Pt. 8 Alicerce: Entrelinhas da Arte

1387 Palavras
Ambos sorriram e foram em passos largos para o apartamento de Emil. Ao chegar, não houve hora, minuto ou quaisquer segundos para falar. Apenas envolveram-se no beijo e deitaram-se no tapete da sala do apartamento com a enorme janela e bela vista do açude. Tampouco o frio apagara fogo algum entre ambos! Que tiravam a roupa carinhosamente um do outro. Por prudência, Dorian então disse “tenho que pegar camisinha” de imediato, Emil o puxou novamente e retrucou “cala a boca e me beija”, assim, perdendo-se o juízo e fundindo suas almas em puro ardor e amor. Foi sim, ah se foi! O choque de duas galáxias e seus conjuntos estelares, planetários... A cosmologia do toque de dois corpos devotos de paixão, cobertos somente por carícia e libido. Emil é uma jovem com belos cabelos longos e ruivos. Alta e corpo bem esculpido pelo melhor artista, que agora estava sob os toques de um amor. Mulher com a mente brilhante comparada a todos da classe que agora, brilhara envolta de um amor. Sempre se destacava e concorria amistosamente com seu melhor amigo Dorian, mas agora, se uniram em uma noite para se amar intensamente como duas labaredas. Ao amanhecer, Dorian acordou primeiro abraçado por sua amada e em silêncio, enquanto acariciava seu cabelo. Estava pensativo e relembrando quando estes elaboravam trabalhos e de suas grandes notas – embora fosse inadequado pensar sobre isso no momento, ele lembrou dos momentos de diversão que esses trabalhos trouxeram e de um dia, em específico. Emil sempre simpática, conseguia amizades facilmente, embora gostasse de ter seu espaço e evitava excesso de contato com todos. Emil sempre teve relacionamentos conturbados tanto com homens quanto com mulheres por causa de sua forte personalidade difícil de lidar. Emil é reservada, carinhosa, realista, sincera e escolhe a mão com quem falar. Não enxerga motivos para esquecer-se de si, embora há coisas que ela prefira não tentar conhecer de si. Dorian vislumbrava cada detalhe seu, sorria e pensava no quanto estava bom aquele momento. O seu abraço, seu corpo quente e nu em contato com o seu eram os sinônimos de paz naquele momento. Dorian se pegou pensando em um momento bem icônico deles de um final de semana, algo que sempre lembrara vez ou outra. Era final de semana por volta da tarde em um sábado, Emil encontrava-se no conforto de sua leitura. Quando enjoou e simplesmente decidiu mexer no celular. Então pôs-se a pensar “os maiores vazios com certeza não estão em movimentos artísticos abstracionistas, estão em finais de semana com programações repetitivas. Talvez eu devesse escrever sobre isso... Sei lá...” então olhava para o bloco de notas e pensava repetidamente. Foi então que fechou e seguiu para o w******p e mandou mensagem para Dorian “oiii, seu chato!” Porém, Dorian era difícil de contatar. Ela então ligou repetidas vezes e o encheu de mensagens. Então, após minutos ele responde: - Oi, que desespero é esse? Kkkkk - É que a vossa senhoria é difícil de contatar, né? Famoso e tals então têm que pensar em alternativas. Tem celular pra quê, criatura? Kkkkk - Ah, nem vem, kkkkk! Diga... Aconteceu algo? - Sim, quero bagunçar sua casa. Bora cozinhar aí? Levo uns ingredientes e faremos um bolão de chocolate. Não aceito não. Tá mó tédio aqui, cara. - E daí? Kkkk, brincadeira. Vem... Tá chato aqui também. Esperar-te-ei. - Deixa de frescura e escreve direito, kkk. To indo aí. Não precisa me buscar. - E quem disse que eu ia te buscar? És tu que queres vir. Gasolina tá caro visse? Pega teu carro e vem. - Era brincadeira. Tu é chato, viu? Por isso tá solteiro! To indo ainda aí, kkkk. E eu me achando insuportável. Tchau. Emil colocou uma roupa qualquer. Antes de ir para casa do seu amigo, pegou seu carro e foi ao mercado e comprou alguns ingredientes. Dentro de alguns minutos, ela toca a campainha. A frente, a droga da frente da casa era impecável. Ela sempre comentava “essa organização toda é pra compensar essa bagunça na mente? Kkk”. Logo, vem Dorian bem trajado, como se fosse encontrar empresários multimilionários em uma casa de luxo. Totalmente estupefata Emil comenta: - Dorian, era só uma visita, meu Deus! Não uma reunião. - Eu sei... É como fico em casa. É minha roupa casual. Eu casual, no caso. Prefiro ficar minimamente arrumado, pois fico me sentido estranho. Só os sapatos que não coloquei, óbvio. - Claro, você não é doido, hahaha! Posso entrar, querido? - Entre, por favor. Chinelo na porta. Não faz tanto tempo que passei pano. - “NÃ FÃZ TENTO TEMPO QUE PÃSSEIN PAAAANO”, aaaahh, deixa de coisa. Acha que a cozinha ficará organizada ainda? Hahaha. - Vamos evitar bagunça, certo? - Eu não. Vai, bora logo. Ambos dirigiram-se para cozinha e colocaram os preparativos à mesa. Emil lia atentamente os passo-a-passo e falava com Dorian: - Dorian, você ainda escreve poesias? Amo ler seus sentimentos. Uma das poucas vezes que quase conheço você totalmente. Dorian ficou sério e disse: - Sabe que não gosto que tente me decifrar. É perca de tempo, Emil. Emil largou o celular, enfurecida, preocupada e disse: - Até quando você vai ser assim? Ficar isolando-se daqui? Isso não é bonito, viu? Dorian calou-se, largou as luvas de cozinhar e disse: - Assim que terminar de ler, me chama. Vou guardar minhas coisas que deixei dispersa na cama. Tudo bem? - Tá vendo? Não dá pra “entrar” em você sem que use essa sua defesa i****a. Vai lá. Vou ler aqui. Dorian antes de sair em silêncio, disse “não quebre nada, por favor. Senão terá que bancar a Uber pra pagar, haha”. Emil após alguns minutos em permanecer lendo, largou o celular e dirigiu-se ao quarto do Dorian. Lá, encontrou o mesmo arrumando as coisas e cantarolando. Emil chegou de surpresa! Dando um belo susto no mesmo. - MEU DEUS, EMIL! Quer me matar? – disse enquanto sorria Emil caiu na gargalhada e disse: - Tinha que ver sua cara de bobão! - Engraçadinha! Não reclama quando eu fizer o mesmo, por obséquio – disse com um sorriso tímido, enquanto organizava suas roupas. Ambos então se calaram. Após 2 minutos de silêncio, Emil disse: - Se aborreceu? - Não, Emil... Sei que só se preocupa. – Retrucou Dorian com um sorriso de canto de boca e desviando o olhar. - Entendi... Então você só fica achando bom eu me preocupar, né? – respondeu Emil sorridente enquanto pegava em seu ombro. - Não, tento fazer esquecer. Não quero nutrir-me de você. - Vem cá, senta aqui na cama. Depois arruma isso. Quero mostrar algo. Emil procurou seu celular, porém não o encontrou. Emil lembrou que havia deixado na cozinha, então pediu o do Dorian “me dê seu celular! Tenho algo legal pra gente”. Dorian, sem hesitar, desbloqueou e entregou seu celular. Emil procurou atentamente e então disse: - Aqui, olha aqui! Rápido! – disse toda animada pulando na cama e o puxando desesperadamente para ver. Dorian sentou na cama e observou. Em seguida, perguntou: - Qual é o nome desta obra? - Advinha primeiro... Você deve conhecer! Dorian pegou o celular, olhou meticulosamente cada parte da obra. Então, golpeou com suas deduções: - Poderia ter deixado a imagem no Google, assim poderia adivinhar em 10 segundos! – disse sorridente enquanto apreciava a obra - Naaam, e acabar com a graça? Vai... - Ok... - Dorian largo tudo e dedicou-se a cada detalhe da obra e aproximou o celular de sua visão, às vezes o distanciava, aplicava zoom até falar – Pelos traços de obscuridade e tentação - pecados - exposta na obra. Diria que é uma obra surrealista, porém, religioso demais! O surrealismo ia contra os valores e a própria razão. Quando digo valores, abordo diretamente a religião: eles negavam isso. Prezavam o mundo abstrato, irreal e inconsciente estudado por Sigmund Freud - o psicanalista. Então, dado exposto: pode ser Martin Schongauer, Matthias Grünewald, Albrecht Dürer ou Jeroen van Aken - também conhecido pelo pseudônimo de Hieronymus Bosch. Aposto mais Bosch, pois todos que citei presavam mais o belo. Se tivesse que retrata religiosidade, teria mais graciosidade na obra. Afastando os cobiçados de pecados.
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