Nariz narrando A noite tinha caído daquele jeito estranho, abafado, sem vento, como se a favela inteira estivesse prendendo o ar depois de tudo que aconteceu. A rua lá embaixo tava num silêncio desconfiado: os menores ainda circulando, mas devagar; a movimentação da boca lenta; o rádio sem aquele chiado constante que a gente já tá acostumado. Era o tipo de noite que deixa o corpo em alerta mesmo dentro de casa. Eu estava encostado na janela, sentado na beirada da cama, só de short, curativo fresco na cintura, na coxa, na perna. Os pontos repuxavam toda vez que eu respirava mais fundo, mas nada doía mais do que a cabeça. Liguei um cigarro pra tentar esvaziar a mente, deixar a fumaça levar um pouco da pressão, mas nem isso descia direito. — Pô, Nariz… — Carolina reclamou atrás de mim, cr

