Eu o ouvi engolir a própria saliva em uma tentativa de se acalmar. Olhei de relance para baixo e ele ainda estava bem animado, mais ainda do que da última vez que olhei. Ele estava fazendo um grande esforço para resistir à tentação. E eu sabia que poderia brincar bastante com ele. O leão iria virar o brinquedo da raposa, irônico, mas interessante. E não era apenas isso que eu queria.
Ele agarrou meu pulso e disse o mais firme que conseguia ser agora:
— Ei, ruiva — chamou ele de canto — espero que saiba bem onde está se metendo — falou olhando dentro dos meus olhos com severidade e olhos de caçador — porque depois que começar, eu não vou mais parar.
— E quem falou em parar? — falei com a luxúria querendo assumir o controle de mim.
Ele me olhou com um sorriso malévolo e brincalhão, quase cedendo ao que quer que estivesse tentando resistir há tanto tempo. Mas em seguida, como se tivesse finalmente percebido o que estava fazendo e com quem, sua expressão luxuosa desapareceu tão rápido quanto veio à tona.
— Não posso ficar com você — ele murmurou como se decepcionado.
— Mas, Sebastian… — tentei dizer, mas ele explodiu.
— É Sr. Queen para você! — gritou ele com raiva
Então ele ficou sério e firme novamente, em seguida soltou meus pulsos com agressividade, quase os jogando contra mim. Afastou-se alguns passos de mim, voltando para trás de sua mesa novamente com a cara fechada.
— Srta. Roberts, cale a boca e volte ao trabalho — disse ele de modo extremamente grosso, quando viu que não surtiu o efeito que ele gostaria, fez pior: — está surda? Volte à sua mesa e vá fazer o que lhe mandei antes que eu lhe demita por incompetência! — gritou rudemente.
Tentei argumentar contra sua insensatez, mas ele bateu as duas palmas das mãos na mesa com força, fazendo um estrondo em fúria e tornou a dizer:
— Volte ao trabalho antes que eu mude de ideia sobre a sua contratação! — gritou ele com intensidade e apontando o dedo para a porta de sua sala.
Independente do que eu fizesse ou dissesse, ele ainda era meu chefe, então eu não tinha escolha. Precisava obedecê-lo, por mais que não concordasse com a sua atitude arrogante, principalmente por ele ter mudado tão drasticamente sem mais nem menos. Foi de 100% a 0% em questão de segundos. Será que eu o havia irritado de alguma maneira?
Voltei à minha mesa e comecei fingindo trabalhar para poder olhar para dentro da sala novamente, então o vi abrindo uma garrafa de Whisky que já estava pela metade e servindo um copo cheio. Ele bebeu três goles do conteúdo do copo, deixando-o quase na metade antes de o depositar de volta à mesa. Ele se recosta para trás na cadeira, de forma pensativa. Algo o estava incomodando, e muito. Tentei tirar isso da minha mente.
Resolvi terminar as minhas atividades do dia, se não iria ficar com trabalho acumulado e não seria um bom desempenho para um primeiro dia. Liguei para agendar o almoço no Galligan’s na sexta e só consegui horário às 13h15, pois às sextas-feiras o restaurante era extremamente lotado; mesmo sendo Sebastian Queen, ainda não era o suficiente para fazer alguém ceder um horário antes. Mas tudo bem, me virei com o Sr. Miller, como ele queria que eu fizesse; tudo feito. Agora quem tinha que se virar era ele com o almoço de Paul Smith que estaria 15 minutos atrasado teoricamente. Liguei para mais alguns clientes que seus contratos estavam prontos e poderiam vir assinar. Todos preferiram fazer isso digitalmente, então enviei cinco e-mails com contratos a serem assinados de forma digital.
Se passaram várias horas após ele ter bebido aquele copo de Whisky, então ele bebeu mais dois copos, mais três copos, depois eu já não sabia mais em que dose ele estava, o que certamente era um problema. Fiz tudo o que precisava ser feito naquele dia, até que estava quase na hora de eu ir embora, já era quase 19h00, então fui à sua sala para lhe passar alguns relatórios verbalmente do que ele precisava saber e me responder do que deveria fazer a respeito dos assuntos antes que eu fosse para casa.
— Sr. Queen? — chamei à soleira da porta, ele murmurou um “entre” abafado e eu o fiz — quero lhe passar algumas…
— p**a merda, garota — ele me interrompeu arregalando os olhos para mim e me comendo com os olhos — você é gostosa pra c*****o — disse sem mais nem menos, ele estava muito bêbado, com certeza, dava para sentir o cheiro do Bourbon vindo de seus lábios cheios de ternura — mas não posso ficar com você — falou ficando com os cotovelos apoiados à mesa e pousando o queixo nas mãos como sinal de tédio ou frustração.
— Sr. Queen, está tudo bem? — perguntei já com medo da resposta, mas precisava entender o que estava acontecendo, fora o álcool.
— Eu pareço bem? — perguntou com a voz embargada e apontando o dedo para o seu peito, pensei comigo mesma que não — Vá embora, não quero mais te ver hoje — falou ríspido.
— É melhor que você vá para casa, Sr. Queen — falei firme para um bêbado m*l-humorado. Tentei ir em sua direção, mas ele me impediu.
— Eu estou na minha sala totalmente bêbado querendo alguém que não posso ter e eu tenho tudo que quero — ele resmungou.
Ele geralmente me dava um pouco de medo pela sua arrogância e autoridade, na verdade era até sensual ele ser assim. Eu não resistia a um badboy, mas agora não podia me molhar, precisava ajudá-lo a ficar sóbrio.
Eu fiquei calada, não sabia o que dizer quanto às suas declarações. Ele me queria? Achei que pudesse ser apenas com que ele quisesse ficar e depois largar, mas acho que vai além disso. E realmente, ele era extremamente rico então ele poderia ter quem e o que ele quisesse, então não sei por que dizia que não podia me ter.
— Eu sei que você também me quer — falou erguendo o dedo, o seu cabelo estava muito bagunçado, como se tivesse recém acordado, estava bem sexy, na verdade, então prosseguiu: — mas eu não posso ficar com você, seria imoral — sua voz ficando cada vez mais embargada.
Era verdade, eu o queria. Gostava de como era nossa relação passiva-agressiva e isso me deixava louca. Eu enlouqueceria por um homem que me esnobava e tentava me humilhar sempre que podia. Mas saber que ele sentia o mesmo, era algo surreal, pois não se tratava apenas de algo carnal, pelo jeito.
— Eu sou apenas a sua secretária, Sebastian, realmente seria imoral — tentei me desviar de uma resposta sincera.
— Cala a boca! — ele tentou gritar, mas estava mais balbuciando do que qualquer outra coisa, quase inaudível — Bárbaraaa! — ele gritou chamando e eu me assustei.
Bárbara estava atrás de nós abrindo a porta, ela olhou para o estado de bêbado deplorável de Sebastian e me olhou ali de pé e ficou com uma cara confusa de quem estava atrapalhando algo.
— Sabrina, o que está acontecendo aqui? — perguntou tentando entender e desviando os olhos de Sebastian para mim compassadamente.
Antes que eu pudesse responder, Sebastian gritou a plenos pulmões:
— Conte a ela, Bárbara, conte o nosso segredinho — falou ele desesperado tentando falar sem se perder nas sílabas — ela não pode saber, então Shhh — e fez sinal de silêncio com o dedo indicador sobre a boca.
Olhei confusa para ela, o que os dois estavam escondendo que ele estava prestes a contar sem poder?
— Sebastian, acho melhor n…
— Ai, tá bom! — ele estendeu as palmas das mãos em rendição. Achamos que havia terminado o seu showzinho.
— O que faremos com ele? — perguntei olhando-a.
Bárbara ia me responder, quando a bomba foi largada na sala e Sebastian era o causador do caos que se instalaria a seguir:
— Só não podemos contar a ela que somos da Máfia, não é, Bárbara?
Bárbara me fitou com os olhos arregalados e extremamente atônita, ela não estava acreditando que ele fora capaz de revelar seu segredo mais bem guardado e obscuro. E eu não podia acreditar que isso podia ser real. A Máfia realmente ainda existia então, e aquele CEO, aquele homem gostoso e poderoso era m****o de uma. Infelizmente ele era da Máfia. Eu não podia me envolver com alguém desse nicho. Não sei nem se poderia trabalhar com alguém assim.
— O que foi que disse?! — gritei para Sebastian e em seguida olhando para Bárbara.