3. Atraente olhos prateados

1278 Palavras
Raisa — O que há de errado com você, Raisa? Você está horrível. Você está doente? Olho fixamente para minha mãe e tento entender sua pergunta. Meu mundo parece lento e estranho, como se eu não estivesse aqui. Tem sido assim desde que acordei do meu sono agitado. — Estou bem — insisto. Seus olhos estreitados me dizem que ela não será facilmente enganada. — Bem, controle-se. O comprador estará aqui a qualquer minuto. O lembrete é tão bom quanto uma dose de café expresso. Eu fico mais ereta e aliso as palmas das mãos sobre o cabelo, hoje preso em um coque elegante. Em parte para parecer profissional e também porque não tive energia esta manhã para fazer nada mais elaborado. Minha ressaca deu nós em minhas entranhas. Mas é a lembrança doentia do que testemunhei ontem à noite que mais revira meu estômago. Será notícia hoje nos jornais? Eu deveria ter relatado isso a alguém? A polícia? No fundo, tenho certeza de que é perigoso me envolver nisso. Ainda assim, a ideia de que alguém morreu e seus amigos e familiares não sabem o que aconteceu... Isso não me cai bem. — Raisa, por favor, acorde para a vida.— Mamãe enfia um rolo de papel toalha no meu peito. — Vá limpar a recepção e certifique-se de que tudo esteja impecável. — Você realmente acha que essa pessoa não comprará a galeria se ele estiver empoeirada? — Eu rio. — Se fosse assim tão fácil, eu andaria por aí jogando lixo por toda parte. — Raisa! Já chega!— Ela me olha horrorizada, a mão tocando a clavícula em seu vestido preto de gola alta. — Se você vai causar problemas, vá para outro lugar. — Relaxe, eu vou ficar bem. — Não sou infantil o suficiente para causar problemas. Eu não preciso; Eu fiz meus próprios planos. Assim que conhecer o comprador, irei questioná-lo sobre suas intenções. Se não estiver satisfeita, não vou aceitar. No fundo, acredito que minha mãe ouvirá a razão se tiver as informações corretas. Afinal, não é a mente do comprador que devo mudar. É a dela. Há uma batida na porta da frente da galeria. Mamãe e eu trocamos um olhar rápido. Jogo as toalhas de papel no escritório e aliso a frente da minha blusa vermelha. Ela verifica o cabelo em um espelho antes de fazer sinal para que eu vá primeiro. — Mande-o entrar, Raisa. Mas quando entro na sala da frente, vejo que ele já entrou. Estou furiosa com a arrogância desse estranho. Quem diabos entra em uma empresa sem esperar permissão? Então ele se vira para mim. E é... difícil sentir raiva. Ele se eleva sobre mim, sua figura perfeita em seu terno cobalto. A faixa preta em volta da cintura abraça seu tronco grosso para mostrar o quão em forma ele realmente está. Quando ele abaixa o queixo para olhar para mim com seus olhos azuis claros, quase prateados, minha ressaca desaparece. O calor desliza pelo meu sangue e me deixa tonta. Nunca vi alguém tão sexy quanto ele. Não de tão perto. Ele levanta uma mão grande, seus longos dedos esfregando levemente o queixo enquanto ele sorri para mim. — Você não é Kara — ele diz. — Ah, ah, não.— Limpando a garganta, ofereço-lhe minha mão. — Eu sou Raisa, filha dela. Ele agarra minha palma, o calor e o poder viajando pela minha pele até meu couro cabeludo formigar. Oh, caramba, isso é r**m. Eu deveria odiar esse cara. Era isso que eu tinha em mente. Isso não. — Senhor Ivanov! — Mamãe se move entre nós, pegando sua mão e apertando-a com entusiasmo. — Estou tão feliz que você conseguiu vir! Espero que o estacionamento esteja bom. Nessas ruas, às vezes as pessoas simplesmente deixam seus carros em qualquer lugar. Se houver problemas, diga-me. Conheço um homem que irá rebocar... — Não não. Está bem. — Ele examina a sala depois de retirar a mão. — Então, este é a sua galeria. É menor do que pensei que seria. Uma centelha de aborrecimento amortece minha atração. — Ainda é maior do que qualquer outra galeria num raio de trinta quilômetros — eu digo, áspera. — Aposto que você tinha esse fato na ponta da língua — observa ele. O Sr. Ivanov se vira e depois caminha ao nosso redor, explorando a área principal onde ficam os quadros. Ele não está esperando que o guiemos. Confusa, lanço um olhar para minha mãe, tentando dizer: Qual é o problema dele? Ela me ignora e corre atrás dele. Suspirando, sigo em frente, querendo ficar de olho no que ele fará a seguir. Caminhando pelas esculturas, ele as observa antes de atravessar a sala e parar. — Mesmo que seja maior que as outras galerias — diz ele, olhando para mim. — É pequena. Fico tensa sob seu olhar duro. — É grande o suficiente. — Não é para o meu propósito. — E qual seria o seu propósito? — Eu pergunto com cautela. Em vez de responder, ele volta a explorar. Quando chega a outra parede, ele passa o polegar por uma escultura, semicerrando os olhos para olhar bem. Minha mãe sibila em meu ouvido. — Eu disse para você limpar tudo. Eu franzi a testa. Este homem claramente não se importa com a sujeira do lugar. — Eu perguntei o que você planeja fazer com o prédio — digo. Ele murmura para si mesmo, pegando o telefone. Indo em direção a ele, agarro seu cotovelo. — Ei! Pare de me ignorar! Ele enrijece com o meu toque. Eu poderia muito bem ter agarrado o pneu de um veículo de quatro rodas. Lentamente, ele se vira apenas o suficiente para me encarar. Seu rosto é frio, mas por baixo dele queima uma energia vívida e intensa que ameaça dobrar meus joelhos. — Se você quer tanto minha atenção, passarinha, existem maneiras melhores de consegui-la. — Movendo-se para trás, ele força minha mão para fora de seu corpo. — Você está aqui para fazer uma oferta.— Recusando-me a recuar, engulo o líquido seco na garganta. — Falar de negócios geralmente envolve conversar. — Raisa, por favor — diz minha mãe, correndo para o meu lado. — Sinto muito, Sr. Ivanov. Minha filha pode ser muito atrevida às vezes. — Chame-me de Killian. — Ele lança seus olhos prateados para mim. — E está tudo bem. Estou acostumado a lidar com pessoas muito ansiosas que não conhecem o seu lugar. Ah, ele não acabou de dizer isso. Fechando os punhos, me preparo para dizer onde ele pode enfiar sua oferta. Mas antes que eu possa dizer qualquer coisa, mamãe fica na minha frente e bate palmas com um grande sorriso. — Vamos para o escritório?— ela diz. — Você pode revisar a papelada.— Killian desvia sua atenção de mim para ela e depois de volta a minha. — Só se sua encantadora filha concordar com isso. Seu sorriso é como um anzol. Ele me puxa com tanta força que tenho medo de nunca conseguir arrancá-lo da minha pele. E quando desaparece, ainda posso sentir sua presença pulsando contra minha carne. Luto contra o instinto de revirar os olhos. Droga, por que ele tem que ser tão atraente? — Isso é o que eu queria desde o início.— Depois de ver os números, Killian não vai querer comprar a galeria. É um poço de dívidas. Ele não vai querer consertar tudo, mas não do jeito que eu faço. Este tipo de trabalho envolve memórias… Envolve amor genuíno. Basta olhar para ele e sei que é uma emoção que ele nunca entenderia.
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