Bárbara olhou assustada para a porta, com os olhos arregalados, atônita. Mas em seguida, eu vi sua expressão mudar para um sorriso malicioso de canto de boca e um olhar brincalhão. Ela se levantou, andou até o deus grego que estava parado à nossa frente fervendo de raiva e disse:
— Ah! Olá. Sebastian — disse Bárbara bem calma, falando quase que lentamente — eu a estava entrevistando para a vaga de secretária e…
— F**a-se! Não me importo se vocês estavam se pegando ou o que quer que vocês estavam fazendo! — ele a cortou com outra explosão de raiva — Bárbara — ele respirou fundo e disse: — venha cá um momento, sim? — ele tentou falar o mais calmo que podia.
Ela olhou para ele como se ele fosse um brinquedo quebrado esperando ser consertado, revirou os olhos e o olhou com escárnio; então o seguiu até fora da porta, onde eu ainda os podia ver; afinal eram portas e paredes de vidro, tudo se podia ver e ouvir ali.
Eles estavam um de frente para o outro. Ele a olhava com raiva, quase conseguia ver a fumaça saindo por sua cabeça de tanto ódio; ela estava olhando para ele quase se segurando para não rir de tanta malícia e zoação. Ele então apontou para ela, bem na sua cara e disse:
— Qual é o seu problema?! Ficou louca ou bateu a cabeça, foi?
— O que foi, Sebastian? — disse ela com sarcasmo e fingindo pena — não posso mais fazer entrevistas para contratar uma secretária?
— Você sabe muito bem o que quero dizer, Bárbara. Não tinham outras opções? — disse — E de onde você tirou ela? — falou ele controlando outra explosão de raiva.
— Apesar do que pensa ou queira, ela é a melhor opção.
— Ah, é mesmo, Bárbara? E por quê? — disse cruzando os braços com músculos bem definidos e deixando sua posição estática.
— Bom… — ela entregou a ele algumas folhas de papel que ela carregava em uma pasta de papel com as cores e a logo da empresa — por isso — falou firme.
— Isso é verídico? — ele perguntou numa mistura de surpresa e firmeza.
— Sim — ela arrancou os papéis das mãos dele, séria — eu mandei verificar e está tudo como deveria estar. Em perfeita ordem.
Ele apertou o cenho, pensativo. Achei que ele fosse aliviar ou ceder, mas achei errado; ele explodiu de novo.
— F**a-se! Não vou a contratar só por que a senhorita — e deu um cutucão com o dedo indicador na testa dela de forma quase forte — acha que eu deveria ter uma secretária, estou muito bem sem uma.
Bárbara respirou bem fundo e quando soltou o ar, jogou:
— SEBASTIAN! — gritou ela a plenos pulmões — Vai a m**da! Não me importa o que o “senhor” — fez sinal de aspas e em seguida cutucou o peito dele, bem na gravata, como ele havia feito com sua testa — acha ou deixa de achar, EU sou a administradora-chefe dessa m**da aqui e se eu disse que ela está contratada, então adivinhe? Ela está contratada, sim — e ela saiu pisando duro com o seu salto alto fazendo tac-tac pelo corredor.
Já fazia quase uma hora desde que Bárbara e Sebastian haviam sumido após discutirem. Eu estava analisando as estantes da sala do CEO, vários livros de leis, direito cível, penal, familiar, tantos que não sei se é possível citar todos. Eu havia pegado para ler um sobre direito penal, até estava esclarecedor ler o que a lei dizia sobre homicídios até que Sebastian entrou de repente. Me assustei e deixei o livro cair com um grito abafado.
Ele me olhou de cima a baixo com um olhar analítico sobre mim. Os olhos se demoraram em cada parte descoberta da minha silhueta. Tentei parecer o mais natural possível, em pose de quem estava sendo analisada, que era o que ocorria.
Me abaixei e peguei o livro. Eu estava de saia até os joelhos, então talvez ele tenha visto mais do que o que deveria por aqui, pois no mesmo instante ele desviou o olhar e fingiu olhar as horas no celular. Ele deu um suspiro.
— Você ainda está aqui? — não detectei raiva, apenas amargura e desinteresse em sua voz.
— Ninguém me disse para onde ir ou o que fazer, então fiquei esperando Bárbara. Só não esperava o senhor.
— Você é burra, ein, garota? — ele disse pressionando o cenho — esta é a minha sala, por que eu não viria para cá?
Senti meu rosto esquentar. Não disse nada, apenas o observei. Ele não estava mais de terno completo como antes, havia retirado o blazer e agora se encontrava de camisa social branca levemente apertada, o que realçava muito os músculos dos seus braços, que eu via que não eram poucos. Também podia ver que ele desabotoou os dois primeiros botões da camisa, deixando à mostra um pouco da pele do peito, os pêlos pedindo para serem mostrados. Um definitivo deus grego, mas se… balancei a cabeça levemente para tirar a ideia da minha cabeça e tentei me concentrar na principal questão ali.
— Desculpe, senhor. O que farão quanto a mim? — perguntei diretamente.
Mesmo que eu só estivesse aqui, nesta entrevista, por causa de Samanta, ainda assim precisava saber se estava aprovada ou não. E se ainda precisava estar ali.
Ele suspirou e disse para me sentar. Sentei novamente na poltrona em frente à sua mesa e o olhei nos seus olhos parecendo firme.
— Srta. Sabrina Roberts… — disse ele olhando para os mesmo papéis que ele havia pego das mão de Bárbara.
— Onde está Bárbara? — o interrompi.
— Está na sala dela redigindo o seu contrato de trabalho conosco — falou seco.
Ameacei dar um sorrisinho e ele já mostrou os dentes.
— Mas não vá achando que só por que está sob a guarda dela que tem algum direito por aqui, faça um erro, se errar uma vírgula nos relatórios ou qualquer coisinha para ver se eu não dou um jeito de que nunca mais consiga emprego nessa cidade, sua ruiva burra — falou ele se levantando e ficando em cima de mim com o dedo em meu peito. Ele estava me ameaçando.
Eu me levantei.
— Quem o senhor pensa que é? — gritei empurrando o seu peito e fazendo-o sentar novamente — só por que é o dono metido a riquinho mesquinho acha que pode me tratar assim? Não importa o que disser ou fizer, eu consigo coisa muito melhor do que aturar um ESCROTO igual certas pessoas. Se não me queria, por que aceitou me contratou, seu p***a?
Eu vi sua expressão. De primeira ele estava atônito, surpreso com o que acabara de ocorrer; pelo visto ninguém nunca o enfrentou antes, pois logo em seguida ele sorriu com muita malícia e sensualidade. Ele desabotoou mais um botão da sua camisa. Ele fez menção de se levantar, mas ouvimos passos.
— Sebastian! — falou Bárbara entrando pela porta sem bater — preciso que assine estes papéis para a contratação da Sabrina — e deu um sorriso meigo para mim antes de se virar novamente para ele.
— Preciso mesmo? — falou ele revirando os olhos em expressão de nojo.
— Se não quiser que eu enfie essa m**da no seu c*, sim — falou revirando os olhos com impaciência e jogou os papéis na mesa dele.
Ele pegou uma caneta na gaveta de sua mesa, era uma azul em forma de projétil dourado. Rabiscou com ela nos papéis, melhor dizendo, no meu contrato de trabalho. Ele parecia uma bíblia, acho que tinha umas dez páginas e ainda eram duas vias.
— Aqui está — falou fingindo uma seriedade amistosa e entregou os contrato para Bárbara.
— Sabrina, querida — disse Bárbara sorrindo de forma meiga — assine acima de onde diz o seu nome e se não tiver onde assinar, faça uma rubrica ao final da página.
Fiz o que ela pediu e entreguei para ela os meus papéis de contratação.
— Vou digitalizar essas folhas — falou quase correndo em direção à porta — me encontre na minha sala em meia hora para lhe entregar os seus materiais de trabalho, senhorita! — gritou ela já saindo pela porta.
Olhei para Sebastian novamente, ele havia se recomposto e abotoado os botões da camisa. Parecia novamente profissional e não apenas sensual. Que safado ordinário.
Ele se levantou e foi até a porta e a trancou.
Não. Não. Não. Isso não. Não aqui.
— Apesar de ser você, pode ser interessante.
Me levantei, estava com o coração muito acelerado, não sabia se conseguiria, mas precisava tentar. Fui em sua direção e estava prestes a colocar os meus dedos em volta da chave da porta que me libertaria dali, apenas a pude tocar quando ele agarrou a minha cintura com firmeza em seus dedos e me colocou contra a única parte da parede que não era de vidro, era o pilar da sala.
Minhas costas estavam contra a parede gelada e ele segurava os meus dois braços acima da minha cabeça segurando meus pulsos com força, seus dedos eram firmes e estavam me machucando um pouco. Mas eu não sei se queria que ele soltasse, sentia um frio na barriga que me arrepiou por inteira.
Senti sua barba por fazer roçar no meu rosto de forma áspera e sua língua tocar a ponta do lóbulo da minha orelha. Quente. Senti que me abriria se continuasse.
— Onde pensa que está indo, ruivinha? — ele sussurrou com a voz terna em meu ouvido.