5. Levada 😱

2114 Palavras
Raisa Meu volante está úmido por causa das palmas das minhas mãos suando sem parar. Respire, Raisa. Apenas Respire. Abaixando a cabeça, fecho os olhos e ouço o ar passando pelos meus pulmões. Esta é a terceira vez que faço isso nos últimos dez minutos. Ainda não funcionou para me acalmar, mas não tenho ideias melhores. Eu poderia ir embora em vez de encontrar Killian cara a cara. Ir embora parece a melhor coisa a fazer, na verdade. Afrouxando os dedos do volante, abro a porta do carro. Por mais que o melhor a fazer seja fugir desse cara, não vou desperdiçar minha única oportunidade de manter minha galeria. Eu tenho que ser corajosa. Eu posso fazer isso. Ajustando minha jaqueta jeans sobre meu vestido suéter bege na altura dos joelhos, coloco meu telefone com a carteira anexada no bolso. Não tenho certeza se isso vai ajudar, mas me certifiquei de que meu número de emergência esteja configurado para ligar para Chloe e não para minha mãe. Deus, não, ela teria um ataque cardíaco se eu estivesse com problemas e ela descobrisse. A polícia também seria uma perda de tempo. Minha melhor amiga, porém, tentaria fazer alguma coisa se eu ligasse para ela em pânico. E então ela faria Josh mover céus e terras para me ajudar. Espero que não precise chegar a esse ponto. Trancando meu carro, dou passos largos com minhas botas de cano curto, seguindo em linha reta em direção ao salão do Tiger. Ao contrário da noite passada, não há uma multidão de bêbados lá fora. Esse é um obstáculo a menos para eu lidar. Abrindo a pesada porta da frente, varro a sala, procurando por Killian. Estou alguns minutos atrasada para a nossa reunião. Eu não iria chegar cedo; isso me faria parecer desesperada e patética. Ele já deveria estar aqui. Por que não o vejo? Não é como se ele não se destacasse. O homem é uma geladeira ambulante, pelo amor de Deus! O Tiger's mantém as luzes baixas, mas não está fão escuro. Em que canto ele poderia estar escondido? Além disso... está estranhamente silencioso esta noite. Observo talvez cinco clientes no bar, outro sentado sozinho em uma mesa. — Com licença? Virando-me, vejo a garçonete que serviu Chloe e a mim ontem à noite. Ela está vestida exatamente como da última vez que a vi, mas seu cabelo está preso em coques esta noite. — Ah! Oi! — Eu respondo. Seu sorriso se contorce no canto, como se ela estivesse nervosa. — Ele está esperando por você lá. Não preciso perguntar a quem ela se refere. Sigo seu gesto, avistando a seção VIP. Está bem escondido em uma seção do lounge com sua própria entrada isolada de dois degraus. Eu nunca estive lá antes. É reservado para pessoas que gostam de se exibir gastando seu dinheiro. Claro que é onde ele está. — Obrigado,— eu suspiro. — Há quanto tempo ele... — paro, observando enquanto ela se afasta de mim como se eu estivesse infectada ou algo assim. É ainda mais perturbador, já que ela foi tão amigável comigo ontem à noite. O que mudou? O nervoso aperta meu coração novamente. Forçando minha cabeça erguida, entro com as pernas rígidas na área VIP. Há uma cortina fina cobrindo a porta. Pela fresta, vejo um grande sofá de couro preto arredondado. No centro dele está Killian. Suas pernas estão bem abertas, braços musculosos jogados sobre as costas das almofadas. Sua pose grita realeza. Este é um homem confortável sob seu controle. Ele não precisava ficar sentado no carro, se preparando antes de entrar, como eu fiz. Ele está vestido com uma calça cinza bem passada e um paletó combinando. Sua camisa, que cobre seu peito largo, é de um rico tom sienna. Se alguém tirasse sua foto agora, poderia vendê-la para a revista GQ e ganhar milhões com royalties. Ele me vê espiando pela cortina. — Olá, Raisa. — Oi. — eu digo friamente. Ele apenas ri, como se meu desgosto o divertisse. Deixando cair a cortina, vou em direção a ele com cautela. — Você não precisava pagar pelo VIP. Vamos apenas conversar sobre negócios. — Os negócios exigem o ambiente certo. — Ou você só quer mostrar o quão rico você é. Levantando uma sobrancelha escura, ele se senta para frente, com os cotovelos apoiados nos joelhos. — O dinheiro é como o vento. Você só sente quando ele se move. Tudo o que faço tem um motivo. Você faria bem em entender isso. Sua postura muda, a fricção faz com que as contas de oração em seu pulso apareçam. Se tudo o que ele faz tem um motivo, então por que ele matou aquele homem? Obrigando-me a olhar para os olhos dele, não para as contas, sento-me no sofá em frente a ele. — Vamos começar com isso. — Tão ansiosa. — Ele estende a mão em direção à mesa baixa à sua direita. Há um balde prateado em cima. Ele agarra o gargalo da garrafa de champanhe que está dentro, inclinando-a para derramar o líquido borbulhante em duas taças. — Por que não tomamos uma bebida antes de começarmos a trabalhar? — Se você está tentando me cortejar com sua generosidade, existem maneiras melhores de fazer isso. — Passando-me o copo, ele o segura perto dos lábios. — Como? — Diga à minha mãe que você mudou de ideia e que não vai comprar a galeria. — Isso seria o oposto de generosidade. — Não para mim. Estreitando os olhos, Killian me lança um olhar curioso. — Você deixaria sua mãe acabar sem teto? E pelo quê? Seu orgulho? Eu me adianto, derramando algumas gotas de champanhe no meu vestido. — Eu nunca a deixaria acabar na rua. Você tem uma opinião enorme sobre si mesmo se acha que é nossa única opção. — Eu sou sua única opção — diz ele bruscamente. — Você não encontrará ninguém melhor do que eu para resgatá-la da confusão em que se meteu. Minha indignação se transforma em um inferno de desgosto. — Qualquer um seria melhor que um assassino. É como se todo o ar tivesse fugido da sala. Killian está imóvel, focando em mim com os olhos tão intensos que posso sentir o calor furioso que emana deles. — Ah, sua i****a. — Há um perigo sedoso em sua voz agora. — Essa foi a coisa errada a dizer. Não querendo mostrar qualquer fraqueza, empurro meu queixo desafiadoramente. — Desista do acordo ou chamarei a polícia. — Isso é uma ameaça? — Eu não tenho medo de você. — Claramente. — Acomodando-se nas almofadas, ele toma um gole do copo. — Mas se eu sou, como você diz, um assassino — ele abaixa o copo, — então concordar em me encontrar pessoalmente me diz que ou você é muito corajosa, Raisa, ou muito estúpida. Algo em seu comportamento mudou. Uma nuvem n***a preenche a sala até que eu estou lutando para respirar. Killian não está preocupado com a minha promessa de chamar a polícia. Na verdade, ele está praticamente me desafiando a fazer isso. A frieza gela o meu corpo. Depois de beber o champanhe, tento fazer com que minhas pernas não tremam quando me levantar. — Estou indo embora. Seu sorriso é c***l. — Está? Virando-me, jogo a cortina de lado. Estou me movendo com propósito, mas internamente estou fazendo planos freneticamente. Não olhe para trás, não grite, apenas ande rápido e vá para o seu carro. De lá posso chamar a polícia... avisar minha mãe para ir para algum lugar seguro até que tudo isso seja resolvido. Killian é perigoso, eu sabia disso desde o início. E ele está certo sobre uma coisa. Fui estúpida por vir aqui. Os cabelos da minha nuca se arrepiam enquanto ando. Alguma coisa não está certa. O único som no salão é a música que sai dos alto-falantes. Olho em volta e de repente percebo que está vazio. Onde está todo mundo? Havia pelo menos quatro pessoas — clientes bebendo e garçonetes andando — quando entrei. Não pode ter passado mais do que alguns minutos. E eu sei que o Tiger's não fecha tão cedo. — Você não sabia, não é? Girando, recuo ao ver Killian pairando sobre mim. Suas mãos estão cruzadas atrás do terno, enquanto aquele mesmo sorriso bonito e predatório passa por seu rosto. — Sabe o que? — Eu exijo. Ele vira para a direita, gesticulando grandiosamente para o teto e depois para o bar curvo. — Este é o meu estabelecimento. Ele me pertence, Raisa. Assim como o seu será meu. A revelação me deixa chocada. Esta cidade vive de corrupção há mais tempo do que eu tenho de vida. Mas saber que um lugar que usei como santuário para relaxar com os amigos, é propriedade desse homem miserável... É demais. O que mais ele controla? Até onde chega o seu poder? E quando ele vai parar? A última parede que mantém meu medo sob controle desmorona. Avançando o calcanhar para trás, dou um segundo passo e depois corro em direção à saída. A adrenalina deixa minha língua com gosto de ácido. Isso me deixa mais rápida que o normal também, e eu corro pela saída com minhas panturrilhas se esforçando demais. Não vejo a parede de homens até que seja tarde demais. Gritando em estado de choque, tropeço no peito do homem bem na minha frente. Suas mãos envolvem meus braços, cavando, me segurando imóvel. — Solte-me! — Eu grito, me contorcendo de um lado para o outro. Ele ri, e alguns de seus companheiros se juntam a ele. Todos eles são grandes, embora nenhum rivalize com Killian. Torcendo-me violentamente para escapar, jogo os cotovelos, procurando algo para bater. — Olha como ela luta — um deles ri. — Uma selvagem — concorda outro. O homem que me segura me dá uma sacudida forte. Perco o equilíbrio e ele aproveita a oportunidade para me puxar contra seu casaco áspero, forçando meus s***s contra seu corpo. Ele solta um gemido repugnante, indicando que está gostando do contato. Horrorizada, olho para seu rosto. Sua cabeça está raspada. Percebo, na minha hiperconsciência provocada pelo medo, que há uma pequena cicatriz em relevo na têmpora esquerda. — Acalme-se, princesa. — Seu hálito cheira a picles. — Você não vai a lugar nenhum. Quando Killian quer alguma coisa, ele consegue. Entendeu? Ouvir o nome de Killian acende outro lampejo de desafio em mim. Com força renovada, enfio o salto da bota no tornozelo do homem. Ele grita, pulando enquanto me solta. — Sua v***a! — ele ruge. Seus companheiros riem da exibição. — Ela te pegou bem, cara! Ele desliza para me agarrar novamente. Esquivando-me, corro cegamente para longe do grupo. Para onde eu vou? Como faço para fugir? Estou girando, enredada em um tornado de rostos zombeteiros que querem me prejudicar. Corro para a direita, mas estou bloqueada. À esquerda está outra fileira de mãos agarrando meu corpo. Os homens criaram um funil que me força a voltar para o salão. Incapaz de ir para outro lugar, corro para a porta da frente. Desta vez, acertei o maior bloqueio de todos. Killian agarra meus pulsos com uma única mão. Com a outra mão, ele segura meu rosto, me obrigando a olhar para ele. — Que pena — agora ele não está mais sorrindo. — que você não tenha mudado de opinião sobre mim, Raisa. Seus dedos alcançam meu bolso e tiram minhas chaves. Ele as balança na frente do meu nariz antes de jogá-las para um homem próximo. — Mova o carro dela. Está estacionado na esquina. Ouço o barulho dos pneus parando no meio-fio. Killian olha por cima da minha cabeça. Meu olhar o segue, e um Cadillac preto brilhante para. — O que está acontecendo? — Eu pergunto trêmula. Ignorando-me, ele me empurra na direção dos homens. Dois deles me seguram pelos braços, dessa vez tomando muito cuidado para não me deixar atacá-los. — Coloque-a no banco de trás — ele ordena. O pânico toma conta de mim quando percebo o que está prestes a acontecer. — Não! Me solte! Pare, por favor! Alguém me ajude! Alguém ajude! AJUDA! — Minha voz ecoa pelas ruas vazias. Killian não se intimida. Ele observa calmamente enquanto sou empurrada para dentro do veículo. Eu sei que há pessoas na área. É impossível que ninguém ouça meus apelos desesperados. Posso vê-los espiando pelas frestas das janelas para testemunhar o que está acontecendo comigo, mas nenhum deles intervém. Ninguém está disposto a arriscar o pescoço e se envolver. Eu grito de novo até minha garganta ficar dolorida, mas é inútil. Ninguém está vindo para me salvar.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR