Nariz narrando A favela ainda tava no luto, mas o clima… mano… o clima tava estranho. Nada era silêncio de respeito. Era aquele silêncio que parece que tem alguém respirando nas sombras, esperando a hora de aparecer como dono do pedaço. Eu tava na laje da boca maior, visão lá de cima, vendo a comunidade ainda meio travada, pouca gente na rua, luz apagada cedo, cachorro latindo nervoso, e os moleques todos com aquela postura de quem tá perdido sem saber em quem se apoiar. Tiriça era o dono, por bem ou por m*l, e quando um dono cai, todo mundo fica tenso porque ninguém sabe quem vai ser o próximo rei ou quem vai ser o próximo cadáver. O som do rádio estalava de 10 em 10 segundos — sinal de que ninguém tava confiando em ninguém. Eu fumava quieto, apoiado na grade, a perna e a cintura la

