5. Expulsa por um estranho

2116 Palavras
Hazel Uma semana depois Palm Beach - Flórida Era louca, completamente louca por confiar no meu pai e aceitar vir para a Flórida. Mas ele chorou e me pediu perdão, disse que estava casado com uma nova mulher, que ela era uma boa mulher. Ele disse que adoraria me conhecer e que eu teria muitas oportunidades na Flórida. A todo momento me senti como se estivesse falando com um homem desconhecido, não haviam restado lembranças suficientes do meu pai na minha memória. Mas ele ainda era o meu pai. Relutei por alguns dias, mas cada dia que eu passava fora do convento eu tinha certeza que talvez eu não quisesse realmente estar lá. Eu tinha dificuldade de manter minhas orações e não via sentido nisso. Será que Deus não escuta igualmente se eu fizer uma oração no lugar de cinquenta repetidas? Ainda sentia como se as irmãs estivessem ao meu redor ditando as regras. Mas eu ainda precisava de uma vida. Precisava de opções. A vida se abria como um leque de oportunidades, e não conseguiria mais ficar presa. Eu precisava entender, saber o que eu queria de verdade e escolher no final. E também não aguentava mais as visitas frequentes do Flynn a casa da vovó. Ele me sufocava com sua presença e tentativas de remediar o que aconteceu. Ele não entendia que o que ele me fez foi além de qualquer coisa que eu pudesse perdoar no momento. Então eu peguei a caminhonete velha da vovó, fiz as malas e me enfiei em uma viagem de quase um dia até Flórida. Já era noite quando cheguei em um bairro luxuoso em Palm Beach. Belas casas se estendiam por toda a rua. Era um bairro rico, com certeza. Eu não imaginava que o papai estava morando em um lugar assim. Pensei em uma casa aconchegante de família, com uma lareira e bons móveis. Não uma mansão perto da praia. Sim, aquela era uma verdadeira mansão. Tinha um portão com seguranças e um belo jardim de entrada. A minha caminhonete gritava enquanto batia com a lataria no chão. Até o chão era de rico e minha caminhonete de pobre não sabia como andar naquele chão. Um dos seguranças sinalizou para eu parar, tinham alguns carros na entrada e um barulho de uma festa acontecendo. Não era possível que aquela fosse uma recepção para mim. — Você precisa descer. — O segurança bateu no meu vidro, me mandando descer. Eu estava tão nervosa, que nem tinha pensado em sair do carro. — Você tem certeza de que aqui é a casa de Daniel Lewis? — gritei para o segurança devido à música alta. Ele fez uma careta. — Eu pareço alguém que não sabe o que diz, senhorita? Por favor, desça do carro para que eu possa estacionar em um local que não atrapalhe ninguém. Como vê, o senhor Nate está dando uma festa. Quem é Nate? Meu pai tinha comentado que a esposa dele tinha um filho. Será que era esse Nate? Será que eu estava na casa errada? Apertei meu r**o de cavalo e desci do carro. Meu vestido florido abaixo dos joelhos, que me fazia sentir confortável, não parecia adequado para aquele lugar. Muito menos as botas de cano curto que escolhi. Eu parecia uma verdadeira caipira. — o olhar do segurança confirmou o que eu temia. Eu não estava adequada para aquele lugar. Peguei minha mala no banco do passageiro. Era a minha vida em uma mala de rodinhas. Não tinha muito para trazer e nem pretendia ficar muito tempo. Talvez conseguir um emprego por aqui e alugar um lugar para ficar. Uma vida nova em um lugar novo. Era perfeito. O homem me indicou para seguir reto. Eu só segui a movimentação das pessoas. Tinha um casal se pegando atrás de um carro, uns dois homens conversando com bebidas nas mãos e mais algumas pessoas em direção à piscina. — Veio para a festa, gata? — um dos homens que estava com a bebida falou. — E veio de mala e tudo. — o outro começou a rir. O olhar de deboche. — Não, eu… — olhei em volta, não tinha ninguém para me ajudar, exceto aqueles homens provavelmente bêbados. O meu celular tinha descarregado há muito tempo e o meu carro velho não me dava opção de carregar ele lá. — Eu estou procurando o meu pai. O primeiro homem se aproximou, ele parecia gentil. Loiro e com os olhos claros. Era notavelmente bonito e tinha uma placa de perigo brilhando em sua testa. Eu sabia bem o que homens bonitos fazem. — Você vem da roça? — o outro homem falou sorrindo. — Ainda mais com esse vestido de freira. — Isso não é um vestido de freira. Eu sei disso porque já vesti um vestido de freira e esse não é um. É um vestido composto, mas você não deve saber, porque é um i****a que só vê as mulheres peladas. — c*****o, a caipira está irritada. — gargalhou. — Chega, Nick. Deixa a garota em paz! — O loiro falou para o amigo, que levantou os braços e se afastou.— Desculpa por ele. O Nick é um i****a quando está ocioso. — Eu percebi. — Eu sou Luke, a propósito. — Ele estendeu a mão e eu o cumprimentei. — E você é? — Hazel. — Então, Hazel. Você veio para a festa do Nate? — Olha, eu não sei quem é Nate. Eu só estou aqui porque meu pai, Daniel Lewis, mora aqui. — c*****o, você é filha do padrasto do Nate? Então, o Nate é o filho da mulher do meu pai. — Sim. Será que você pode me dizer onde o meu pai está, ou avisar a ele que estou aqui? — Eu não sei muito bem… — ele olhou em volta, pensativo. – Eu acho que posso fazer algo bem melhor. Vem comigo. Ele segurou minha mão e saiu me guiando pela piscina. O chão era íngreme, feito de pedras grossas e dei graças a Deus pelas botas confortáveis, mas minha mala saltitava no chão até chegarmos no piso reto que dava para a piscina. Ganhei alguns olhares furtivos e alguns arregalares de olhos. Garotas com biquínis minúsculos me olharam dos pés à cabeça como se eu fosse de outro planeta. Nas espreguiçadeiras, uma garota estava no colo de um dos homens, o beijando como se ele fosse a sua fonte de oxigênio. O homem estava só de shorts e conseguia ver as tatuagens em seu braço e sua mão apertando a b***a da garota. Aquele não era um bom lugar para eu estar. — Quem faz uma festa de piscina à noite? — murmurei. — O Nate. — Luke sorriu. — A propósito, aquele é o Nate. Seu meio-irmão. — Luke apontou para o homem que estava devorando a garota na espreguiçadeira. Mas é claro que aquele era o Nate. Que sorte eu teria se não tivesse um meio-irmão Bad boy que pega todas em uma festa na piscina à noite? — O que está sendo engolido pela garota? Será que ele ainda consegue respirar? — brinquei. O Luke sorriu e foi até o tal de Nate. Ele bateu em seu ombro e ele soltou a garota - que olhou em minha direção. O nojo estampado em seu rosto. Ela levantou de cima do Nate e finalmente pude vê-lo. E, caramba, qual a possibilidade daquilo acontecer? Qual a chance do estranho que visitou o meu convento ser o meu meio-irmão? Sim, eu era uma garota sortuda. Tudo acontecia com a podre Hazel Bettany. Eu juro que apenas minha mala foi meu apoio para o baque que veio em seguida. Os olhos, o rosto, as tatuagens, o peito nu. A iluminação e o local eram diferentes, mas era ele. Eu conheceria aqueles olhos a metros de distância. Seus olhos encontraram os meus e eu pude ver o espanto estampado em seu rosto. Ele ficou parado me olhando, depois acenou para o Luke. Levantou seu corpo pesado da espreguiçadeira e caminhou em minha direção sem cortar o contato visual. Meu rosto esquentou, suor pingando da minha testa. De repente, tudo ficou estranhamente quente e eu comecei a suar entre as coxas. Pensei em como deveria ter usado shorts por baixo do vestido, ou trazido lenços umedecidos em minha bolsa. Pensei em fugir, voltar para o carro, fingir desmaio ou me jogar naquela piscina. Ele continuou andando em minha direção e tudo pareceu em câmera lenta. Aquele corpo, aquelas tatuagens. Não, Hazel. Não olhe para o corpo dele. Olhe para os olhos. Mas seus olhos eram lindos e isso não iria ajudar em nada. Quando ele se aproximou me faltou ar. Uma atração estranha dominando o meu corpo. O Nate parou na minha frente, seu corpo próximo demais. Ele era uns trinta centímetros mais alto que eu, talvez. Meu campo de visão era o seu peito nu e tatuado. Eu me repreendi mentalmente por ser uma maldita pecadora, mas rezar não ia me ajudar agora. Ele tocou o meu queixo com a mão direita. O terror dominou seus olhos azuis e, de repente, eles ficaram escuros demais. — p**a que pariu! — exclamou, soltando o meu queixo. — Você está falando sério? Eu falei alguma coisa? Ele agarrou o meu pulso, me puxando para longe da piscina de volta ao chão de pedra, quase me fazendo tropeçar. Eu odiava aquele chão, parecia que eu estava descendo uma ladeira de pedras. — Onde está o seu carro? — falou, áspero. — O quê? — Onde está o seu carro? — ele estava quase gritando, gesticulando rapidamente. — Eu não sei, o homem estacionou. — ele voltou a andar comigo em direção ao portão de entrada. — Olha, eu estou aqui procurando meu pai, Daniel Lewis. — Tentei explicar. — Ele não está. E você precisa ir embora, agora! Meu Deus! Por quê? — Ei, espere! Eu posso andar sozinha. — puxei meu braço, mas seu aperto de lutador era uma rocha em torno dos meus pulsos finos. — Quem é você para me mandar embora assim? Eu preciso falar com o meu pai. Ele se virou para mim, me fazendo bater contra o seu peito. Foi rápido, mas serviu para aumentar o meu nervosismo. — Eu já falei que seu pai não está aqui. Você não entendeu? — Mas ele me mandou vir. — Ele é um i****a, então. E você não era freira? Ele lembrava. — Noviça. — Qual é a diferença? — Tem diferença. A noviça… — comecei a explicar, mas ele me interrompeu. — Não importa. Olha, você pode ir embora e ligar para o seu pai outra hora. Está bem? Só entre no seu carro e suma daqui. — ele gesticulou em direção ao meu carro. — Você quer que eu dirija todo o caminho de volta para Oklahoma? Olha, eu estou cansada. Eu pensei que talvez… — p***a! — Ele passou as mãos nos cabelos. — Só fique longe de mim, garota! — Ele voltou andando em direção à piscina, me deixando sozinha. Eu fiquei lá, sem entender nada, esperando que ele voltasse, mas ele não voltou. Aquilo foi totalmente sem educação. É assim que recebiam as visitas por aqui? — Olha, você vai tirar o carro? Porque eu tentei tirar, mas ele não deu partida. — o segurança falou atrás de mim, me entregando as chaves. — Esse é um carro velho, Sr. Eu Só Dirijo Carro de Ricos. Carros velhos são sentimentais, eles precisam de paciência. — falei, irritada. — Eu não sou seu motorista particular, senhorita. Só tire o carro do caminho. — As pessoas aqui são todas m*l-educadas? — gritei, entrando na caminhonete. Bom, as opções que eu tinha agora era dirigir de volta para Oklahoma - mas para isso eu precisava abastecer o carro. Eu acho que a gasolina não duraria mais que dez minutos, e o último posto que vi era há uns vinte minutos. E eu estava tão cansada. Eu não quis parar no caminho para economizar dinheiro. Pensei que poderia descansar quando chegasse aqui. Eu também poderia carregar o meu celular e ligar para o meu pai. Olhei para a mansão à minha frente. Com certeza ali tinha várias tomadas para eu carregar o meu celular, mas como eu entraria ali sem permissão? Bom, está rolando uma festa, ninguém iria me parar. Não, ele deixou bem claro que não me queria aqui e isso seria invasão de domicílio. Mas que opção eu tinha? Olhei para o banco do carro, em busca da minha mala, mas lembrei que eu tinha deixado a minha mala na piscina. Meu Deus, Hazel. Você consegue ser mais burra?
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