2. Assassinato 😱

1886 Palavras
Raisa Chloe estava esperando em uma mesa cheia de copos vazios. Por mais que não fizesse muito tempo que ela estava me esperando, ele tinha começa a festa sem mim. — Raisa!— ela comemora, acenando para eu me juntar a ela. Ela fala tão alto que algumas pessoas olham para ela com expressões confusas. Não que ela não atraia a atenção naturalmente, com seus longos cabelos ruivos e sardas tão fofas que você poderia jurar que ela as desenhou. — Ei, Chloe.— Sento-me na cadeira em frente a minha amiga. Ela se inclina para frente, com a voz baixa. — Como está Kara? — Mamãe está bem.— Fazendo uma careta, balanço a cabeça, chicoteando meu rosto com meu cabelo. — Mas antes de entrar nessa conversa, eu preciso de um drinque desses. Faço um gesto para os copos vazios. Chloe sinaliza para alguém. Uma garçonete muito pequena imediatamente se aproxima, sua saia preta justa agarrada aos quadris. Um cara tenta agarrar sua b***a, e ela imediatamente lhe dá uma cotovelada com um movimento suave e bem praticado, sem se preocupar em olhar para ele. Não posso deixar de começar a rir. Ela vê minha reação, piscando quando se aproxima. — O que posso oferecer para vocês, meninas? — Um pouco de bebida para nos relaxar. — Oh não. — Dando à garçonete um sorriso de desculpas, aponto para o quadro n***o na parte de trás do bar. — Quero um litro de chopp. — Cerveja? — Chloe me olha incrédula. — Você bebendo cerveja? Quem é você e o que fez com a minha amiga? — Alguém que não quer acordar na cama de um estranho. Ela revira os olhos para a minha resposta antes de pedir outro martini. Assim que a garçonete se afasta, Chloe levanta as sobrancelhas para mim com simpatia. — Tudo bem, fale. O que há de errado com sua mãe? Eu realmente queria um pouco de álcool antes de começar essa conversa. Observando ansiosamente a garçonete, eu roo as unhas. — Eu estava tentando ajudar com a galeria. Acertar as contas, sabe? Esse era o trabalho do papai. Eu respiro profundamente. Seis meses… Como já se passaram seis meses? Chloe acena entendendo o assunto. — Ok, isso é legal da sua parte. Sua mãe não queria ajuda ou algo assim? — Ela ficou emocionada. Achei que seria bom ajudá-la. Mas então eu vi a papelada. — Rangendo os dentes, percebo que cortei a pele da unha do polegar com meu nervosismo. Lambendo o polegar, olho para cima, aliviada ao ver a garçonete com nossas bebidas. Pego a cerveja, aproveitando a sensação de frio em minhas mãos, e dou uma boa gorjeta à garçonete. Ela me dá um sorriso apreciativo antes de ir embora. — Se você precisar de alguma coisa, basta gritar — diz ela antes de entrar na multidão caótica. Arqueando o pescoço, tomo um grande gole da minha bebida gelada. Cerveja não é minha bebida favorita, mas gelada é agradável. — Raisa, — Chloe me pressiona. Suspirando, coloco o copo sobre a mesa, girando-o lentamente em círculos. — A galeria está endividada. Com muitas dívidas e basicamente arruinada. Mamãe quer vendê-la. Na verdade, ela disse que já tem alguém vindo fazer uma oferta. — p**a merda. — Ela se recosta na cadeira para absorver tudo isso. Levando a bebida aos lábios, ela deixa uma mancha de batom rosa brilhante. Mais um gole e o martini acabou. — OK. Uau. Isso é... sinto muito, Raisa. Você deve estar sobrecarregada com isso e com todo o resto. — Todo o resto? — Eu pergunto. — Sim. — Chloe inclina a cabeça como um cachorro faria se ouvisse algo estranho. — Você sabe — , ela continua. — O aniversário… Certo... A memória amarga de repente sobe na minha garganta como bile. — Não. — Mordo a palavra ao meio; ela recua como se eu cravasse meus dentes nela. Minha mão rasteja até minha barriga e eu me abraço, levantando levemente os joelhos. Procurando minha cerveja, franzo a testa quando descubro que está vazia. De alguma forma, bebi tudo sem perceber. — Não vou pensar nisso — , digo a ela, meu tom é mais gelado do que gostaria. — E você também não deveria. — Claro, o que você disser. — Ela dá seu melhor sorriso falso, acenando para a garçonete começar nossa segunda rodada. Meu plano de ficar sóbria foi jogada pela janela. Quem pode me culpar? O estresse que estou sofrendo não é normal. Tenho orgulho de ser forte, como meu pai me ensinou a ser, mas isso é demais. Duas rodadas se tornam três. Meu plano de continuar só na cerveja muda porque Chloe me dá um gostinho de seu martini, me fisgando com seu gosto amargo. E quando Chloe começa a me puxar em direção à saída, sinto um forte zumbido. — Onde estamos indo? — Eu pergunto. — Para casa. Acho que nós duas já bebemos insuficiente, e Josh vai criar uma cena se eu voltar para casa bêbada e desmaiada. — Chato — , eu provoco. Ela está certa; mais álcool e passarei de uma alegria vertiginosa a tropeços na rua. O ar lá fora está fresco, uma mudança bem-vinda em relação à umidade dentro do Tiger's. Chloe me dá um abraço firme enquanto nos equilibramos na calçada. — Obrigada por vir, Raisa. — Não, não, obrigada não. Você é uma ótima amiga, Chloe. Precisamos fazer mais isso. Ela me segura com o braço estendido. Seu batom está manchado de tanto esfregar a boca em muitos martinis. Mesmo um pouco bêbada, a preocupação em seus lindos olhos azuis é legítima. — Se precisar de ajuda, me avise. Entendeu? — Eu vou avisar. Não se preocupe. Abraçando-a uma última vez, aponto para o táxi parando atrás dela. — Durma um pouco. Diga a Josh que eu disse oi e que sinto muito por ter deixado você tão bêbada. — É melhor você chamar um Uber. Você não pode dirigir agora. — Eu não vou, — eu prometo, com a mão no coração. — Meu carro está naquela direção. Só quero pegar minha jaqueta e depois chamo um Uber. Torcendo o rosto, ela silenciosamente me avisa para não mentir antes de se virar, meio tropeçando no banco de trás do táxi. Espero um momento, observando as luzes traseiras vermelhas desaparecerem na noite silenciosa. Está começando a parecer muito sombrio aqui. Esta área quase não recebe tráfego de pedestres depois da meia-noite. Mamãe vai me dar um sermão por horas se descobrir. Balançando a cabeça, ando com as pernas rígidas em direção ao meu carro. Não estou tão bêbada quanto Chloe, mas andar no concreto irregular é um desafio. Abro meu porta-malas e procuro até encontrar a jaqueta jeans que joguei lá há alguns meses, em antecipação ao clima de outono que se aproximava, mas o verão chegou inesperadamente, provocando a cidade com seu terrível calor, mesmo quando setembro se transformava em outubro. Quando enfio os braços pelas mangas, ajustando a frente, sinto um caroço no bolso direito. Tirando o post-it amarelo amassado, li a escrita rabiscada. Will, Margot, Rose, Brad. Demoro um segundo para entender isso. Então eu me lembro, e é como levar um soco no estômago. Meu punho treme enquanto amasso o papel, jogando-o no chão com força. Respirando pesadamente, me afasto, andando sem propósito enquanto lágrimas ardem em meus olhos. Eu não posso escapar disso. Por que o mundo não me deixa seguir em frente? Aquecida pelo meu emaranhado de emoções, não percebo que andei em direção às docas até que o cheiro de sal e peixe morto chega ao meu nariz. Levantando os olhos, examino os armazéns, me orientando. Hora de chamar um Uber e voltar para casa. Talvez dormir me faça sentir melhor. Eu sei que não vai. Ainda não. Alcançando meu telefone, congelo quando um som à minha direita chama minha atenção. A princípio, acho que é um cachorro choramingando. Por instinto, vou em direção ao barulho. Meus saltos batem no calçadão duro e lascado ao lado de um prédio de tijolos não muito longe do Tiger's. Pouco antes de virar a esquina, ouço o som novamente. — Por favor, não, você não pode! Paro rapidamente e me inclino contra a parede úmida ao meu lado. Isso não é cachorro. Esticando o pescoço, observo cuidadosamente a cena do outro lado. Há dois homens lá. Um deles é enorme, como uma lápide erguendo-se da terra em forma humana. Ele é rígido m todos os aspectos, com seu corpo grande envolto em um terno escuro. Não consigo ver o rosto dele, mas consigo ver o rosto do outro homem à sua frente. Aquele homem está pálido como leite, tremendo visivelmente nos joelhos enquanto estica o pescoço para olhar para o amigo. Não, percebo com crescente horror. Eles não são amigos. Algo está errado. O medo desliza pelo meu sangue em ondas ondulantes. Um arrepio passa por mim, e não por causa do ar frio. — Por favor — soluça o homem de joelhos. Ele passa as mãos grandes e ossudas pelo queixo. Um sorriso trêmulo cruza seu rosto, tão largo que posso ver suas gengivas. — Basta pensar bem. Podemos resolver isso, não podemos? A montanha de homem não se move. Ele levanta ligeiramente o queixo, deixando-me ver a linha quadrada de sua mandíbula. Mesmo nesta penumbra, posso dizer que ele é incrivelmente bonito. Em um movimento suave que quase perdi, ele abaixa a mão direita no bolso do terno. Em seu pulso há um círculo de pequenos objetos brilhantes. Contas de oração, percebo com curiosidade. — Não — ele diz, sua voz calma. — Não podemos. A arma brilha sob a única luz da rua próxima. O cano é curto, tão grosso quanto o enorme dedo do homem. Não há tempo para o homem suplicante reagir. Ele ainda está com aquele sorriso nervoso quando a arma dispara. O sorriso não desaparece quando ele cai de lado, com sangue escorrendo pelo buraco na frente da camisa. Um suspiro assustado me escapa. O assassino começa a virar em minha direção. Coloco as mãos na boca, sem esperar para ver se ele me notou enquanto corro pelo cais a uma velocidade que quebraria meu tornozelo se eu desse um único passo em falso. É um milagre eu não cair. A adrenalina me mantém em movimento, mas é o terror que me deixa mais forte. Ele o matou! Ele matou aquele homem! Ofegante e com a garganta em chamas, passo correndo pelo meu carro, pelo Tiger, e não paro até estar a pelo menos mais cinco quarteirões de distância. O suor satura meu peito. As lágrimas me cegam, algumas pela pressão do vento da minha corrida, outras pela agonia. O que testemunhei foi puro terror. Sempre soube que coisas terríveis aconteciam nesta cidade; Eu não sou ingênua. Mas nunca pensei que isso aconteceria na minha frente. O som do tiro se repete na minha cabeça. Repetidamente, até que agarro meu crânio, agachado na calçada em uma bagunça louca. No entanto, quando fecho os olhos, não é do assassinato que me lembro. Não penso no sangue nem no sorriso manchado de vermelho do morto. Eu vejo o belo assassino. E as contas de oração em seu pulso. Meu Deus, o que está havendo comigo?
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