluguel, mas não disse que esse seria o preço. Lembra? Você sugeriu e apenas aceitamos! Você estabeleceu cada termo e agora vem com essa? Desrespeita-me na minha própria casa assim?
- Palazzi, quero dizer tamb...
Palazzi novamente bate a mão na mesa, aponta o seu dedo na cara do Roberto interrompendo-o e levanta dizendo em voz alta:
- CALA ESSA SUA BOCA! Não tem mais o que falar... E eu não tenho mais o que escutar. Carlo coloque essa cadeira lá fora e pegue uma corda. Tire um galão de gasolina do carro.
- Palazzi, pelo amor de Deus! Não faç...!
Ruan dá um soco no meio do rosto, derrubando Roberto e deixando-o atordoado. Palazzi o arrasta para fora do bar, especificamente no meio da rua, põe na cadeira e acerta sequências de socos! Então, o amarra firmemente na cadeira. Coloca ambas as mãos no bolso em busca do seu maço Hollywood e o seu isqueiro. Ao acender o seu cigarro, olha fixamente Carlo encharcando Roberto de gasolina, até não sobrar uma gota do galão. Palazzi faz um sinal com a mão e diz “ele quer falar, deixe-o à vontade”.