Capítulo Três

1786 Palavras
Tive que me concentrar na realidade novamente, estava mais difícil do que o normal, eu não queria voltar. Estava tão… esses pensamentos não queriam ir embora e eu não estava mais conseguindo deixar meus próprios pensamentos em ordem. Então o pânico tomou conta de mim de novo. Já fazia tanto tempo desde que essa sensação se instaurou em mim de novo, não me lembrava que ela fosse assim, apavorante. O que eu estava fazendo? Não deveria estar aqui, muito menos fazendo isso. Com ele ainda. Comecei a ficar sem ar, não conseguia respirar. Eu precisava ir embora dali. — Eu não — consegui falar com a voz fraca, quase como um sussurro — consigo — falei muito mais fraca, não sei como as sílabas conseguiram sair da minha boca. Depois tudo ficou escuro e nebuloso, não consegui mais me mexer ou me lembrar de nada, minha última memória foi o som do meu peso caindo e se arrastando pela parede e alguém me segurando pelas costas e pernas para não cair com tudo no chão. Foi sorte. — Roberts! — ouvi alguém chamar preocupado, mas tudo estava escuro e eu já não conseguia distinguir distâncias, sons e muito menos pessoas. Caí em total escuridão. Acordei em uma cama que não era minha, em um quarto desconhecido e não conseguia me lembrar de nada. Coloquei a mão na cabeça, ela doía como se eu tivesse recebido uma martelada, mas sem machucados ou arranhões disso. Até que toquei em um band-aid na na minha testa quase no meu cabelo, passei o dedo e me deu uma fisgada. Aquilo doeu, mesmo não sabendo de onde surgira. Por instinto fiz um silvo de dor. Alguém se mexera na cadeira à minha direita, que eu nem havia notado. Nem a pessoa e muito menos a cadeira, na verdade era uma pequena poltrona, mas mesmo assim parecia desconfortável. Depois que a pessoa se mexeu, pude ver quem estava me esperando acordar. Era Samanta. Assim que me viu acordar ela correu para a cama que eu estava e segurou minhas mãos. — Oi — disse ela com toda a calma e delicadeza do mundo, bem tênue, como se eu fosse quebrar se fosse dito algo errado — como você está? — Não sei dizer, mas acho que bem. O que aconteceu? — perguntei colocando a mão na cabeça. — A moça dos Recursos Humanos disse que você estava conversando com o CEO na sala dele sobre suas funções no trabalho novo, que aliás você passou na entrevista, parabéns — disse ela dando um sorriso sincero e apertando um pouco mais minhas mãos, então continuou: — e você começou a ficar estranha e não deu muito tempo e desmaiou enquanto estava em pé. — Nossa — falei confusa — eu não me lembro de nada disso. Ela me olhou com pena. Odeio que me olhem assim, me sinto uma criança. Então Samanta disse que eu estava no hospital. Aparentemente eu estava desmaiada há umas doze horas e Bárbara fora embora pouco antes de eu acordar, deixara uma caixa de bombons para quando eu acordasse e pudesse comer. Que eu devorei junto com Samanta assim que acordei. Ela não havia nem citado o nome de Sebastian, então sabia que ele não havia se prestado para estar ali. Como se um CEO fosse visitar uma secretária no hospital. Não deu duas horas e veio o médico fazer os exames de rotina para ver se eu já me recuperara e já pude ser liberada por alta do hospital. O médico disse que eu tive um tipo de crise de pânico e desmaiei em seguida, batendo a cabeça. Por isso o band-aid e eu não conseguir lembrar muito bem do ocorrido, disse também que demoraria um pouco para me recordar mas logo ocorreria. Mas não faz sentido eu ter tido uma crise de pânico, eu estava apenas recebendo orientações de trabalho, certo? Eu não conseguia me lembrar de nada, minha cabeça ainda doía. Samanta me deu carona até em casa e me deixou na porta. Passei pela portaria, subi os três lances de escada e entrei no meu apartamento. Ou melhor, kitnet. Não tinha quarto, o único cômodo que tinha separação de paredes era o banheiro, o restante parecia o mesmo cômodo. Era pequeno mas tinha o conforto que eu precisava. Ele gostava dali. Joguei minhas coisas no sofá, tirei os sapatos de salto alto e todas aquelas roupas sociais e joguei junto no sofá com a bolsa. Coloquei o pijama mais ridículo que eu tinha que fosse o mais confortável que eu precisava agora. Era uma camiseta preta com vários patinhos amarelos como estampa e um shorts de tecido fofo todo preto. Estava mais leve apenas com as roupas confortáveis e graças a deus sem ninguém para me ver assim também. Me joguei na cama que agora estava extremamente confortável comparado a que eu estava no hospital que parecia uma tábua. Estava prestes a dormir quando recebo uma ligação às 23h33. Era Bárbara perguntando como eu estava e dizendo para tirar amanhã de folga devido ao ocorrido de hoje. Sabia que estava tentada a aceitar, mas Samanta disse que eu precisava sair mais de casa, então por que não começar o quanto antes? — Não precisa, já estou melhor — falei com o melhor sorriso na voz que eu podia fingir — amanhã já consigo começar. — Tem certeza, Sabrina? — ela perguntou desconfiada. — Tenho sim, pode ficar tranquila. Ela fez quase um minuto de pausa, desconfiada ainda pela minha recuperação relâmpago, mas cedeu e concordou. Me passou meus horários e atividades por e-mail. Passei o restante da noite lendo o que teria que fazer no meu novo trabalho. Nada novo na verdade, tudo o que estava descrito já fazia para Steve e Oliver. Então ia me dar bem, só precisava me adaptar ao estilo de trabalho do meu novo chefe. E que chefe. Consegui dormir depois das 01h12. Quando acordei estava toda amassada, havia dormido olhando o e-mail no laptop, então dormi bem de m*l jeito. Olhei o celular e era 07h48 e havia uma nova mensagem de um número desconhecido. Fui abrir a mensagem, mas havia sido apagada. Achei estranho, mas como tinha que sair em seguida, deixei para lá sem dar muita importância. Cheguei ao escritório às 08h55. Como Bárbara já havia me passado minhas atribuições e orientações por e-mail na noite anterior, não achei necessário ir vê-la. Até porque ela iria perguntar como eu estava e já estava farta de olhares de pena para cima de mim. Fui até a sala de Sebastian e avisei que já estava ali para começar e iria ficar na minha mesa para já adiantar algumas papeladas. Ele me olhou com cara de rancor e só me mandou ir fazer meu trabalho, me expulsando com a mão empurrando os dedos para a frente de impaciência sem me olhar. Fiquei a manhã inteira apenas resolvendo as papeladas, organizando contratos, respondendo e-mails e redigindo alguns outros contratos e ligando para alguns clientes. Foi bem produtivo na verdade. — Srta. Roberts — chamou Sebastian à sua sala. — Sim, Sr. Queen? — falei ficando em frente à sua mesa de pé. — Quero que ligue para Paul Smith e marque um almoço no Galligan’s para sexta às 13h00 — falou sério sem tirar os olhos do computador, ainda digitando nele. Peguei o celular e olhei sua agenda. — E a reunião com o Sr. Miller que já está para sexta às 13h15? Ele baixou a tela do laptop e me olhou com um ar de seriedade misturada a amargura impaciente. — Você que é a secretária, se vira — disse ele seco. — Mas para poder “me virar” — sorri o mais simpática que pude e falei fazendo o gesto — preciso saber para quando remarcar o Sr. Miller, não é, senhor? — Você é uma p*ta bem burra, ein? — falou ele suspirando e esfregando os dedos no cenho — já falei, se vira, não me importa para quando. — Mas senh… — tentei argumentar — Cala a boca, garota! — falou ele ríspido quase gritando — Não quero mais te ver, pode ir. E abriu novamente o laptop e voltou a digitar nele sem olhar mais para mim ou sequer notar que eu ainda estava ali. O sangue me subiu à cabeça e não pude me controlar. Sempre me disseram que eu era cabeça quente. — Olha só, queridinho — falei abaixando a tela do laptop dele e fazendo ele me olhar nos olhos e o fuzilei bem fundo naqueles olhos ameaçadores de caçador como se eu fosse a presa — Eu não sei quem ou… — de repente eu travei. Finalmente me lembrei do que ocorrera no dia anterior, naquela sala, naquela parede. De maneira tão quente e lubrificante. Como pude esquecer algo desse tipo? Olhei instintivamente para a parede em que eu fora prensada e tentada. Estava começando a ficar tentada de novo. Ele estava me olhando de modo sério como se estivesse querendo me matar, mas agora me olhava como se eu fosse uma presa que ele não pudesse caçar. E não era porque ele não queria, pois dava para ver que ele queria. E muito. Ele se levantou da mesa e veio em minha direção. Ficou cara-a-cara comigo, alguns centímetros acima de mim. Eu olhando para cima e ele para baixo por causa da diferença de altura. As duas respirações se misturando e se completando, de tão perto que estavam nossos rostos um do outro. Não iria olhar para baixo e perder o jogo de poder subentendido, mas algo me fez olhar para lá e ver que ele estava um tanto quanto animado com a nossa aproximação, apesar de ele disfarçar e tentar esconder isso, era nítido o seu entusiasmo, ou melhor, do outro ele. Era tentador. Ele aproximou o rosto do meu, com a barba novamente roçando na minha pele, me queimando de tentação e sussurrando: — Saia daqui antes que eu faça alguma besteira — sussurrou ele devagar e sensualmente no meu ouvido quase como um pedido de socorro para a tentação que estava tendo. Eu era a raposa e ele o leão que estava faminto e não conseguia caçar por dó da pobre raposa que não podia se defender. Pobre leão, m*l sabia que ia começar a ser caçado pela raposa que parecia indefesa. Apenas parecia. — Já está fazendo uma — sussurrei de volta na sua orelha, encostei um pouco do rosto nesse ato, ele era muito quente, parecia estar fervendo de dentro para fora de luxúria — que m*l faz mais uma besteira, Sr. Queen? — falei extremamente sensual e lentamente, deixando-o mais tentado.
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