Bebê

884 Palavras
Pov's Arthur. ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA . APARTAMENTO 09:30 AM Desde que Laura foi embora, nunca mais ninguém pisou os pés neste apartamento. Costumo seguir a vida, mas não paro de pensar nenhum dia naquela mulher. Não sei por onde ela anda, como está. Às vezes me sinto culpado por ter a tocado. Um homem vivido como eu, jamais deveria ter tirado sua pureza. Ela deveria ter ficado com alguém mais novo, que a amasse. A campainha toca e sobressaio dos vagos devaneios. Levanto do sofá, largando o livro que me encontro lendo. Puxo a maçaneta da porta, abrindo-a. — O que significa isso?— direciono o olhar.— Onde roubou essa criança, Dominic? — Que isso, titio! Não roubei baby nenhum. O dou espaço para adentrar. E fico cismado, ao vê-lo andando de ponta de pé pela sala. — Esse lugar é tão solitário, titio.— o mesmo começa a dizer, e me incômodo. — Estou ótimo sozinho. — O apê precisa de mais cores.— rebola o corpo, ao sinalizar.— Inclusive está precisando da presença de um bebê. Arregalo os olhos, ouvindo aquilo como uma ofensa. — Está zoando com a minha cara, Dominic?— elevo o tom alto, e o vejo encolher os ombros. — Não titio, imagina.. Jamais quero ofendê-lo.— enfatiza, mas capto em seu tom um certo sarcasmo.— É por isso que eu trouxe Noah. Ele é um bebezinho muito calmo, chora pouquíssimo, e nem dar trabalho. Me estende e me recuso a segurar. Viro o rosto. — Vai direto ao ponto, Dominic.— o confronto, perdendo a paciência. — Não precisa ser grosseiro, titio. Você não trata Scarllet com essa ignorância, talvez isso seja preconceito com a minha pessoa.— o próprio insinua, enquanto se remexe todo, demonstrando seu lado afeminado. —Você vai casar com outro homem. — E qual é o problema, titio? — Na minha época não tinha essas frescuras. — Frescura não! Sexualidade.— me corrige, e respiro fundo. — Meu irmão sentiria vergonha se fosse vivo. — comento. — Mas papy não está.— meu sobrinho continua falante, sem se atingir.— Você precisa conhecer Justin, ele é um homem maravilhoso. — Me poupe dos detalhes, Dominic. — Scarllet veio com uma conversa que o senhor quer me deserdar, é verdade? — Estou pensando seriamente nessa possibilidade. — Senhor deveria fazer isso com aquela entojada da minha irmã, o senhor nem imagina o que ela apronta. — O que ela apronta, Dominic?— pergunto, e ele para de falar. — Não sei. — diz.— É modo de dizer, titio, aquela bruxa quer mandar em tudo na agência, não me dá espaço nem pra escolher as modelos— reclama e continuo desconfiado. — Sua irmã tem um temperamento forte, puxou Helena.— cito.— Sua mãe é assim. — Falando na mamãe, nunca mais a vi. Continua morando na Inglaterra. Uma vez ela me mandou uma mensagem e disse que sou um câncer, e que ela prefere não ver. Avisto a tristeza na fisionomia do meu sobrinho, e me aproximo. — Deve ser duro ouvir isso.— toco em seu ombro, o confortando. — Não vou parar de ser gay, só porque as pessoas querem. Mas enfim, titio: você não gostou do baby?— amostra, e visualizo a inocência no rosto frágil à minha vista. — É muito bonito.— admiro.— De quem é esse bebê? — Será do senhor. — Está louco, Dominic?— mudo a postura — Não vou adotar nenhuma criança, já não tenho idade pra isso. — Você diz que ele é o seu neto, titio. — Piorou.— ando pra outro canto.— Eu e sua tia nunca quisemos filhos. — Dizem as más línguas que a titia era estéril.— olho para ele, com raiva. — São invenções das más línguas. — Nunca é tarde pra ser papai, titio.— exibe um sorrisinho.— Esse bebê pode te dar uma chance pra ver a vida de outra maneira. Até poder amar alguém, já que o senhor frio com uma pedra.— o fuzilo com olhar.— Tô brincando, titio. — Não vou adotar essa criança, Dominic.— repito, duramente.— Não insista. No mesmo momento, o bebezinho começa a chorar e meu sobrinho solta uns gritinhos de desespero, como se não tivesse a menor experiência. Acabo me prestando no papel de segurar a criancinha nos braços. Quando enxergo aqueles olhinhos acesos e chorosos, amoleço. Bate uma sensação tão estranha....  O olharzinho desse bebê, é tão familiar, que me lembra alguém. — Que são os pais desse bebê, Dominic?— interrogo. — Não tem titio. A mãe do Noah, morreu no parto. — Ele já tem um nome?— fico mexido. — Pode trocar se quiser, titio, chama ele de Arthurzinho pra combinar com o seu— lhe miro sério.— Brincadeira! E aí, vai adotar o baby? — Não tenho mais idade, já tenho 70 anos. — Contrata babás. Inclusive titio, posso sugerir uma ama de leite. Uma das minhas modelos, ela acabou de ter um filho também, mas a pobrezinha perdeu, tá devastada.— o olho de canto de canto — Se o senhor quiser, posso trazê-la aqui. — Traga essa mulher.— mando.— Eu vou adotar esse menino. ***************************************************
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