Capítulo 8

1728 Palavras
NICKOLAS Eu não aguento mais. Enquanto observo Lua assistir a essa merda de filme ridículo, encolhida naquele canto do sofá e ignorando completamente a minha presença, eu chego rápido a essa conclusão. Eu não aguento mais. Quando aceitei a proposta esquisita de Anna, eu confesso que já esperava que fosse estranho, mas, pensei que seria um estranho bom. Pensei que eu pudesse contornar a situação e lidar com tudo numa boa. Minha situação tava apertada, eu precisava de um lugar pra ficar, e os nóias dos meus amigos não tinham lugar disponível. E eu conheço a Lua, sei que ela é determinada quando coloca alguma coisa na cabeça. Mas não imaginava que o acordo acabaria sendo tão fudidamente r uim. Tá bom, eu já imaginava que seria. Nós nunca fomos o tipo de ex que se entende após o término. Foi difícil, complicado, cheio de drama e dor. E nós dois sabíamos que não daria pra manter uma relação amigável depois disso, já que na época m*l conseguíamos nos olhar. Era tudo muito intenso. Com Luane sempre foi desse jeito. Não sei se por ela ser uma pessoa intensa ou por ter sido a droga do meu primeiro amor. Só sei que, quando se trata dela, eu nunca posso ousar dizer que sei de alguma coisa. Porque, quando chega na hora da ação, tudo muda. E eu descubro que talvez não conheça nem a merda da minha própria b***a. Cheguei aqui determinado a focar na minha vida e nas minhas coisas. Acontece que, toda vez que vejo ela, sinto uma vontade absurda de jogar tudo para o alto e beijar essa droga de garota. Uma pena que Luane não pense o mesmo. Ela está ali, assistindo ao filme como se ele fosse a merda da coisa mais interessante que já tivesse visto, enquanto eu fico sentado nessa porcaria de sofá, tentando parar de olhar para suas pernas. E para a barra da calcinha aparecendo levemente sob a camisa. E para os s eios descobertos. P uta que pariu… não é possível que ela não faça isso de propósito. Não existem condições de ela não estar fazendo isso de propósito. Eu praticamente consigo enxergar o bico dos s eios, duros sob o tecido branco… Desvio o olhar, irritado, e seguro firme no braço do sofá para me controlar. Ainda assim, já sou capaz de sentir o volume começando a dar raízes sob a minha calça. Droga. Mesmo depois de tanto tempo, Luane ainda tem a capacidade de afetar o meu amigo. Com uma simples roupa indecente, ela conseguiu me deixar e******o. E o pior é que eu sou o único babaca a estar sentindo isso. Lua deve estar nesse momento pensando em algum carinha filha da p uta que ela conheceu por aí, alheia ao fato de seu ex estar quase se arrastando pelas paredes bem ao seu lado. Que merda. Eu odeio ser o ex-namorado de alguém. Eu odeio ser o ex-namorado dela. Não devia nunca nem ter namorado Luane. É por isso que agora meu relacionamento com mulheres é algo completamente aberto; pra que eu nunca mais precise passar pela droga de situação que eu passei com ela. Estou prestes a me levantar, tomar uma ducha e sair para algum lugar, quando uma cena interessante surge no tal filme que ela está assistindo. O casal (que eu acredito que seja um casal) está brigando, parece até querer matar um ao outro. E então, repentinamente, eles caiem juntos no chão, se beijando. Semi-cerro os olhos, pensativo. E é aí que eu tenho uma ideia. Se eu pudesse apagar Luane de minha mente, eu apagaria. Mas, já que não sou capaz disso, vou fazer aquilo que Nickolas Miller faz de melhor. Vou tacar o f oda-se e partir para aquilo que eu quero fazer. Vou matar a saudade de Luane. *** Nickolas Miller está estranho. Tenho notado isso nesses dez minutos, período este em que o filme começou a ficar interessante; já que os palhaços dos personagens da Angelina Jolie e do Brad Pritt finalmente pararam de frescura e admitiram que se amam e que, por isso, não podem matar um ao outro. Entretanto, ainda que eu esteja com bastante vontade de assistir ao desenrolar, tem algo me distraindo um pouco. E esse algo tem nome e sobrenome, e também umas atitudes bem esquisitas, diga-se de passagem. Pra começar, Miller já limpou a garganta umas dez vezes, daquele jeito alto que a gente faz quando quer chamar a atenção de alguém, e se aproximou distraidamente de mim no sofá, de forma que, agora, nossos joelhos quase se tocam. Quando olhei pra ele de esguelha, o doido nem sequer me olhou, parecendo distraído demais com o filme. Ele está aprontando alguma coisa. Sei disso mesmo que há tempos não o veja, simplesmente pelo fato de que ele é um homem, e homens são todos igualmente previsíveis. Então, sei que ele está aprontando alguma coisa. Minhas suspeitas vão desde um novo plano pra me provocar até alguma ideia para tentar reacender o passado. Ou seja, independente do que for, com certeza não é algo bom. E eu estou levemente preocupada. Penso até em me levantar e sair, deixando-o aqui vendo o meu filme. Porém, desisto do plano assim que sinto uma mão repousar em minha coxa, o que faz o meu corpo gelar de imediato. Antes que eu possa controlar, cenas do passado me invadem. O modo como Nickolas costumava colocar sua mão em meu joelho em absolutamente todos os lugares que íamos, talvez como uma forma ridícula dele de demonstrar que eu era sua. O modo como seus dedos eram sempre macios, alisando minha pele… Subitamente, sinto vontade de chorar. Inferno. Por que ele tem que fazer isso comigo? Conselho da noite: nunca aceite dividir um apartamento com o seu ex-namorado. Mantenho o olhar na tevê quando levanto a minha coxa, num sinal ríspido para que ele tire a mão dali. Nickolas está quebrando o acordo, a promessa que fez de que não iria me tocar a não ser que eu pedisse. Porém, não encontro forças para dizer isso a ele. Parece que sou incapaz de falar agora. E, infelizmente, minha tentativa muda de tentar fazê-lo afastar a mão não funciona. Por isso, sou forçada a me virar para Nickolas, me surpreendendo ao ver seu olhar fixado em mim de forma meio… predatória. Quase sou capaz de enxergar o fogo em seus olhos, a fome. Oh, céus. Tão rápido quanto veio, a tristeza é substituída por algo maior. Algo mais feroz, mais forte, que faz uma adrenalina pulsante e incendiada subir pelo meu corpo. O desejo desesperado nos olhos de Nickolas é facilmente transmitido para mim. Meu ex está e******o comigo. Mas o pior nem é isso. O pior, é que eu, Luane, também estou excitada com ele. Sem que eu possa perceber, acabo deixando um gemido baixo escapar de meus lábios quando engulo em seco, uma mania desconfortável que eu sempre tive. E, para o meu completo desespero, esse gesto não escapa de Miller. Sinto um descompasse em minha respiração quando ele aperta os dedos com força ao redor da minha coxa, os olhos azuis como o oceano brilhando de desejo. De repente, o filme não parece mais tão importante. Pois este deslize com Nickolas, ainda que eu odeie confessar, soa bem, bem mais divertido. Estou pensando nisso quando ele se aproxima de mim abruptamente, deixando o rosto a centímetros do meu conforme se remexe no sofá. Meus lábios formigam ao se darem conta da proximidade dos seus. É como se uma atração, uma energia irresistível, me chamasse para a sua boca. — Posso te beijar? A voz dele é baixa, rouca, masculina e entediada. Quando Nickolas sorri um pouquinho, deixa claro que o fará de qualquer forma agora. Eu não respondo à sua pergunta. Fico apenas parada ali, olhando para seus lábios tão estupidamente bem desenhados. Então, poucos segundos depois, sou forçada a fechar os olhos quando Nickolas Miller me beija violentamente. Meu coração está acelerado conforme sinto seus lábios macios, dando permissão para que sua língua misture-se à minha. Ele, porém, é rápido em avançar na situação, e levanta minha blusa vagarosamente conforme nos beijamos. Céus. Como pude ficar tanto tempo sem isso? Sem beijá-lo? Sem sentir sua mão macia passeando pelo meu corpo? Deixo que Miller brinque por mim com suas mãos, enquanto passo os braços ao redor de seu pescoço. Sinto-me paralisada, mole, incapaz de fazer qualquer coisa senão beijá-lo conforme suas mãos alcançam meu sutiã, apalpando meus s eios carinhosamente sob o tecido. Meu corpo se arrepia alegremente com o gesto. Até que eu desgrudo nossos lábios, me afastando para respirar. Ambos estamos ofegantes; mas o fato só deixa Miller ainda mais sexy. — Nik, nós não… — eu começo, com dificuldade para falar devido à minha respiração. — Não podemos… Ele, porém, abre o esboço de um sorriso. — Ninguém precisa saber. Eu odeio quando ele faz isso… odeio quando fala assim, nessa voz baixa, aveludada… numa proposta tentadora e perigosa. Me convidando para a perdição. Controlo outra arfada quando ele aproxima nossos rostos novamente, deslizando a mão pela minha cintura. Subindo, e subindo… cada vez mais… aproximando-se das dobras do meu sutiã. — Eu.. eu vou saber. Eu e você. Nickolas sobe o olhar para mim novamente, levantando uma sobrancelha. Ele parece se divertir com a situação, enquanto eu estou aqui, tentando equilibrar minha consciência com o desesperador desejo que me invade. Muito injusto… — E você acha que eu me importo, Lua? — murmura Nickolas. Lua, não… me chamar de Lua é mancada demais. — Bom, deveria. — Minha voz sai fina e trêmula, um claro sinal de que não estou mais totalmente sã. — Eu sou sua ex. O sorriso dele se abre, transformando-se em algo malicioso e m*l-intencionado. — Nesse momento, Luane, tudo o que você menos é pra mim é minha ex. E é exatamente aqui, neste instante, que qualquer responsabilidade que ainda existisse em mim se parte drasticamente. Em milhões de pedacinhos. E é claro que eu não posso negar. Pois, enquanto olho para Nickolas, sentindo seus gestos em mim e o meu corpo clamando por mais, tudo em que eu menos quero pensar é nessa baboseira de ex-namorado. F oda-se o ex. Ele está aqui, agora, e meu corpo clama por ele. Então, eu vou obedecê-lo.
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